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Summit Indústria Automotiva: tecnologias é essencial para revolucionar o setor

No primeiro dia do encontro Summit Indústria Automotiva, tecnologias como conectividade e 5G são apontados como condições essenciais para promover a revolução do setor

5 minutos, 6 segundos de leitura

02/05/2022

Por: Mário Sérgio Venditti

Tião Oliveira (ao alto, à esquerda), editor do Jornal do Carro, mediou os dois dias de debate do Summit Indústria Automotiva 2022.

O futuro da indústria automotiva vem suscitando uma série de debates no sentido de espantar as dificuldades enfrentado hoje no setor. A crise, causada principalmente pela pandemia da Covid-19, forçam os executivos de toda a cadeia produtiva a estudar alternativas que exigem, entre outras ações, criatividade, investimentos e políticas públicas.

Os diagnósticos foram levantados durante o primeiro dia do Summit Indústria Automotiva, promovido por Mobilidade e Exponor e realizado, virtualmente, na última quinta-feira (28).

Antes dos três painéis programados, o analista de mercado automotivo José Augusto Amorim, da LMC Automotive, traçou um panorama da indústria e fez uma projeção preocupante: “O pico de vendas de 3,6 milhões de veículos vendidos, em 2012, só será recuperado em 2034”, afirma.

Ele lembra que o primeiro trimestre do mercado brasileiro foi o mais fraco desde 2005, com o encolhimento de 25% em comparação ao mesmo período do ano passado. A principal explicação para a retração são os preços elevados dos carros, muito acima do poder aquisitivo dos consumidores.

“Em 2019, antes da pandemia, o valor médio do automóvel era de R$ 87 mil. Se aplicássemos a inflação no período, hoje o preço deveria ser de R$ 95 mil. Mas não: o ticket médio é de R$ 144 mil”, explica.

Confira, a seguir, a programação completa do primeiro dia de debates

Veja as principais opiniões dos participantes de cada um dos temas discutidos:

Comportamento do consumidor brasileiro, carros por assinatura, locação e compartilhamento

Alexandre Aquino, vice-presidente da Jeep para a América do Sul: “Os carros conectados trazem mais segurança ao usuário e reduzem o preço do seguro. Assim, buscamos desenvolver plataformas de conectividade em fábricas mais enxutas. Hoje, não faz mais sentido imaginar uma planta produzindo 1 milhão de veículos por ano, o que causa muita ociosidade”.

Jamyl Jarrus, diretor executivo de vendas e marketing da Movida: “No Brasil, não existe uma cultura de leasing. Por isso, o carro por assinatura é uma solução atraente, ainda mais para os jovens que se importam com a usabilidade e não com a posse do carro. A Movida já oferece carros elétricos para alugar e um novo serviço é a Movida Cargo, destinado às pequenas empresas sem condições de adquirir veículos para fazer suas entregas”.  

Marina Willisch, vie-presidente de comunicação, relações governamentais e ESG da GM América do Sul: “Um novo automóvel leva, em média, cinco anos para ser desenvolvido, mas, antes de mais nada, é mandatório saber o que o cliente quer. Hoje, o consumidor está, sim, cada vez mais preocupado com o meio ambiente e com as emissões de poluentes”.

Competitividade da Indústria Automotiva no Brasil

Antonio Filosa, presidente da Stellantis para a América do Sul: “Da portaria para dentro, temos as mesmas tecnologia, mão de obra e qualificação de outros mercados. Nossa competitividade está aquém da portaria para fora por causa de três razões: a tributária – uma reforma contemplaria a competitividade –, a infraestrutura e a desigualdade entre as regiões do País. É preciso equalizar mais o Produto Interno Bruto (PIB) para aumentar o poder de compra”.

Cláudio Sahad, presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças): “O governo federal precisa incentivar a produção local de semicondutores para acabar com a dependência das importações. Melhorar o ambiente de negócios atrai o interesse de empresas. Os pequenos sistemistas estão com dificuldade de atuar no setor por conta da ausência de recursos humanos e financeiros”.

Luiz Carlos Moraes, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea): “A pandemia mostrou como nossa logística é frágil. Faltaram navios e contêineres para o transporte. Devemos rediscutir alguns aspectos da globalização. Isso porque fatores geopolíticos e climáticos não podem afetar tanto a produção”.  

Conectividade e Mobilidade Urbana

André Souza Ferreira, vice-presidente de software e serviços conectados da Stellantis para a América do Sul: “Assim como o smartphone, os software dos carros podem ser atualizados automaticamente. Assim, o cliente tem a percepção de que tem um automóvel sempre novo, o que aprimora sua experiência com o produto em termos de segurança, serviços e conveniência. O desenvolvimento do 5G é vital para atrair investimentos em vários pontos do País”.

Doulgas Tokuno, head do Waze Carpool: “Por meio do programa Waze for cities, colaboramos com políticas públicas como a construção de cidades inteligentes, cedendo dados úteis como onde há buracos e acidentes. Em contrapartida, recebemos informações sobre vias interditadas por causa de um evento, por exemplo.

Emílio Paganoni, gerente sênior de treinamentos do BMW Group Brasil: “Na medida em que a conectividade dos automóveis aumenta, é preciso simplificar seu uso, porque o cliente não é um especialista. O 5G deixará a conectividade mais completa entre o consumidor, a casa dele, o carro, o celular e a rede de concessionários”.  

Marcio Hannas, presidenter da divisão CCR Mobilidade: “O passageiro deseja segurança e transporte público sustentável. A automação de algumas linhas do Metrô, onde não há mais condutores, já é um avanço. Tudo é controlado de forma inteligente. Precisamos pensar em um sistema multimodal integrado, em que o usuário consiga programar suas viagens sem desperdiçar tempo e dinheiro”.

Flávia Ciaccia, vice-residente da Experiência do Usuário da Eve Air Mobility: “O VTol, veículo de decolagem e aterragem vertical, deverá entrar em ação em 2026, com a ideia de utilização compartilhada e integrada com outros modais. O custo de utilização será um pouco elevado, mas esperamos que diminua conforme a demanda. Em 2035, a estimativa é que o mundo tenha 50 mil unidades do carro voador e, por isso, infraestrutura e gerenciamento do tráfego aéreo serão obrigatórios”.

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