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Mobilidade para quê?

Pedal no Parque Bruno Covas

Trajeto de 8,2 km, na margem oeste do Rio Pinheiros, pode ser aproveitado por ciclistas de qualquer idade

4 minutos, 15 segundos de leitura

01/06/2022

Por: Rogério Viduedo

grupo de ciclismo
Ciclistas são maioria, mas corredores e pedestres também são bem-vindos na ciclovia. Foto: Rogério Viduedo

Situado à margem oeste do Rio Pinheiros, o Parque Linear Bruno Covas tem potencial de se tornar um dos melhores locais para pedalar na capital paulista. Em um sábado de sol de outono, pegar a bicicleta para passear pelo trecho de 8,2 quilômetros, a partir da Ponte Cidade Jardim até o Pomar Urbano, é surpreendentemente agradável. Nesse primeiro trajeto, que termina algumas dezenas de metros depois da Ponte João Dias, nota-se bem a evolução da despoluição das águas.

Facilmente, pode-se avistar grupos de aves aquáticas, tais como biguás, garças e mergulhões, que, pacientemente, aguardam a oportunidade de agarrar algum dos peixes que já voltaram a habitar aquele ambiente.

Por enquanto, a única direção a se tomar, a partir da Ponte Cidade Jardim, é o sul. O acesso é por uma escada de metal, localizada no passeio em cima da ponte, que, em geral, apresenta uma fila de ciclistas, levando bicicletas nas costas. Uma vez lá embaixo, pedala-se em direção ao prédio da Usina São Paulo, local em que se controla o nível da Represa Guarapiranga e que está sendo restaurado para abrigar um centro de cultura e de gastronomia.

Por ali, há um estacionamento de carros com entrada pela faixa da esquerda da pista da Marginal. 

Aberto 24 horas

O cicloativista Paulo Alves faz pausa para observar algumas aves que voltaram ao rio após o processo de despoluição. Foto: Rogério Viduedo

Diferentemente da Ciclovia São Paulo do outro lado do rio, no Parque Bruno Covas, são permitidas caminhadas e corridas a pé. O local é aberto 24 horas por dia e, durante o horário comercial, já estão funcionando quiosques com serviços de aluguel de bicicletas, venda de acessórios e alimentação. 

O cenário é de filme de ficção científica. O reflexo da água se confunde com a sequência de prédios envidraçados, e a vista é intercalada com a fileira de torres de alta tensão, de um lado, e com os pilares de concreto das obras do monotrilho, do outro.

Ao longo do caminho, ciclistas solitários ou em grupo vêm e vão. O espaço é compartilhado com crianças, que pedalam com os pais em triciclos ou em bicicletas infantis.

Próximo à Ponte Estaiada, está sendo instalado um centro de convivência, com quadras de areia, para prática de tênis ou vôlei, playgrounds e, no futuro, um mirante, em cima do rio, poderá ser usado para observar as águas mais de perto.

Segundo a Secretaria de Meio Ambiente paulista, o investimento no parque será de R$ 58 milhões e bancado por um consórcio de empresas. Em julho, espera-se a abertura do segundo trecho, na direção oeste. Serão mais 8,9 quilômetros até a Ponte do Jaguaré.

Quem vem da zona sul pode chegar ao parque por outros três acessos. Em cima da Ponte Laguna, há uma entrada por uma rampa em espiral e é servida por ciclovias desde o Parque Burle Marx, no lado oeste, e da Avenida Cecília Lottemberg, pelo lado leste. Poucos quilômetros à frente, existe uma passarela por baixo da Ponte João Dias.

Ela cruza o rio e, a partir de outra escada, leva até a ciclovia, do outro lado. De lá, pode-se chegar à estação de trem João Dias ou seguir para o sul até o Parque Guarapiranga. Outro acesso é pela ciclovia desde a Estação Santo Amaro, do Metrô. Cerca de 1 quilômetro separa um local do outro. 

Mais segurança

Ciclistas fazem fila para descer as bikes pela escada improvisada na Ponte Cidade Jardim. Foto: Rogério Viduedo

Morador do bairro Riviera Paulista e usuário da ciclovia por mais de uma década, o criador de conteúdo Paulo Alves, 37 anos, é integrante do coletivo Bike Zona Sul, e admite que a instalação da estrutura do parque tem sido benéfica a quem usa o local para a mobilidade, ainda que muita coisa possa ser melhorada, principalmente em relação à segurança pública.

“Aqui, embaixo da Ponte João Dias, por exemplo, toda semana recebíamos relato de roubo pelo canal. Agora, as últimas informações que temos é de que essas ocorrências migraram para fora dos limites do parque”, relata. De fato, desde o início das obras do parque, em junho de 2021, e com o avanço do projeto de revitalização do rio, é visível o aumento de policiais em bicicletas e motos.

Perguntamos à Secretaria de Segurança Pública se havia alguma estatística sobre a queda nas ocorrências no local, mas não houve resposta até o fechamento desta reportagem.

Outro ciclista que tem gostado das melhorias, mas também tem algumas ressalvas, é Vitor Alves, de 36 anos, morador no Campo Limpo. Ele faz o trajeto desde a Estação Santo Amaro, frequentemente, e também usa o local no período noturno, ainda que não esteja totalmente iluminado. “Ali, circulam animais silvestres e, sem querer, podemos acabar pisoteando um deles, no percurso”, alerta.

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