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Conteúdo original Estradão Estadão

Meios de transporte

Caminhoneiros mudam hábitos por causa da covid-19

Caminhoneiros contam que, para lidar com a pandemia da covid-19, mudaram alguns hábitos. Motoristas evitam parar onde há colegas sem máscara e aumentaram os cuidados com a higiene

Tião Oliveira

03/06/2020 - 5 minutos, 4 segundos


Os caminhoneiros estão sentindo na pele as consequências da covid-19. Sobretudo os autônomos, muitos dos quais não contam com garantias como plano de saúde, licença remunerada e previdência privada. O Estradão foi a campo para mostrar como os profissionais do setor estão lidando com a pandemia.

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José Luiz Marcondes, de 49 anos, faz parte de um minoria. Ele diz que não sentiu os reflexos da redução no volume de carga transportada.

Marcondes (foto abaixo) é autônomo e trabalha como terceirizado levando areia de Cubatão, no litoral paulista, a Cajati, no interior do Estado. E volta com o caminhão carregado de enxofre.

Apoio aos caminhoneiros

O caminhoneiro também celebra o apoio que a categoria vem recebendo. Segundo ele, que trabalha como motorista há 35 anos, nunca houve uma rede de apoio tão intensa nas estradas. Marcondes cita a distribuição de kits de higiene e  refeições aos profissionais.

“Nossa categoria sempre viveu a própria sorte”. afirma. Mas, desde que essa doença chegou ao Brasil estamos recebendo ajuda. Nas balanças e nos pedágios já recebi kits de higiene. E conheço colegas que estão precisando ainda mais de ajuda e receberam doação de cesta básica em algumas balanças”, conta.

De acordo com Marcondes, é importante seguir as recomendações das autoridades de saúde. Ele afirma que adotou uma nova rotina, que inclui hábitos mais frequentes de higienização. “A única refeição que eu faço fora de casa é o almoço. E procuro comer dentro do caminhão para evitar aglomeração e contato social”.

Queda do volume de transporte

Da mesma sorte não compartilha o autônomo Fernando Silva de Souza, de 43 anos (foto abaixo). Quando foi entrevistado, ele estava parado havia dois dias no terminal de cargas de Cubatão. Ele estava aguardando uma carga para voltar para casa em Catalão, cidade goiana distante 260 km da capital do Estado.

O caminhoneiro diz que, antes de a covid-19 chegar ao Brasil, prestava serviço para 12 empresas. E, como tinha renda garantida, comprou um Mercedes-Benz 1935 de 1998 e o implemento por meio de financiamento.

“Desde março, meu faturamento caiu 60%”, afirma Souza. “Hoje estou fazendo muita conta para sobreviver. Em um mês pago a parcela do caminhão e no outro, as contas da casa”, diz o pai de cinco filhos e responsável pelo sustento da família.

Mudança de comportamento

Ele diz que eventualmente passa por pontos de distribuição de marmitas e kits de higiene. Mas, para economizar e evitar aglomerações, comprou uma caixa de cozinha para o caminhão onde prepara suas refeições.

Na visão de Souza, a queda do preço do litro do diesel deve ser celebrada. Ele diz que antes da pandemia, ele pagava cerca de R$ 3,90 pelo combustível, e agora paga de R$ 2,95 a R$ 3,09, dependendo da região.

“Com isso estou conseguindo honrar outros compromissos”. Ele cita a prestação dos pneus do caminhão, que comprou algumas semanas antes de a crise chegar.

Transportadoras investem em prevenção

As transportadoras, independentemente do tamanho, vêm sofrendo muito com a redução no volume de carga movimentada. E têm investido na proteção dos profissionais responsáveis por manter o abastecimento de produtos em todo o País.

Em suas 28 filiais, a IC Transportes, por exemplo, realizada semanalmente ações de combate à covid-19. Todos os motoristas, sejam empregados ou terceirizados, participam de palestras relativas aos cuidados com a saúde e prevenção da doença. E recebem kits com itens de higiene, como sabonete, álcool em gel e máscara.

“Este tem sido um momento delicado. Por isso temos repetido as atuações de combate ao coronavírus. Os colaboradores devem ter coerência e paciência”, diz coordenador de Suprimentos da IC Transportes, Rafael Suzuki.

Novas rotinas

Uma nova rotina foi adotada pelos prestadores de serviço. Isso inclui a higienização frequente de partes do caminhão com que o motorista tem maior contato. É o caso das maçanetas das portas, volante, alavanca de câmbio e painel.

“Não importa quantas vezes por dia o motorista vai usar o caminhão. Orientamos que ele faça isso sempre que entrar na cabine”, diz Suzuki. “Só assim será possível reduzir a disseminação do vírus.”

A IC Transportes também fez ajustes em suas instalações. Em locais estratégicos foram instalados frascos com álcool em gel. A transportadora também orientou os motoristas a parar para descanso e refeição apenas nos postos parceiros.

“Sabemos que nesses locais os cuidados com a saúde são levados a sério”, explica Suzuki. De acordo com ele, nesses postos as medidas de higiene são realizadas com frequência.

Preocupação com a higiene

O caminhoneiro Henrique da Silva, de 31 anos (na foto acima recebendo um kit de higiene de Suzuki), que trabalha para a IC, diz que notou mudanças no comportamento dos colegas na estrada. “Muitos estão preocupados com a higiene. Estão fazendo o uso frequente do álcool em gel e presenciei a preocupação com relação ao distanciamento.”

“Infelizmente ainda há os mais resistentes”, diz Silva. Ele acrescenta que não são todos os profissionais que usam as máscaras de proteção.

Ele diz que, mesmo após a pandemia, manterá alguns hábitos que adquiriu. Entre eles está o uso frequente de álcool em gel para higienizar as mãos. “É algo simples de carregar e que ajuda a prevenir doenças como uma gripe comum.”

Parada apenas em locais conhecidos

Carlos Eduardo Moraes, de 39 anos (foto acima), também mudou alguns hábitos. O caminhoneiro, que transporta adubo de Cubatão para Uberaba (MG) tem de parar para dormir.

Ele afirma que procura tomar banho sempre em uma das garagens da empresa. O objetivo é evitar o contato com pessoas desconhecidas. “Não é todo mundo que está aderindo aos cuidados”, afirma o motorista.

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