Na Perifa

Escola de samba Cacique do Parque celebra o poeta Sérgio Vaz, da Cooperifa

Escola de samba Cacique do Parque celebra o poeta Sérgio Vaz, da Cooperifa

3 minutos, 4 segundos de leitura

20/04/2022

Por: Riviane Lucena, Embarque no Direito

'Fui um cara que demorou a gostar de viver, e a poesia foi o que me deu vontade' (Sérgio Vaz, poeta e fundador da Cooperifa). Foto: divulgação

Acostumado a declamar poesias autorais em palcos, escolas e saraus, o poeta Sérgio Vaz será celebrado neste carnaval pela escola samba Cacique do Parque, do Capão Redondo. O desfile será no domingo, 24 de abril, no Autódromo de Interlagos.

Fundador da Cooperativa Cultural da Periferia (Cooperifa) e um dos criadores do Sarau da Cooperifa, que ocorre todas as terças das 20h30 às 22h30 no bar do Zé Batidão, Vaz é fomentador de cultura e uma inspiração para muita gente. “Estou me achando”, brinca. “Qualquer pessoa que vem falar comigo eu falo ‘tá, mas você já tá sabendo que eu vou ser homenageado?’”

Feliz por representar artistas que nunca foram reconhecidos, o escritor afirma que vai levar esse espírito do coletivo para o desfile. Quem trabalha pela periferia, diz o poeta, não faz as coisas pensando no que vai receber em troca.

Fui um cara que demorou a gostar de viver, e a poesia foi o que me deu vontade (Sérgio Vaz, poeta e fundador da Cooperifa)

Trajetória do poeta — Aos 57 anos, Sérgio Vaz ajudou a criar em 2001 o Sarau da Cooperifa, uma referência entre os saraus na cidade de São Paulo. O movimento na cidade de Taboão da Serra, mas anos depois se mudou para o bar do Zé Batidão, onde está até hoje.

Morador de Taboão, periferia de São Paulo, Vaz é autor de oito livros e completa, em 2022, 34 anos de poesia. Já recebeu prêmios, como o Amigo do Livro, e apareceu entre os 100 brasileiros mais importantes do País em um ranking da revista Época, em 2009. Dá palestras dentro e fora do Brasil, a exemplo de lugares como México, Inglaterra e Alemanha.

Incansável e inquieto na promoção da literatura, da música, do teatro e das ações sociais, Sérgio Vaz participou da criação da Semana de Arte Moderna da Periferia, do festival Cinema na Laje, da Mostra Cultural Cooperifa e do prêmio Cooperifa, que reconhece pessoas e projetos de cultura e bem-estar social.

‘Faróis da periferia’ — Na Escola de Samba Cacique do Parque, um dos responsáveis pelo arranjo do samba enredo que celebra Sérgio Vaz é o jornalista e carnavalesco Bruno Laurato, de 27 anos. Laurato vive na periferia de Santo Amaro, zona sul de São Paulo. Desde que conheceu a Cacique do Parque e o Sarau da Cooperifa, ele quis unir o que ele chama de “dois faróis da cultura da periferia”.

Fundada em 2011, a agremiação tinha preparado a homenagem para 2021, mas os planos foram adiados devido à pandemia de covid-19.

A Periferia Poética de Sergio Vaz

Presidente da Escola de Samba Cacique do Parque: José Antônio (Tonhão)
Compositor: Raphael Fernandes Masilonis (Rapha)
Intérprete: Cayã Camargo (Caca)

Caciqueando em poesia em meio a flores de alvenaria
A inspiração…
Eis o alquimista de pés no chão
Entre becos e vielas o moleque sonha em ser herói da favela
O céu que emoldura sua volta no mundo da literatura.
O sol a brilhar reluzir em seu peito um quarto, um despejo…
a solidão vai na fé, meu nobre guerreiro
a força está no coração.
Mesmo amador nosso pivete nunca desistiu se apaixonou…
Entre andanças, um sonho vadio fazer da arte,
realidade contra toda desigualdade banquete de felicidade
memórias que desses becos
irradia a real negra magia
és orgulho da Periferia.
Vai ecoar o meu canto de paz
vem meu parque Santo Antônio
exaltando Sérgio Vaz


O jornalista Bruno Laurato é um dos organizadores da homenagem ao poeta Sérgio Vaz: ‘farol da cultura na periferia’. Foto: divulgação

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