Voltar

Embaixadores

Pedro Palhares

Pedro Palhares é é gerente-geral do Moovit no Brasil.

Mobilidade para quê?

América Latina e as transformações na sua mobilidade

Em todo o mundo, vemos que as mudanças mais necessárias são de infraestrutura e que demandam muitos recursos

13/10/2020 - 3 minutos, 9 segundos


Mobilidade na América Latina: cidade de são paulo e o trânsito visto de cima
Foto: Getty Images

“No mês passado, foi comemorado o Mês da Mobilidade com ótimas reflexões aqui, no Mobilidade Estadão. Peço licença para estender a celebração até o começo de outubro, por causa de um evento importante: o UITP Latin America Week, a primeira edição digital, como pede o momento, do encontro regional da União Internacional de Transporte Público. Nir Erez, CEO do Moovit, esteve presente, falando pela primeira vez exclusivamente para a região, o que mostra a posição estratégica que a América Latina ocupa para a empresa.

Leia mais:
Los Angeles estuda adotar tarifa zero no transporte coletivo
Mobilidade nas eleições municipais
Notícia no Seu Tempo Mês da Mobilidade #24: O que mudou no mercado de motos com a Covid-19

O Moovit nasceu em Israel e foi pensado desde o início para ser uma ferramenta global. Ainda assim, meus colegas israelenses se surpreendem com a rápida popularidade conquistada pelo aplicativo na América Latina, e o crescimento acelerado no Brasil. O Moovit encerrou seu primeiro ano presente em 12 cidades brasileiras; em 2017, já estava em todas as capitais; e, hoje, são quase 500 localidades, um movimento parecido com o que foi visto na Argentina, na Colômbia, no México e nos outros 20 países em que estamos presentes no continente.

É curioso apontar as razões para isso. Ouço muito sobre como o perfil voluntarioso dos povos latinos, de uma vontade de ajudar sua cidade, que se encaixou no espírito colaborativo do Moovit. Isso é refletido na dimensão da nossa comunidade de editores e embaixadores, os mooviters, na América Latina, a maior do mundo, e sua apaixonada dedicação em colaborar e mapear cidades de diferentes portes. A Cidade da Guatemala, adicionada há poucas semanas, é uma das capitais inteiramente mapeadas pelos usuários.

Espírito voluntarioso

Esse contexto ajuda a superar os principais desafios da mobilidade. Em todo o mundo, vemos que as mudanças mais necessárias são de infraestrutura e que demandam muitos recursos, algo que atinge uma escala ainda maior na América Latina. Dentro do mesmo espírito voluntarioso, o setor privado acaba buscando soluções para suplantar esses problemas estruturais, muitas delas oferecidas pela Mobilidade como um Serviço (ou MaaS).

Um exemplo é o impacto dos aplicativos de caronas compartilhadas pela América Latina, e como isso transformou a forma de circular em cidades médias e grandes da região, nos últimos dez anos. São soluções que não usam recursos públicos, e que se tornam cada vez mais populares – incluo, entre elas, também os serviços de micromobilidade e mobilidade compartilhada. 

Há dados para sustentar isso. Pesquisa recente feita pelo Moovit mostrou uma migração do transporte público para carros durante a pandemia, sem tendência de queda nos próximos meses. Em algumas cidades, como Fortaleza e Porto Alegre, o uso de aplicativos quintuplicou nos últimos meses. 

Solução híbrida

Vejo isso como uma abertura a uma solução híbrida para a circulação de pessoas. Acredito que o transporte público sob demanda, com rotas, horários e tarifas variáveis, e com o uso inteligente de dados, fará parte da próxima grande transformação na mobilidade latina. Um modelo mais eficiente do que um motorista conduzindo um ou dois passageiros, e que seja rápido, fácil de usar e, sobretudo, acessível.

É algo que pode ser 100% privado, como já acontece em alguns lugares do mundo, ou um modelo misto, com participação do Estado.  Vejo isso se encaixando também na multimodalidade das viagens, algo que cresce em todo o mundo.

Esses serviços sob demanda alimentando sistemas de transporte de massa, como algo de primeira/última milha. Mais uma evidência de como a região está disposta a usar sua criatividade e inovação para testar o novo e superar velhos problemas.”

Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do Estadão

De 1 a 5, quanto esse artigo foi útil para você?
Quer uma navegação personalizada?
Cadastre-se aqui
0 Comentários

Você precisa estar logado para comentar.
Faça o login