Mobilidade para quê?

Vantagens do transporte sob demanda

A mobilidade urbana vai mudar mais na próxima década do que no último século

3 minutos, 36 segundos de leitura

05/05/2021

transporte
Foto: Getty Images

Uma frase recorrente de quem trabalha com transporte público é que ‘a mobilidade vai mudar mais nos próximos dez anos do que mudou no último século’. Quando olhamos para o que aconteceu com táxis e similares após a chegada dos serviços de ride haling, os aplicativos de carona, não é difícil imaginar. A transformação do transporte urbano como um todo passará por um caminho parecido. E terá impacto para além dos próximos dez anos.

Um dos fios condutores dessa mudança será o transporte coletivo sob demanda, algo que já é realidade em algumas poucas cidades do País, mas ainda longe da escala que podemos alcançar. Para quem ainda não conhece, o transporte coletivo sob demanda funciona de uma maneira muito parecida com os serviços de ride halings: o passageiro solicita a sua viagem por meio de um aplicativo; o veículo chega no horário indicado; assim como nos apps de carona, é possível acompanhar a localização em tempo real; e também agendar a viagem com antecedência. O trajeto tem grande flexibilidade. O pagamento é feito pelo app, poupando tempo e ganhando praticidade – e sem troca de dinheiro, algo importante em tempos de coronavírus.

Serviço porta a porta

Há vantagens para todos os envolvidos no processo. Para os passageiros, além da praticidade de um serviço quase porta a porta, a viagem sai bem mais em conta que os aplicativos de carona, tempo de viagem menor e conforto maior. Para o operador, é uma maneira de poupar recursos, já que os veículos só rodam quando há demanda, o que é muito útil para bairros com pedidos sazonais e não é necessário ir a um bairro ou região em que não haja chamadas. É também uma maneira de atrair mais passageiros para das linhas fixas ou alimentar estações de troncais, trens e metrôs – um operador parceiro do Moovit na Austrália quadruplicou seu número de passageiros nos serviços sob demanda em dois meses. E, para o Poder Público, é uma maneira de reduzir o impacto do número de carros nas ruas, sem excluir moradores das redes de transporte.

Importante lembrar também de possíveis variações, como serviços de shuttle sob demanda para grandes empresas ou universidades ou, ainda, serviços com veículos adaptados para pessoas com mobilidade reduzida, conhecidos no exterior como paratransit.

Veículos autônomos

Pensando na mobilidade para os próximos 100 anos, é importante pontuar que os serviços de transporte sob demanda abrem uma importante frente para os veículos autônomos. É uma discussão que ainda não ganhou tração no Brasil, mas algumas cidades europeias e asiáticas terão frotas de robô-táxi, já a partir do ano que vem, que funcionarão de uma forma muito próxima do transporte sob demanda: chamada de veículo por app, rotas flexíveis para que o passageiro chegue mais rápido e um serviço contínuo e adaptável.

Sim, parece uma visão distante, mas nem tanto. Ainda que olhemos para o futuro, estamos no presente, e alguns obstáculos têm que ser superados para chegar lá. Do ponto de vista legal, ainda faltam arcabouços jurídicos para alguns aspectos do transporte sob demanda – e, mais ainda, para veículos autônomos. Legisladores, Poder Público e sociedade precisam se engajar na discussão sobre a mobilidade do futuro próximo, antes que esse futuro chegue e não estejamos preparados.

Há ainda gente importante no setor que vê esse desenvolvimento de novas tecnologias e novas formas de mobilidade como competição, e não como oportunidade. A mudança virá intensa e, em breve, então, devemos nos planejar para fazer parte dela.

A frase faz sentido: a mobilidade urbana vai mudar mais na próxima década do que no último século. No entanto, algo seguirá da mesma maneira: transporte público é para todo mundo, para levar todos aos seus locais de trabalho, de estudo, etc. e deve ser inclusivo. O transporte coletivo sob demanda é uma maneira de levar benefícios a mais passageiros e, consequentemente, trazendo mais receita ao operador e reduzindo o impacto no trânsito das cidades.”

Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do Estadão

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