Mobilidade para quê?

“Power to the people”: o grito dos anos 60 continua a fazer sentido

Para Clemente Gauer, máquinas térmicas pertencem ao passado. E, mais uma vez, resta popularizar uma nova tecnologia

2 minutos, 56 segundos de leitura

14/07/2021

Por: Clemente Gauer

Clemente Gauer, engenheiro de sistemas e sócio da Abravei. Foto: Arquivo pessoal

“Os carros elétricos me fizeram repensar o que entendia como certo nos veículos a combustão. Quase completei uma volta ao mundo a bordo dos mais variados veículos e, agora, com os elétricos, tudo mudou. Não dependo mais dos combustíveis e a manutenção passou a ser extremamente simples. Tenho certeza, os elétricos pertencem ao presente. Explicarei. Os veículos amalgamam todo o espírito técnico de seu tempo, daí o prestígio como objeto de admiração e até coleção. O popular Ford T, do início do século 20, era mais rápido e conveniente que uma viagem a cavalo. Essencialmente, ele tinha muito de carroça. Das esguias rodas em madeira à primitiva suspensão, sem falar da sua carroceria – tudo levava ao espírito e à expectativa de sua época. Era comum que se desdenhasse desses ‘auto-móveis’…

Tão logo a luz elétrica passa a chegar às casas, ela também alcança os carros. Alguns totalmente elétricos movidos a bateria eram usados como veículos de entrega de leite na Grã-Bretanha, assim como os primeiros táxis de Nova York. A eletricidade foi incorporada aos carros auxiliando a partida de seus motores a combustão graças a uma bateria e um motor elétrico.

A partida elétrica popularizou os automóveis – presente nos Cadillacs já em 1912. Assim, qualquer pessoa poderia colocar a pesada máquina em marcha. Ao longo do século, pouco mudaria.

Os veículos permaneceriam fiéis a seu tempo. Para vencer grandes distâncias, maiores tanques. Para andar mais rápido, motores possantes. Para incomodar menos, maior silêncio e menores emissões. 

Tecnologia em evolução

Era inevitável, os computadores também se misturariam aos carros, assim como os motores a combustão se uniram às carroças e a eletricidade à sua partida. As antigas baterias de chumbo ou níquel passam a dar lugar às de lítio. Do rico ao pobre, quase todos, hoje, carregam poderosos computadores de bolso movidos a bateria de lítio: os smartphones.

Ora, por que um carro haveria de ser diferente?

Atualmente, graças às novas baterias, viajo em meu Chevrolet Bolt EV de São Paulo ao Rio de Janeiro sem recarga e com todo conforto e potência característicos de um veículo 100% elétrico. A história nos diz: as máquinas térmicas pertencem ao passado. Resta, mais uma vez, popularizar uma nova tecnologia.

Tranquilos quanto ao fato de podermos recarregar o carro em nosso estacionamento, o resto, salvo raras exceções, é história.

Começar o dia com ‘tanque’ cheio não será sonho, e sim a realidade de quase todos – na verdade, já é. Para cada uso, já há uma solução. Para quem roda pouco, basta uma tomada de 110 volts. Para os que rodam muito, as de 220 volts. Para o motorista que viaja além da autonomia de seu elétrico, a recarga ultrarrápida já é realidade na Região Sudeste.

O carro elétrico, finalmente, permitiu nos libertar da comercialização da energia em forma de combustíveis. Abastecemos com energia solar renovável, livre do humor da Opep ou da sazonalidade da cana. Sem falar da comum adulteração e periculosidade dos combustíveis. Deslocamentos quase de graça com sol ou a um quinto do valor, caso não se tenha acesso à maravilhosa energia solar.

Energia e poder a todos ou, se preferir, ‘power to the people’!”

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