Mobilidade para quê?

A importância da primeira infância na mobilidade urbana

Desenvolver políticas públicas destinadas a crianças garante, no futuro, cidadãos mais conscientes

2 minutos, 52 segundos de leitura

20/10/2021

Projeto Jundiaí Pé de Infância transforma calçadas, ruas e praças em locais que instigam a criatividade infantil. Foto: Divulgação Prefeitura de Jundiaí

As experiências da primeira infância, que compreende o período desde a gestação até os 4 anos de idade, são fundamentais para o entendimento emocional e coletivo. No contexto de cidades, garantir um ambiente favorável ao desenvolvimento infantil possibilita a criação de conexões com o espaço urbano, originando a responsabilidade cidadã e motivando a maior participação social. 

De acordo com o estudo Primeiros Passos: Mobilidade Urbana na Primeira Infância, desenvolvido pelo Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP), realizado entre 2019 e 2020, o transporte público e a mobilidade ativa são essenciais para o deslocamento de grande parte da população. Nesse contexto, é fundamental garantir melhores condições de segurança e conforto, como maior distanciamento entre a guia e o ponto de ônibus, abrigo para chuva, calçadas aptas para o deslocamento de carrinhos de bebê etc., para que as crianças e seus cuidadores se locomovam pela cidade. 

Proporcionar espaços lúdicos destinados para crianças na cidade pode ainda auxiliar na apropriação do espaço público. Jundiaí, cidade do interior de São Paulo, criou o projeto Jundiaí Pé de Infância, que transforma ruas, calçadas, praças, parques e pontos de transporte em locais que instigam a criatividade infantil com brinquedos, pinturas e materiais que permitem experiências que gerem aprendizado. 

Interação com o espaço urbano

Garantir um ambiente favorável ao desenvolvimento infantil possibilita a criação de conexões com o espaço urbano. Foto: Pexels

A cidade já conta com um investimento em políticas públicas voltadas para a infância, como a adesão à Rede Latino-Americana de Cidades das Crianças e à Rede Urban95, com o objetivo de melhorar o desenvolvimento infantil. O principal objetivo dos projetos é garantir a melhor interação entre as crianças e o espaço urbano: com acessibilidade pensada para elas, é possível que cuidadores e escolas utilizem espaços públicos para criar uma aproximação dos indivíduos com o entorno, gerando o senso de pertencimento. 

Outra iniciativa na área, realizada pela área de educação de trânsito da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec), também no interior de São Paulo, a oficina pedagógica Educação para Mobilidade na Primeira Infância – Intersetorialidade e Garantia dos Direitos no Projeto Político Pedagógico contou com diversos educadores e especialistas na área, com o objetivo de inserir conteúdos de mobilidade urbana nos espaços escolares. 

O projeto busca fazer com que as crianças se reconheçam protagonistas, o que assegura maior autonomia e segurança nos deslocamentos. Considerando que anualmente mais de 3,3 mil crianças perdem a vida e aproximadamente 112 mil são internadas em estado grave por acidentes de trânsito, abordar o assunto em espaços escolares é uma forma de reduzir esses números e construir cidades mais seguras.

Cidades inteligentes são cidades planejadas para todos. A participação cidadã, que começa na primeira infância, é necessária para que as metrópoles do futuro sejam mais humanas e sustentáveis, estabelecendo também um vínculo afetivo para que as crianças cresçam cuidando de sua própria cidade. 

O tema está no contexto do evento nacional Connected Smart Cities & Mobility 2022, que acontecerá em outubro em São Paulo. Para saber mais, clique aqui.

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