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Afrolab Moda seleciona designers de joias negros e indígenas

Programa do Instituto C&A e do PretaHub oferece mentoria aos participantes

3 minutos, 18 segundos de leitura

10/05/2022

Por: Nataly Simões

Adriana Barbosa é CEO da PretaHub e presidente da Feira Preta. Foto: Arthur Nobre/Divulgação

Afrolab Moda é um programa do Instituto C&A, organização ligada à varejista de moda, e da PretaHub – núcleo de criatividade, inventividade e tendências pretas –, que se uniram para impulsionar empreendedores negros e indígenas da moda. A iniciativa vai selecionar 12 marcas de joias, semijoias e bijuterias de todo o País para um processo de capacitação. Ao fim, quatro designers serão escolhidos para desenvolver uma coleção inédita com a varejista de moda.

QUEM PODE PARTICIPAR DO AFROLAB MODA

Empreendedores autodeclarados negros e indígenas, com CNPJ ativo e que atuam nos segmentos de joias, semi joias e bijuterias, residentes de todo o território brasileiro, podem se inscrever até o dia 12 de maio no site oficial do Afrolab Moda by Instituto C&A

O mercado de joias acumulou alta de 20% na receita, com faturamento mundial de US$ 4,5 bilhões em 2021, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos (IBGM). Apesar do lucro alto, no Brasil esse mercado é excludente com profissionais não brancos.

Responsável pela PretaHub e presidente da Feira Preta, maior evento de fomento ao empreendedorismo negro da América Latina, Adriana Barbosa explica que o mercado de joias brasileiro foi construído a partir do conhecimento dos povos africanos, que na condição de escravizados trouxeram o legado da função de ourives.

“O trabalho de ourivesaria foi o ofício que concentrou o maior número de povos de origem negra”, diz Adriana. “Conhecimentos trazidos do continente africano, que tem mais de 50 países, aliados à alta demanda por joias e adornos, tornou lucrativo o aluguel de escravos que dominavam a arte da criação.”

As joias crioulas, por exemplo, ornamentavam pulsos, colos e orelhas de mulheres negras em estados como Bahia e Minas Gerais. Hoje, elas inspiram outras peças, embora não haja o devido reconhecimento. Por isso, Adriana destaca a importância do projeto financiado pelo Instituto C&A. “O projeto permite contarmos essas histórias de potência dos povos negros no design de joias, devolvendo a propriedade intelectual a eles. No mais, é importante fomentar a aproximação de designer de joias junto a grandes empresas, trazendo uma narrativa mais diversa para o mercado de consumo de bijuterias.”

Desenvolvimento e capacitação — Empreendedores autodeclarados negros e indígenas, com CNPJ ativo e que atuam nos segmentos de joias, semi joias e bijuterias, residentes de todo o território brasileiro, podem se inscrever até o dia 12 de maio no site oficial do Afrolab Moda by Instituto C&A.

Os 12 negócios selecionados passarão por um processo de desenvolvimento, capacitação e aprendizagem. Todos serão convidados a expor suas marcas e produtos na Feira Preta, em novembro, na cidade de São Paulo. Todos os custos de viagem, hospedagem e alimentação serão cobertos pela iniciativa.

O diretor executivo do Instituto C&A, Gustavo Narciso, explica que o processo terá duas etapas. “A primeira fase ocorre entre 13 a 17 de maio. Após este período, haverá uma imersão, em que iremos fornecer mentorias e auxiliar as [12] marcas para a participação na Feira Preta”, comenta. A segunda etapa, voltada aos quatro empreendedores que participarão da coleção inédita, começa em 23 de junho. Eles vão participar de um desafio para desenhar e produzir amostras de uma coleção cápsula de até quatro produtos baseados em uma das histórias apresentadas pelo instituto. O resultado será anunciado no dia seguinte e a previsão é que a coleção seja lançada em outubro.

“Ainda há diversos segmentos dentro da própria moda que podem ser explorados e sabemos que a inclusão produtiva de empreendedores negros, indígenas é mais desafiadora. Por isso, o objetivo não é oferecer apenas conteúdos teóricos de formação, mas também criar oportunidades para venda e acesso a um mercado de moda mais amplo”, conclui Gustavo Narciso.


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