Mobilidade para quê?

Vitória com toque de mestres

Por trás do sucesso na última prova, muita história

3 minutos, 12 segundos de leitura

14/07/2021

Por: Alan Magalhães

Vitória com toque de mestre
Andreas Mattheis, Thiago Camilo e Mauro Vogel, velhos amigos e novas vitórias. Foto: Carsten Horst

O final de semana passado foi marcado por mais um show de competitividade e emoção na Stock Car Pro Series. Dessa vez, o palco foi o desafiador Autódromo Zilmar Beux, em Cascavel, oeste do Paraná, o mais rápido do calendário, devido a suas curvas de alta velocidade, incluindo o mítico “bacião”. Para ter uma ideia, a volta que garantiu a pole position do paulista Thiago Camilo registrou a média de 176,9 km/h. Essa foi a 26ª pole de Camilo na Stock Car, considerado um dos mais completos pilotos da categoria.

Mas há um ingrediente a mais nesse resultado, que nem sempre é percebido. Na prova do ano passado em Cascavel, Camilo também marcou a pole position e venceu a corrida, como repetiu no último final de semana. Com 30 carros dentro do mesmo segundo, no primeiro qualificatório, fica claro que a pole é um resultado sensacional numa pista curta como a de Cascavel, que tende a aproximar ainda mais os tempos obtidos.

Retaguarda de peso

Com equilíbrio e competitividade tão grandes, um mínimo detalhe faz toda a diferença. Chassis, motores, pneus, amortecedores, molas, enfim, mecanicamente, todos os carros são idênticos.

Portanto, de onde tirar estes últimos detalhes? Claro que ter um excelente piloto é importante, e a maioria deles o é na categoria. Quem sobra? Os chefes de equipe.

Um dos movimentos mais expressivos entre as equipes, num passado recente, foi a junção da A. Mattheis com a Vogel Motorsport. O que poderia parecer apenas uma fusão de estruturas vai muito além disso. Mauro Vogel é o que, comumente, se chama de “garagista” na Fórmula 1, aquele chefe de equipe raiz, que nem engenheiro é, mas aprendeu a acertar um carro de corrida usando seus aguçados sentidos, em detrimento de sensores e computadores.

Mauro é uma verdadeira lenda no automobilismo brasileiro, aparecendo, nacionalmente, na Equipe Petrópolis, comandada por Wulf Seikel, primo de Andreas, nos anos 80. Pilotar para a equipe era praticamente a certeza de vitórias, e elas vieram em grande número nos torneios de Marcas, Fórmula Ford, Fórmula Chevrolet e Fórmula 3.

De poucas palavras, Mauro Vogel ganhou muitas corridas e títulos, e vários deles foram com Andreas Mattheis como piloto. Com sede em Petrópolis, município serrano do Rio de Janeiro, a A. Mattheis estreou, na Stock Car, em 1994. Vogel chegou em 2001, com uma estrutura pequena, de apenas um carro, pilotado pelo carioca Duda Pamplona. A A. Mattheis venceu seu primeiro campeonato em 2005.

A Vogel Motorsport se fortaleceu a partir de 2004, quando se associou ao ex-piloto de Fórmula Indy Gualter Salles, alinhando dois carros naquela temporada, para o novato Thiago Camilo e seu companheiro André Bragantini Jr.

Casamento perfeito

Com estrutura digna das melhores equipes do País, a rebatizada A. Mattheis Vogel prepara dois carros este ano, o Chevrolet Cruze de Guga Lima e o do vice-líder da tabela, Gabriel Casagrande.

Sob a mesma estrutura, agora rebatizada de Ipiranga Racing, são preparados os Toyota Corolla do gaúcho César Ramos e de Thiago Camilo, que reencontra Vogel: “Ter o Mauro por perto é, além de tudo, um enorme prazer, pois aprendi muito com ele e aprendo até hoje. Os cinco títulos do Andreas na Stock Car falam por si. Portanto, temos ótimas ferramentas para brigarmos pelo campeonato”.

Depois das duas corridas de Cascavel, Camilo subiu para a oitava colocação na tabela e César Ramos se manteve em terceiro. Casagrande está vivo também na briga pelo campeonato, mantendo a vice-liderança, a apenas 4 pontos do líder, Daniel Serra. Com a experiência prática de Mauro Vogel e a técnica aplicada de Andreas Mattheis, Petrópolis, que, por muito tempo, foi a capital da Stock Car, tem tudo para alcançar novos triunfos.

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