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Mobilidade para quê?

Brasil tem grande potencial para avançar no transporte metroferroviário

Os trens se alinham às tendências mundiais de mobilidade relacionadas à conexão e ao compartilhamento.

26/01/2021 - 2 minutos, 56 segundos


Brasil tem grande potencial para avançar no transporte metroferroviário
Foto: Getty Images

Quando falamos que o futuro da mobilidade é multimodal, o sistema metroferroviário brasileiro precisa ser repensado para atender adequadamente à crescente demanda da população. Apenas 13 regiões metropolitanas no País, de um total de 63 de médio e grande porte, contam com malhas metroferroviárias. E, apesar de transportarem mais de 11 milhões de passageiros por dia, ainda assim, apresentam capacidade abaixo da demanda, segundo o estudo Setor Metroferroviário Brasileiro, da ANPTrilhos.

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Trens atendem a várias necessidades no que se refere à capacidade, distância e velocidade. Eles também se alinham às tendências mundiais de mobilidade relacionadas à conexão e ao compartilhamento, uma vez que são complementares aos outros modais como bicicletas, motocicletas, carros, ônibus e aviões. Neste último, temos como ótimos exemplos os people movers que circulam em aeroportos de diversos países e que, em breve, teremos no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo.

Tendência da eletrificação

Veículos sob trilhos também apresentam uma capacidade bem maior por área ocupada que outros meios de transporte e vão ao encontro de outra tendência da mobilidade global: a eletrificação, que contribui para que o sistema seja ambientalmente amigável.

O setor metroferroviário apresenta grande potencial de crescimento no Brasil, tanto para os segmentos urbanos e intercidades quanto para o turístico – apesar de estarmos longe dos países em que esse modal já atua integrado ao deslocamento diário de passageiros há décadas ou mesmo séculos.

O metrô de Londres começou a operar em 1863 e atualmente cobre 402 quilômetros, conta com 207 estações e faz 5 milhões de viagens por dia. Encontramos trens regionais ligando cidades pequenas e médias, em toda a Europa, e, nos últimos anos, a implantação de modelos de alta velocidade tem avançado fortemente na China.

Além de impulsionar a própria mobilidade, melhorando substancialmente os grandes fluxos de pessoas nas áreas urbanas, as soluções metroferroviárias favorecem atividades econômicas em geral e, em especial, o turismo. No setor turístico, o trem, em si, já é uma atração. Em dezembro, a Marcopolo Rail entregou o seu primeiro veículo leve sobre trilhos, o Prosper VLT, que transitará numa rota turística no Sul do País, operada pela Giordani Turismo.

Aliás, os VLTs são soluções bem viáveis, pois aproveitam as vias já existentes, em especial avenidas, estradas e rodovias que tiveram seu entorno ocupado e urbanizado ao longo do tempo e que, portanto, já guardam características troncais. Um bom exemplo é o VLT do Rio de Janeiro, implantado com foco no fluxo de turistas durante os últimos Jogos Olímpicos e que transporta atualmente cerca de 80 mil passageiros por dia. 

Naturalmente, ferrovias, em geral, requerem infraestrutura de alto custo, investimentos de longo prazo e comprometimento dos Poderes Públicos. Mas as experiências mundiais nos comprovam a viabilidade do retorno, compensada também pela longa duração dos materiais rodantes e dos benefícios nos deslocamentos das populações. Redução de custos e tarifas no transporte público faz parte do pacote de vantagens.

O Brasil dispõe de capacidade industrial instalada, expertise e tecnologia para avançar no transporte sobre trilhos. Aos poucos, multiplicam-se projetos em diversas cidades, impulsionados por parcerias público-privadas. Por fim, podemos também atuar como protagonistas no desenvolvimento do setor nos países vizinhos, produzindo veículos com preços competitivos e qualidade equivalente aos demais concorrentes internacionais.

Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do Estadão

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