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85% dos paulistanos veem aumento na violência contra a mulher

Em novo recorte da pesquisa Viver em São Paulo, população opina sobre violência doméstica e familiar. O estudo é da Rede Nossa São Paulo em parceria com o Ipec

2 minutos, 35 segundos de leitura

03/03/2022

Por: Nataly Simões

85% dos paulistanos perceberam aumento na violência contra a mulher em 2021. Imagem ilustrativa: Adobe Stock

Quase todos os moradores de São Paulo — 85% da população — acreditam que a violência doméstica e familiar contra as mulheres aumentou em 2021. As informações são da 5ª edição da pesquisa Viver em São Paulo: Mulheres, apresentada na quinta, 3 de março, pela Rede Nossa São Paulo. O levantamento foi feito em parceria com o Inteligência em Pesquisa e Consultoria Estratégica (Ipec).

Percepção de aumento da violência por região da cidade
Norte: 89%
Sul: 88% 
Leste: 82%
Oeste 81%
Centro 79%

Para Keli Rodrigues, coordenadora da Casa Viviane dos Santos — um centro de referência no atendimento especializado a mulheres vítimas de violência, em Guaianases —, os dados refletem a realidade. “Durante a pandemia, embora os movimentos sociais e feministas tenham alertado o poder público de que o espaço doméstico poderia ser mais perigoso e letal, considerando o isolamento social, nenhuma medida efetiva foi tomada para diminuir os riscos”, afirma.

26% dos jovens de até 24 anos vivenciaram casos de violência doméstica envolvendo parentes próximos

“As mulheres que moram longe do centro são as mais atingidas por esses e todos os outros crimes. Na periferia, há muita dificuldade de acesso a políticas públicas, que precisam ser fortalecidas para garantir os direitos da população, mas são sucateadas”, acrescenta Keli.

Presenciaram ou ouviram falar de violência contra amigas ou conhecidas
34% do total de entrevistados
37% das pessoas pretas e pardas 
30% das pessoas brancas

Aumentar a pena é uma solução?

Para combater a violência contra a mulher, como prioridade, 53% dos paulistanos ouvidos na pesquisa (53%) querem penas mais duras aos criminosos. A demanda é sete pontos percentuais maior entre as mulheres (56%) do que entre os homens (49%).

Keli Rodrigues acha que aumentar pena na tentativa de diminuir a violência é uma resposta de sociedade punitivista. Para ela, esse não é o melhor caminho. “É falsa a ideia de que quem comete algum crime não é punido. O Brasil tem uma das maiores populações carcerárias do mundo e, desde 2015, temos a tipificação do feminicídio como crime hediondo, aumentando a pena. Prender mais não resolve o problema, o que falta é investimento em políticas públicas”, defende.

A ampliação dos serviços de proteção à mulher é citada por 36% dos entrevistados como medida importante no combate à violência

De acordo com a Prefeitura de São Paulo, uma das políticas desenvolvidas pela Secretaria Municipal de Assistência Social é justamente o trabalho dos Centros de Defesa e de Convivência da Mulher, que prestam serviços de atendimento social, psicológico, orientação e encaminhamento jurídico para mulheres em situação de violência doméstica e de vulnerabilidade social.

Para a elaboração da pesquisa, a Rede Nossa São Paulo entrevistou 800 pessoas entre homens (45%) e mulheres (55%) a partir de 16 anos de idade e que moram na capital paulista. Os questionários foram feitos entre os dias 4 e 28 de dezembro de 2021. Com intervalo de confiança de 95%, a margem de erro estimada é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos sobre os resultados totais.

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