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Pontos críticos para quem pedala na capital paulista

Auditoria realizada pela Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo (Ciclocidade), identificou pontos críticos para os ciclistas, inclusive na região central, onde há maior fluxo de pessoas pedalando. Conheça alguns deles

4 minutos, 55 segundos de leitura

03/08/2022

Por: Estadão Conteúdo

Ciclista na zona sul da cidade de São Paulo, em 3 de junho de 2022. Foto: KEVIN DAVID/A7 PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Com reportagem de Leon Ferrari, O Estado de S. Paulo

CONSOLAÇÃO
A ciclofaixa da Rua da Consolação, na região central, teve um de seus trechos considerados como um dos dez piores em 2018 – na auditoria deste ano, não houve ranqueamento. Hoje a via apresenta bom estado geral de manutenção, mas conforme a auditoria alguns trechos têm pintura precária e pavimento razoável.

O músico Richard Meteairon, de 36 anos, que mora na região há dez anos, começou a andar de bike na pandemia ao perceber as requalificações e expansão da malha. “Cada dia está melhor”, fala. “Mas às vezes a manutenção demora para acontecer, aí surgem buracos.”

A assistente jurídica Josy Alves, de 41 anos, conta que no trajeto iniciado no Tatuapé, bairro da zona leste onde mora, a Consolação é o “melhor trajeto” que fez. “Mesmo porque tem duas faixas, uma só para subir e outra só para descer.” Porém, acha que a estrutura deixa a desejar na sinalização. Pedalando há cinco anos, ela conta que, mesmo em ciclofaixas, não se sente segura. “Porque os pedestres, os motoqueiros, ninguém respeita.”

Mesmo com a ciclofaixa, não é incomum ver pessoas que prefiram pedalar nas calçadas. Entre elas o desenvolvedor Glau Rossi, de 32 anos, que explica que sempre prefere pedalar na calçada ou mesmo no asfalto, pois é “mais prático”. “Tem mais espaço.”

CAMBUCI
A pintura da ciclofaixa da Rua Teodureto Souto, no Cambuci, também na região central, há poucos sinais de que antes era pintada de vermelho. Ela é uma das vias consideradas precárias, que deixa a desejar também nos quesitos proteção, pavimento e sinalização, e precisa de manutenção urgente.

Davi Fagundes, 22 anos, que mora e trabalha no Cambuci, conta que, quando quer dar um passeio de bicicleta prefere ir até a Avenida Paulista. “Olha a situação disso aqui (e aponta para a ciclofaixa), tudo ruim, o asfalto cheio de ondulação.” Ele também destaca que a “rua é muito perigosa”. “Os carros descem ‘bolados’.”

Amanda Xavier, 25 anos, conta que é raro ver ciclistas passando por ali. “Não é usada, tanto que você vê os carros estacionados aqui na frente.” Em uma área de cerca de 400 metros, a reportagem contou ao menos um carro e três motos sobre a ciclofaixa. Amanda afirma que, na Teodureto, a CET fiscaliza com frequência o uso indevido. “Quando as sirenes disparam, a pessoa capta que está errada e retira.”

VILA ANGLO BRASILEIRA
A ciclorrota da Rua Ministro Sinésio Rocha, na Vila Anglo Brasileira, é outra que carece de manutenção urgente, segundo a auditoria. Além da sinalização, são evidentes os desníveis, rachaduras e alguns buracos no asfalto. Conforme definição da CET, são vias sinalizadas que interligam pontos de interesse (ciclovias e ciclofaixas). Na prática, indicam que veículos e bicicletas usam o mesmo espaço. Nelas, a velocidade da via é reduzida para garantir a segurança dos ciclistas.

Dentre os moradores, é difícil encontrar algum que entenda o que são os pictogramas desenhados no asfalto. “Não vou mentir, não entendi muito bem essa marcação”, conta Cesar dos Santos, de 21 anos, que trabalha há três anos na Rua Estêvão Barbosa, que faz parte da ciclorrota.

Ele costuma pedalar de casa para o trabalho todos os dias. Entre a Avenida Eliseu de Almeida e a Rua Doutor Alberto Seabra tem ciclofaixas a seu dispor, mas, no resto do trajeto, não. Na região da Estêvão Barbosa, não sente tanta diferença. “Aqui para dentro tem menos movimento de carro.” Mas gostaria que houvesse estruturas para ciclismo na Avenida Pompeia e na Rua Heitor Penteado.

O skatista profissional Douglas Fabricio Carvalho, de 35 anos, também se sente seguro para pedalar por ali. “É um bairro bem tranquilo (para andar de bicicleta)”, fala ele, que mora ali há dez anos.

O músico Dimitri Moreira, de 41 anos, concorda que não é um trecho de tensão, porém, preferia que fosse uma ciclovia. “A segurança de qualquer lugar que tem uma ciclovia, por pior que esteja, já aumenta muito. Você não fica disputando com carro.”

QUEIROZ FILHO
A confusão sobre a tipologia se repete na calçada compartilhada da Avenida Queiroz Filho, que também aparece como uma das estruturas que precisam de atenção urgente. Calçadas compartilhadas, conforme a CET, são espaços destinados prioritariamente aos pedestres, mas compartilhados com ciclistas. Elas são sinalizadas por sinalização vertical e horizontal, além do pictograma de pedestres e ciclistas pintados — que a reportagem não avistou durante o passeio.

O que diz a Prefeitura

A ciclofaixa do Cambuci e a ciclorrota da Vila Anglo Brasileira “serão priorizadas a partir da contratação da empresa para a manutenção das ciclovias”, diz a administração pública. A calçada compartilhada da Avenida Queiroz Filho, por sua vez, “será substituída pela estrutura cicloviária da Ponte Jaguaré/Queiroz Filho”, prevista nos 48 km que estão sendo executados.

Sobre os paraciclos — A Ciclocidade também mapeou os paraciclos [‘estacionamentos’ de bicicletas]. A cidade tem 2.599 estruturas, que somam mais de 5 mil vagas. A maior parte delas (2.449/4,9 mil vagas) tem formato “U invertido”. Foi identificada alta concentração dos equipamentos em alguns eixos principais, como o trajeto da Avenida Paulista até o Jabaquara, por exemplo. No relatório, a associação frisa a importância de implantação de novos paraciclos “onde há enormes vazios”. Em nota, a CET ressaltou que considera que “a implantação de bicicletários é importante para a cidade” e que a “Secretaria Municipal de Mobilidade e Trânsito vai continuar trabalhando pela instalação de mais estruturas”. No entanto, não falou de quantidade, nem em que locais pretendem disponibilizá-los.

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