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Meios de transporte

Vale a pena usar bicicletas alugadas para trabalhar como entregador?

Gastos com manutenção do equipamento deve ser computado por profissionais que pensam em alugar bicicleta para trabalhar

3 minutos, 4 segundos de leitura

25/11/2019

Por: Danielle Blaskievicz

Bicicletas Alugadas - Entregador de aplicativo pedalando em uma via pública
Nos últimos dois anos as ofertas de trabalho para entregadores cresceram significativamente. Foto: iStock

O bikeboy ou bike courrier – o entregador de encomendas ou de serviços delivery com modais como as bicicletas e os triciclos – nas cidades brasileiras não chega a ser uma novidade. A profissão é bastante antiga e parecia ameaçada de extinção graças à concorrência com os motoboys. 

Nos últimos dois anos, no entanto, as ofertas de trabalho para esse profissional cresceram significativamente e hoje ele tem papel importante na cadeia logística das empresas. A demanda é tanta que, em algumas localidades, é mais interessante trabalhar com bicicletas alugadas do que perder a oportunidade de trabalho.

Segundo o diretor e fundador do Instituto Aromeiazero, Murilo Casagrande, o retorno financeiro para quem pensa em alugar uma bicicleta para trabalhar como entregador precisa ser analisado individualmente. A resposta depende da forma como o profissional faz a manutenção do equipamento. 

Casagrande comenta que esse é um cálculo que poucos profissionais fazem. No entanto, alerta que é necessário reservar pelo menos R$ 50 mensais para a manutenção básica da bicicleta. Caso contrário, em pouco tempo ela estará inutilizada. Em outra conta, o diretor do instituto lembra que em muitas cidades é possível alugar uma bicicleta por uma mensalidade de R$ 20, como é o caso da Bike Itaú, que opera em cinco capitais brasileiras – São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA), Porto Alegre (RS) e Recife (PE).

Outras empresas de aluguel de bicicleta com atuação nacional informam apenas o valor da locação por período, mas o valor médio da hora é de R$ 15. A Yellow Bike, que está em 15 cidades, afirma não ter um levantamento do perfil dos usuários. Também não divulga o número de viagens, por razões estratégicas. Mas a empresa, dona das marcas Grin e Yellow, informa que desde o início das operações na capital paulista, em 2018, o número de corridas de bikes na cidade cresceu 13% ao mês.

Vagas para entregadores aumentam

O Instituto Aromeiazero tem como proposta utilizar as bicicletas como ferramenta de promoção social e de melhoria de qualidade de vida para as pessoas. Em parceria com instituições públicas e privadas, o instituto realiza o Viver de Bike, um curso para quem quer usar a bicicleta como oportunidade de trabalhar e empreender. Aqueles que concluem as aulas práticas e teóricas – 60 horas de aula que incluem planejamento de negócios, empreendedorismo e formação em mecânica de bicicleta – ganham sua própria bicicleta “como diploma”.

O aumento de vagas para bike courrier está diretamente relacionado ao crescimento do comércio eletrônico no Brasil. E isso em todos os setores econômicos, não apenas no delivery de comida. Este ano, o faturamento global das empresas que atuam com e-commerce no Brasil deve ultrapassar R$ 61 bilhões, crescimento 12% superior ao ano passado, de acordo com as estimativas da Ebit/Nielsen. 

No entanto, um dos pontos críticos do e-commerce é a cadeia logística. De acordo com a pesquisa Logística no E-commerce Brasileiro, da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm) em parceria com a ComSchool, o frete permanece como o maior responsável pelos custos logísticos, com participação de 65,9%. 

E a melhor forma de reduzir essas despesas é investindo em modais rápidos e de baixo custo, principalmente nos centros urbanos, onde o trânsito é um dos desafios para a entrega no prazo. É nesses locais que o entregador de bicicleta chega mais rápido do que o carro ou o caminhão e custa menos do que o motoboy. Além de não representar impacto ambiental ao já poluído centro urbano.

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