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‘Mulheres são apagadas do hip-hop no Rio Grande do Sul’, diz Negra Jaque

Rapper de Porto Alegre usa a música para se manifestar, combater o preconceito e lutar por cultura e justiça social

2 minutos, 35 segundos de leitura

24/05/2022

Por: Andressa Marques

Negra Jaque: rapper e ativista de Porto Alegre usa a música para se manifestar, combater o preconceito e fomentar a justiça social. Foto: Renata/Estúdio Lotus/Divulgação

Artista, compositora, rapper, produtora cultural e professora: Jaqueline Trindade Pereira, a Negra Jaque, vive no Morro da Cruz, periferia de Porto Alegre. Ela cresceu em uma família que gosta de carnaval e samba e desde os 17 anos usa a arte e a voz como forma de manifesto e posicionamento. “Quando eu conheci a cultura hip-hop a fundo, comecei a escrever e a ser ativista”, diz.

Com 15 anos de carreira, ela expõe o apagamento ao qual as mulheres negras do hip-hop estão submetidas no Rio Grande do Sul. “Estou há 15 anos lutando contra a invisibilidade, contando nossas histórias, narrativas e artes”, afirma. “É extremamente cansativo porque esse estado nos adoece, não se pode executar somente a arte, tem que lutar e brigar para poder existir com ela.”

Negra Jaque é professora formada em Pedagogia e faz mestrado em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Foi a cultura hip-hop que a aproximou da pedagogia. Além de cantar, Jaque dá oficinas. “Existia uma autocobrança sobre a minha própria formação, porque se eu fosse entrar na sala de aula, tinha de entrar com a responsabilidade. É um espaço de formação de opinião e ampliação de mundo”, avalia. 

Mãe de Erick, que tem 14 anos, a artista conta que o menino acompanhava shows e gravações “desde a barriga” e que a maternidade tem grande influência em seu trabalho; o filho faz parte de sua história no hip-hop; é por ele que ela faz arte. Quando Erick era pequeno, a rede de apoio foi fundamental. “Eles ficavam com o meu filho em lugares em que não podia levá-lo, mas ele já viajou comigo várias vezes, então ele é um menino pobre, de comunidade, mas que já teve oportunidades que muitas crianças não têm”, diz Negra Jaque. “O Erick é a prova viva do que é ser feminista e criar um filho para o mundo.”

Desafios e projetos — Ainda que a cena hip-hop no Rio Grande do Sul seja grande e qualificada, as oportunidades não se comparam à realidade de São Paulo e do Rio de Janeiro. Negra Jaque aponta a falta de produção e de um interesse mais amplo da mídia, um olhar atento ao que acontece fora do eixo mais manjado, o Rio-São Paulo. Um dos projetos em que está envolvida é justamente o Tem Preto no Sul, que promove a visibilidade de artistas negros da região. 

Coordenadora da Casa do Hip-Hop, no Morro da Cruz, a rapper lidera um programa de oficinas culturais, grafite, dança e outras atividades socioeducativas. “O Galpão é um contraponto. Uma possibilidade de combater o ócio nas comunidades e ofertar outras coisas para as crianças”, diz. Ela também está à frente do Bloco das Pretas, que sai no carnaval de rua de Porto Alegre. “Assim como quase tudo é embranquecido no Rio Grande do Sul, no carnaval não seria diferente. Então, a ideia do bloco é trazer as mulheres negras para serem protagonistas do carnaval.”


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