Mobilidade para quê?

Legado da Olimpíada da Sustentabilidade está começando

“Serão os próximos meses – e não os próximos anos – que irão determinar a posição brasileira no pódio da mobilidade mundial.”

3 minutos, 11 segundos de leitura

01/09/2021

Foto: Pexels

A Olimpíada de Tóquio, no Japão, se tornou um marco para o Brasil. Nossos atletas atingiram recordes que nos orgulham e a tão almejada posição de potência esportiva da América Latina foi conquistada.
Em termos de sustentabilidade, os Jogos Olímpicos estabeleceram novo patamar à pauta do desenvolvimento sustentável, com ações como medalhas criadas de bateria de celular ou camas, pódios e uniformes de papelão e plástico reciclável, entre outros exemplos.

Se, por um lado, tivemos a melhor performance esportiva da nossa história, em relação à agenda sustentável temos uma maratona pela frente. Os desafios vão das ações necessárias em benefício do meio ambiente a uma curva de adoção da mobilidade elétrica condizente com os rumos do planeta.

Frota eletrificada

Segundo a Associação Brasileira de Veículos Elétricos (ABVE), o mês de julho de 2021 teve recorde histórico em emplacamentos de carros elétricos e híbridos, no Brasil. Foram 3.625 automóveis, o que representou um inédito patamar de 2,23% de participação entre veículos leves comercializados em um mês, elevando a frota nacional de eletrificados em circulação a 59.793 veículos.

Ainda neste ano, devemos ultrapassar a importante barreira de 3% de participação. Na Alemanha, por exemplo, o salto dos elétricos e híbridos foi de 3%, em 2019, para 14%, no ano passado. Nosso protagonismo no setor automotivo na América Latina está em xeque, com países bem mais avançados na eletrificação como Chile, Colômbia e até mesmo nosso competidor histórico na produção automotiva, o México.

Aos haters da mobilidade elétrica, aqui vai o recado: da mesma maneira que surpreendemos nas Olimpíadas, temos condições de sonhar alto quando o tema é descarbonização. Como signatários do Acordo de Paris, desde novembro de 2016, temos o compromisso de implementar ações e medidas que apoiem o cumprimento das metas estabelecidas, as chamadas NDCs, ou cota de contribuição nacionalmente determinada.

Tendo como base o ano de 2005, nossa NDC precisa reduzir as emissões líquidas totais de gases de efeito estufa em 37% até 2025, em 43% em 2030 e a neutralidade climática até 2060.

Compromisso com o futuro

A meta de descarbonização do nosso País começa a impactar nas políticas públicas, nas decisões do empresariado e na sociedade. Em São Paulo, o governador João Doria assinou, recentemente, o decreto que assegura o compromisso paulista com a campanha Global Race to Zero, aderindo a um plano de ação climática do governo até 2050. São Paulo junta-se a outras 700 cidades em 120 países e, globalmente, mais de 3 mil empresas, 620 universidades e 170 investidores comprometidos com a meta.

Neste momento em que as emissões globais já estão voltando aos níveis pré-pandêmicos, Estados e municípios precisam se comprometer com a meta de descarbonização e incentivar a iniciativa privada e a sociedade na adoção da nova tecnologia. Hoje, além dos olhares atentos de todo o setor automotivo e de energia/combustíveis, já existe uma camada de empresas de outros setores encabeçando a discussão: Itaú, Santander, Ambev, Movida, Porto Seguro, Mercado Livre, TIM, Carrefour, Heineken, Natura, Americanas, C&A, DHL, DrogaRaia, Pepsico, Fedex, Nespresso e tantas outras que vêm implementando ações diversificadas de mobilidade elétrica.

Como aconteceu no mercado externo, a maior procura dos elétricos e híbridos pelas grandes corporações favorece o amadurecimento do mercado e propicia economia de escala com maior número de modelos e valores mais competitivos. Serão os próximos meses – e não os próximos anos – que irão determinar a posição brasileira no pódio da mobilidade mundial.

Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do Estadão

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