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Mobilidade para quê?

Mobilidade para todos

Conheça as políticas públicas e as iniciativas privadas para facilitar o deslocamento de idosos e pessoas com deficiência

Patrícia Rodrigues

04/02/2020 - 4 minutos, 52 segundos


Myrna Melo, estudante de arquitetura e técnica em acessibilidade da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência. Foto: Marco Ankoski

Um dos grandes desafios da mobilidade nas grandes cidades também é torná-las cada vez mais acessíveis e inclusivas, sobretudo para idosos e pessoas com deficiência. E estamos falando de milhões de pessoas. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população brasileira com 65 anos ou mais é composta de mais de 29 milhões de pessoas. O último Censo, realizado em 2010, mostra que há quase 16 milhões brasileiros com deficiência (visual, auditiva, motora e intelectual/mental), sendo que, para as três primeiras, foram verificados diferentes graus de severidade.

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Ou seja, no País mais de 45 milhões de brasileiros (número equivalente à população total da Argentina) apontam a necessidade da formulação de políticas públicas para melhorar a qualidade de vida dessas pessoas, incluindo seus deslocamentos pelo espaço urbano.

Uma luta diária

Uma dessas pessoas é Myrna Melo, cadeirante de 27 anos, que, todos os dias, utiliza ônibus acessíveis e metrô para se deslocar de sua casa, na região do Jabaquara, até o centro da cidade, onde trabalha. “Algumas vezes, faço uso das novas linhas acessíveis oferecidas pela prefeitura”, diz Myrna.

Ela conta que nasceu em Alagoas e, em 2007, quando tinha 15 anos de idade, mudou-se para São Paulo. “Comecei usando o serviço Atende+, da Prefeitura, para ir à escola. Mas isso obrigava minha mãe, que era minha acompanhante, a desembarcar e tomar outra condução para voltar. Aos poucos, fui adquirindo confiança e, por volta dos 15 anos, já utilizava ônibus acessíveis, acompanhada de meus colegas de escola”, conta.

Discriminação

Nessa época, diz Myrna, ela enfrentou a que considera a pior barreira para uma pessoa com deficiência: a barreira atitudinal. “Sofri com a discriminação dos cobradores, com comentários maldosos, e de motoristas impacientes, com o meu embarque e desembarque, além de encontrar elevadores quebrados. A estrutura oferecida tanto no transporte público quanto no privado melhorou, mas ainda faltam posturas mais adequadas para lidar com pessoas com deficiência – falta mudança de atitude. Um motorista de táxi chegou a me perguntar se eu iria carregar a minha cadeira junto”, relata.

Ela explica que consegue se deslocar sozinha da cadeira para o assento do veículo, mas sabe que outras pessoas não conseguem. “Faço a minha parte em relação aos serviços oferecidos. Procuro o fiscal quando encontro elevadores quebrados ou quando noto a falta de ônibus acessíveis nas linhas. No dia a dia, utilizo linhas de ônibus acessíveis e metrô para chegar ao meu trabalho. Algumas vezes, faço uso das novas linhas acessíveis. Quando não conheço o local, pego táxi e, sempre antes de sair, me informo para saber sobre a acessibilidade dos estabelecimentos”, finaliza.

“A estrutura tanto no transporte público quanto no privado melhorou. Mas ainda faltam posturas mais adequadas para lidar com pessoas com deficiência”, diz Myrna Melo

Serviços para pessoas com defiência e idosos

Com o objetivo de colaborar na construção de uma cidade mais inclusiva, elencamos várias iniciativas do poder público, de empresas particulares e de novas tecnologias.

Táxi Acessível

A cooperativa, com 40 profissionais proprietários de táxis acessíveis para cadeirantes, possui mais de 1.000 clientes cadastrados. Funciona 24 h por dia: www.taxiacessivelsp.com.br. Agendamentos SP (11) 4118-6305, Central via Celular (11) 98676-1644, Santos e Litoral Sul (13) 4042-1351.

Incluindosp

Transporte acessível e acompanhamento de pessoas com deficiência, com necessidades especiais temporárias, mobilidade reduzida e idosos durante atividades externas que necessitem de supervisão. Funciona 24 h por dia com hora marcada: www.incluindosp.com; e-mail: incluindosp@gmail.com. Agendamentos (11) 97685-6717 e informações (11) 97706-6419.

We Transporte Acessível

Transporte adaptado para passageiros com dificuldade de locomoção (cadeirantes) ou mobilidade reduzida para atividades do dia a dia (consultas, exames etc.) e viagens. Funciona 24 h, com hora marcada, em toda a Grande São Paulo: www.wetransporteacessivel.com.br; e-mail: contato@wetransporteacessivel.com.br; tel. (11) 999429-1518.

CittaMobi Acessibilidade

Oferece informações sobre os ônibus (linhas, horários, trajetos, pontos de parada) para facilitar o uso de pessoas com deficiência visual. Possibilita identificar se o veículo a caminho é adaptado ou não.

BioMob

Patrocinado pelo Instituto Nissan, ajuda as pessoas com deficiência e mobilidade reduzida (deficiente visual, cadeirante, obeso ou idoso) a mapear, localizar e avaliar locais privados (restaurantes, academias, teatros etc.) e públicos (calçadas, terminais de transportes e estações de metrô) quanto às suas acessibilidades físicas e comportamentais. 

Parknet

Auxilia idosos e pessoas com deficiência a encontrar vagas de estacionamento reservadas em vias públicas. O usuário pode localizar as mais de 3 mil vagas exclusivas para esses públicos na cidade, traçar uma rota até o local de estacionamento desejado, notificar a CET sobre vagas ainda não mapeadas e fazer denúncias sobre uso irregular de vagas.

Guiaderoda

Gratuito e colaborativo, para consultar e avaliar a acessibilidade dos locais para todos (cadeirantes, pais com carrinhos de bebê, grávidas, idosos, pessoas que sofreram lesões e sem deficiência) em mais de 100 países. Em 2018, foi reconhecido pela União Internacional de Telecomunicações (ITU-ONU) como melhor aplicativo de acessibilidade das Américas.

Wheelmap

Colaborativo e disponível em mais de 20 idiomas, a versão mobile utiliza o GPS do dispositivo e mostra um mapa de acessibilidade de cadeira de rodas em locais públicos em várias cidades do mundo.

Giulia

Destinado a pessoas com deficiência auditiva, um dos recursos é identificar as frequências do som das buzinas de motos para alertar o usuário (por meio da vibração do smartphone preso ao pulso) e evitar atropelamentos.

* Fontes: Fundação Seade e Prefeitura do Município de São Paulo.

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