"Brasil será maior mercado de patinetes elétricos", diz CEO da JET

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“Brasil será o maior mercado do mundo”, avalia Ilya Timakhovskiy, CEO da JET de patinetes elétricos

Por: Isabel Lima . Há 3h

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Mobilidade para quê?

“Brasil será o maior mercado do mundo”, avalia Ilya Timakhovskiy, CEO da JET de patinetes elétricos

Russo fundou a empresa em 2018 e agora aposta no mercado Sul-Americano; até o 2028, JET planeja implementar 200 mil patinetes elétricos no Brasil

7 minutos, 16 segundos de leitura

02/04/2025

Além dos patinetes elétricos, JET opera bicicletas elétricas em Aracaju (SE), Sorocaba (SP), Florianópolis (SC) e Vila Velha (ES). Foto: Divulgação/JET
Além dos patinetes elétricos, JET opera bicicletas elétricas em Aracaju (SE), Sorocaba (SP), Florianópolis (SC) e Vila Velha (ES). Foto: Divulgação/JET

Aos 30 anos de idade, Ilya Timakhovskiy já construiu um império da mobilidade. O russo iniciou a empresa de patinetes elétricos em 2018 na sua cidade natal, Krasnodar. Após vender uma parte da companhia e se juntar a outra empresa, os patinetes elétricos tomaram conta da Rússia. Atualmente, a JET está espalhada em diversos países do mundo, em, pelo menos, três continentes. No Brasil, ela retoma as operações e busca consolidar o mercado, que, segundo ele, tende a ser o maior do mundo.

Leia também: Micromobilidade como alternativa para cidades sustentáveis

Conforme Timakhovskiy, após conquistar o país em que nasceu e o Leste Europeu, as operações chegaram na Ásia Central e América do Sul. Atualmente, o engenheiro de transporte mora em São Paulo (SP) e administra de perto a expansão no Brasil e América Latina.

Apesar de manter residência no Brasil, o engenheiro fala pouco português. Por isso, a entrevista concedida ao Mobilidade Estadão foi realizada com o auxílio da tradutora Ekatarina Trofimova. Confira a seguir o que Ilya Timakhovskiy pensa sobre o mercado brasileiro e os planos de expansão da JET no País.

Como você avalia a velocidade de penetração do mercado de patinetes elétricos no Brasil?

Ilya Timakhovskiy: Temos um módulo AIoT (sigla para Inteligência Artificial das Coisas, tecnologia que combina Inteligência Artificial e Internet das Coisas) completamente novo. Temos um modelo de patinete novo, tecnicamente eles estão renovados, e suas peças não servem nos patinetes de uso doméstico. 

A nossa experiência em outros países, que nós estamos trazendo para o Brasil, são estacionamentos fixos. Esses locais servem para não haver caos na cidade, somos extremamente contra a desordem.

Vemos que esses dois fatores – o processo e o modelo – mudarão o mercado por completo. Fora isso, o que percebemos é que o Brasil é diferente dos outros países. Ou seja, por aqui as pessoas usam patinete como transporte muito mais rápido do que em qualquer outro país.

Na Ásia Central, assim como na Rússia, demorou mais ou menos 3 anos para as pessoas passarem do uso recreativo para uso como transporte. No Brasil esse processo dura de 6 a 18 meses. E isso muito a ver com a cultura do brasileiro, de usar micromobilidade como meio de transporte.

Nas cidades onde a JET tem operação, em torno de 80% a 90% dos usuários passam a usar o equipamento entre 10 a 12 minutos por viagem. Isso mostra que as pessoas estão usando patinete mais como modal de transporte mesmo, e menos o uso recreativo.

Qual é o tamanho da frota de patinetes elétricos da JET no Brasil?

CEO da JET, empresa de patinetes elétricos
Ilka mora no Brasil para liderar, de perto, a expansão do mercado mais promissor de patinetes elétricos. Foto: Divulgação/JET

Timakhovskiy: Estamos com 15 mil patinetes em 21 cidades. Já preparando a abertura em novos municípios. Até o final de 2025 teremos alguns lançamentos e planejamos duplicar o nosso parque. 

Qual a importância do mercado brasileiro para a JET?

Hoje nosso maior mercado é a Rússia. Mas as pessoas custam a entender isso por dois fatores. Primeiro, porque a Rússia é um país de temporada e nós temos frio de menos 20 a 30 graus. Em segundo lugar, a Rússia não tem infraestrutura de micromobilidade desenvolvida. Por exemplo, não tem pistas de bicicleta, principalmente nas cidades pequenas. Em Moscou tem, mas nas cidades menores, não. 

Mesmo assim é o nosso maior mercado hoje. No entanto, no Brasil, pela nossa avaliação, é o contrário, porque ele funciona o ano inteiro, não tem a temporada de inverno, não tem gelo, não tem neve e praticamente todas as cidades brasileiras são munidas de pistas para bicicleta. Então, isso nos dá ideia de que o País será o maior mercado do mundo. Acreditamos muito no mercado brasileiro, para nós é a prioridade número um.

Qual é o plano de expansão da JET no Brasil? 

Até 2028 queremos ter 200 mil patinetes. Também estamos planejando abrir em todos os municípios com a população não inferior a 500 mil habitantes, ou seja, isso será mais ou menos 50 localidades. Nós já trabalhamos na abertura de cidades-chave, como grandes metrópoles. E vamos continuar abrindo cada vez mais em grandes e médias.

O plano de expansão é simples: ser jogador número um, presente no maior número de cidades. 

As bikes elétricas chegaram ao Brasil também, qual o plano para concorrer com as que já estão por aqui?

Nós não planejamento bater de frente com os nosso concorrentes porque nosso projeto de bicicletas é um piloto. Nosso foco será sempre nos patinetes. Trabalhamos com bicicletas em cidades planas, com pistas de bicicletas longas, porque nosso perfil para esse modal é diferente.

A viagem média de patinete é em torno de 10 a 15 minutos, já a de bicicleta é de 15, 20 a 25 minutos e o público é diferente. Nós temos bicicletas em Vila Velha (ES), lançamos agora em Aracaju (SE), ambas com pista pela orla toda. Vamos continuar trabalhando neste formato. Provavelmente nosso parque até o final do ano será de 2 mil unidades.

Isso nos ajuda a fechar essas viagens com maior duração. Às vezes a pessoa viaja um pouco de patinete, depois pega a bicicleta. Porém, muitas vezes o usuário somente viaja de bicicleta. Essas viagens com maior duração serão nosso foco para estes clientes.

No Brasil, a velocidade máxima para patinetes é 20 km/h. Nos outros locais em que a JET está, isso funciona da mesma forma?

Na maior parte dos países, a velocidade média é de 25 km/h e, em uma boa parte, de 20 km/h. Pela nossa experiência, quando há uma concorrência com velocidade mais alta, por exemplo, se um dos concorrentes do mercado colocar 20 km/h e o restante tiver 25 km/h, as pessoas vão preferir viajar naqueles que são mais rápidos. No entanto, isso não se aplica ao mercado brasileiro.

Porque aqui nossa concorrência é relativamente baixa neste momento. Além disso, é 99,99% mais seguro colocar uma velocidade de 20 km/h em todas as vias. Inclusive, nós trabalhamos com prefeituras de cidades com alta concentração de pessoas nas orlas, nas pistas e limitamos a velocidade de 12 a 15 km/h.

Nosso maior princípio é viagem segura. Nesse sentido, 20 km/h é uma velocidade extremamente confortável, segura, mesmo nas vias de tráfego pesado. Nós temos hoje números extremamente baixos de acidentes. Neste momento, o usuário brasileiro está aprendendo como andar de forma segura no patinete. Então 20 km/h é a melhor velocidade.

Há algum movimento para baratear a locação dos patinetes? Pois hoje o custo é alto para uma solução de micromobilidade.

Quando o usuário começa a conhecer o nosso serviço, geralmente isso acontece nos fins de semana, ele usa o patinete de forma recreativa. Para uso de criativo, a gente coloca o preço na íntegra. No entanto, nós focamos no patinete como modal de transporte. 

Por isso baixamos bastante nossos preços bastante nos dias úteis, principalmente na parte de manhã, quando as pessoas vão para trabalhar. Temos hoje vários tipos de assinatura onde o usuário tem descontos de 20 a 30%. Temos tarifas de pacotes de minutos onde o desconto também varia de 20% a 30%. Também temos carteira Pix onde o usuário pode preencher essa carteira e ter um desconto em torno de 10%. 

Então, se a gente comparar com o final de semana, sim, há uma diferença de preço, mas tem que diferenciar muito bem o uso do criativo com o de transporte. O usuário já experiente que usa o nosso patinete sabe essa diferença de preço e de tarifa.

Se você comparar com Uber, de todo jeito é muito mais barato. Principalmente nos dias úteis. De fato, uma viagem de Uber que custa, por exemplo, R$ 20, R$ 30 reais, de patinete custaria em torno de R$ 12. 

Qual é o nosso objetivo? Internamente costumamos brincar que uma viagem de patinete deve custar mais barato que um cappuccino ou mais barato com um X-Burger. Esse é o nosso foco maior. Então, tendo em vista essa diferença entre o uso recreativo e o uso para transporte, nosso foco está nas viagens de 10 a 15 minutos, onde há descontos para fidelizarmos os clientes.

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