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Meios de transporte

Programa estimula inovação no transporte público

O objetivo do Desafio do Coletivo é receber projetos que promovam
mudanças positivas na mobilidade urbana sustentável

Daniela Saragiotto

23/04/2020 - 4 minutos, 21 segundos


Quando falamos de inovação em mobilidade, é natural pensarmos, pelos diversos exemplos que já fazem parte do nosso cotidiano, em transporte particular. Mas e para o transporte público, usado massivamente pela população, há startups pensando em soluções para resolver seus inúmeros desafios?

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Foi para responder a essa pergunta e para fomentar um ciclo de inovação também nesse segmento que a Associação Nacional das Empresas
de Transportes Urbanos
(NTU) lançou, há um ano, o Desafio do Coletivo.

“Nosso objetivo é receber novos projetos que promovam mudanças positivas na mobilidade urbana sustentável. Lá atrás, quando lançamos o
desafio, sabíamos que havia empresas desenvolvendo melhorias para o
transporte coletivo, mas acabamos nos surpreendendo com o que
descobrimos”, conta André Dantas, diretor técnico da NTU.

Projetos criativos

Dantas diz que, na primeira edição, em 2019, foram inscritas 36 propostas,
ideias em diferentes estágios de desenvolvimento. “Eram projetos muito criativos, que cobriam várias frentes da mobilidade urbana coletiva. Entre
elas, recebemos algumas joias raras, como a ArejaBus, de Salvador (BA), e
a On.I-Bus, de Brasília (DF), duas empresas das seis finalistas”, explica ele.

Para este II Desafio do Coletivo, cujas inscrições estão abertas até 17 de maio, a expectativa é grande. “Estamos mais preparados que na primeira edição para divulgar e apoiar as startups. Nosso objetivo é encontrar os talentos e colocá-los em uma vitrine para que sejam conhecidos por todo o nosso ecossistema e, sobretudo, para que suas ideias sejam apoiadas e viabilizadas”, explica Dantas.

Não é à toa que os finalistas fazem suas apresentações no Seminário Nacional NTU, maior evento do ano da associação, que, neste ano, está programado para acontecer em agosto e que tem participação de empresas de ônibus, montadoras, laboratórios de inovação, empresários, entre outros
públicos.

Final do Desafio do Coletivo edição de 2019. Foto: Divulgação

“Estamos certos de que receberemos grandes ideias e que muitas delas vão nos ajudar com os desafios que a pandemia do coronavírus está impondo para toda a sociedade e para o nosso setor.

André Dantas, diretor técnico da NTU

O passo a passo do desafio

  • 1. As propostas de inovação inscritas devem estar em estágio mínimo de desenvolvimento, em forma de protótipo ou produto mínimo viável (MVP), por exemplo.
  • 2. Elas devem favorecer a mobilidade urbana coletiva, integrar o transporte por ônibus a outros modais ou apresentar soluções voltadas para a melhoria desse serviço no País.
  • 3. Os projetos serão avaliados na “peneira”, como é chamada a etapa eliminatória, sendo que apenas os escolhidos participam da seletiva, quando seis escolhidos vão para a apresentação final (pitch day) para investidores e empresários, em São Paulo, com custos arcados pela NTU.
  • 4. Os finalistas têm direito a um espaço dentro da feira do evento e poderão participar do Programa de pré-incubação do Hub Coletivo que apoia a fase de desenvolvimento dos projetos.
  • 5. O edital do II Desafio do Coletivo está disponível no site, assim como todos os seus detalhes, e as inscrições podem ser feitas pelo link. O site reúne também as datas de todas as etapas do programa.

Alguns destaques da primeira edição do Desafio do Coletivo

ArejaBus e On.I-Bus são startups finalistas do último desafio, cujas ideias estão em estágio mais avançado de desenvolvimento. A On.I-Bus, por
exemplo, vai começar a operar um módulo em Vitória (ES).

Alguns dos vencedores da primeira edição do Desafio do Coletivo, realizada em 2019: Leonardo Santiago (da ArejaBus), Simony César (da Nina Mobile) e Luiz Renato Mattos (da OnBoard Mobility), ao lado de André Dantas, diretor técnico da NTU (de camisa verde). Foto: Divulgação

ArejaBus

A ArejaBus, uma empresa de Salvador (BA) e uma das finalistas da primeira edição do Desafio, desenvolveu um sistema de ventilação que utiliza a própria movimentação do ônibus para promover conforto térmico aos usuários, além de melhorar a qualidade do ar.

Ele é formado por um dispositivo de exaustão, janelas venezianas de encaixar e um sistema embarcado que aciona exaustores motorizados quando o veículo está parado. “Seu custo é dez vezes inferior ao do ar-condicionado tradicional. A empresa está em fase de pré-incubação e o sistema já foi patenteado”, afirma o diretor técnico da NTU.

On.I-Bus

Desenvolvido por uma startup de Brasília (DF), trata-se de uma plataforma de mobilidade coletiva sob demanda. O passageiro escolhe os pontos de embarque/desembarque, dentre os que estão disponíveis, e o horário em que pretende utilizar o serviço, e recebe uma notificação da proximidade do veículo e do local indicado para embarque.

“Esse serviço faz muito sentido nos locais em que não possuem demanda suficiente para justificar uma linha de ônibus regular, por exemplo”, diz Dantas. De acordo com ele, a startup já está sendo apoiada por uma empresa de Vitória (ES) e, neste momento de enfrentamento ao coronavírus, está desenvolvendo um módulo voltado para as secretarias de Saúde da capital capixaba.

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