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Mobilidade para quê?

Trilhos de São Paulo e de nossos vizinhos latino-americanos

“O subsídio é fundamental para manter a operação, principalmente, pelos altos investimentos necessários em infraestrutura.”

3 minutos, 20 segundos de leitura

20/07/2022

Metrô de São Paulo tem 101 quilômetros de extensão. Pouco, em comparação às necessidades da população. Foto: Getty Images

Na capital paulista, o transporte sobre trilhos é um dos modais que permitem um melhor fluxo das pessoas em direção às regiões centrais e aos centros empresariais. Juntas, as linhas do Metrô e da CPTM já chegaram a registrar o recorde de transporte de 204 milhões de passageiros, na região metropolitana, em outubro de 2019 (antes da pandemia), com uma média diária de quase 6,6 milhões de embarques.

Em fevereiro de 2020, último mês antes das medidas de isolamento social, o sistema contabilizou 170,4 milhões de embarques (média de 5,8 milhões, por dia). Esses números mostram que grande parcela da população depende desse sistema para se locomover.        

Dependência que vem com diversos benefícios, como menor tempo de deslocamento, integração com outros modais, segurança e custo/benefício. Com esses diferenciais, é positiva a expansão dos trilhos para a mobilidade. Isso é percebido quando comparamos o atendimento dos trens e metrôs na capital paulista com outras grandes cidades do continente.

Em Bogotá (Colômbia), a opção pelo BRT (bus rapid transit), apesar de positiva, mostra gargalos e abriu espaço à necessidade de investir no transporte sobre trilhos. A primeira linha do metrô da cidade foi anunciada em 2019 e, neste ano, já foi anunciada uma segunda linha, que, juntas, terão cerca de 39 quilômetros (comparando, o metrô de São Paulo tem 101 quilômetros).

Na segunda maior cidade do país, Medelín, que se tornou um exemplo de mobilidade, o metrô, inaugurado em 1995, abriu caminho para uma estrutura abrangente e integrada com bondes, ônibus, bicicletas e até teleféricos, já que parte da população reside nos morros da cidade. Ao comparar com Medelín, porém, a capital paulista mostra que ainda há um caminho a percorrer em termos de integração dos sistemas.

200 estações na Cidade do México

Quanto aos nossos vizinhos argentinos, o metrô paulistano é considerado mais moderno que o subte (como o metrô é chamado por lá) de Buenos Aires, embora a gestão do transporte local venha investindo nos últimos anos para renovar a frota.

De todo modo, o metrô da capital argentina mostra um lado inovador do país, quando lembramos que lá foi inaugurada a primeira linha de metrô do nosso continente, em 1913, que se mantém como um meio fundamental para conectar os principais pontos da cidade. Na capital argentina, as melhorias do sistema vêm atraindo mais usuários, pois, de 2012 a 2019, a média de passageiros saltou de 936 mil para 1,38 milhão, atualmente.        

Entre os sistemas mais modernos da América Latina, citamos o metrô de Santiago (Chile), que tem sete linhas em cerca de 140 quilômetros de extensão, com 136 estações. No metrô chileno, os investimentos na expansão das linhas, anunciados ainda em 2013, devem chegar a US$ 11 bilhões até 2025. Já a Cidade do México tem 12 linhas de metrô e quase 200 estações, espalhadas em mais de 200 quilômetros de trilhos; comparado com São Paulo, a capital mexicana possui o dobro de extensão, em sua estrutura metroviária.        

Com esse ‘passeio’ pelos trilhos de algumas das principais cidades da América Latina, é possível perceber que a realidade, em São Paulo, tem avanços, mas há ainda espaço para melhorar e atender a população. Para evoluirmos, retomo algumas questões que tratei em artigo anterior. Em minha visão, isso passa pelo subsídio do transporte público e por medidas de longo prazo para tornar o sistema mais eficiente.

O subsídio é um ponto emergencial para manter a operação, principalmente, pelos altos investimentos necessários em infraestrutura. Sobre as medidas, há necessidade de uma gestão conjunta entre as cidades para incentivar o uso do sistema de forma integrada. São Paulo precisa de mais trilhos, assim como muitas outras cidades do Brasil.

Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do Estadão

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