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O futuro da mobilidade está na bike elétrica

Por: . 30/10/2020
Meios de Transporte

O futuro da mobilidade está na bike elétrica

A média de uso de cada bike elétrica compartilhada é de 15 vezes ao dia, além de percorrer distâncias 30% mais longas que as bikes convencionais

3 minutos, 9 segundos de leitura

30/10/2020

ilustração de bike elétrica
Foto: Getty Images

Desde o início da pandemia, começamos a perceber um movimento rápido e único no mundo em torno da mobilidade urbana. Poderes públicos traçaram planos para incentivar as bicicletas como meio de transporte para fomentar o afastamento social, além de o modal contribuir para questões de sustentabilidade, também bastante discutidas neste período. De acordo com o jornal inglês The Guardian, as vendas de bikes aumentaram em 60% durante a pandemia, sendo 50% só em bicicletas elétricas. A busca por ciclovias no Google Maps cresceu 69%, um recorde histórico. Outro recorde também é a procura por bicicletarias para conserto de bikes que estavam encostadas. 

Para elucidar este novo momento da mobilidade ativa e da tendência da bicicleta elétrica, vou usar aqui um estudo do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) sobre impacto social do uso da bicicleta em São Paulo. A bicicleta elétrica amplia a capacidade de distância e tem o potencial de suprir uma parte ainda maior dos deslocamentos feitos de carro, já que a média é de 8 quilômetros (contra 3 da bike tradicional), que representam mais de 70% dos deslocamentos feitos na cidade.

Mais economia, mais saúde

A vantagem, se comparada a do automóvel, é o tempo: enquanto um carro percorre esse trajeto em 45 minutos, a bicicleta elétrica finaliza o percurso em 34 minutos, mesmo considerando a ausência de espaços próprios para ciclistas. Em trajetos mais longos, a bicicleta elétrica pode ainda potencializar esses números se somadas à integração com o transporte público. O ex-motorista ainda teria benefícios financeiros claros: a bike elétrica ou não, própria ou compartilhada, custa uma fração dos mais de R$ 600 que os motoristas gastam, em média, todos os meses (sem somar os custos com estacionamento, que podem elevar bastante os gastos mensais). 

A saúde é outro fator que torna a bike elétrica o futuro da mobilidade. Cada vez mais pessoas estão buscando melhorar a qualidade de vida e os números levantados são um alento: enquanto a inatividade atinge 25% da população da cidade de São Paulo, entre os ciclistas o percentual é menor que 3%. Em relação aos benefícios da qualidade do ar, poderia haver ainda uma redução de 18% da emissão de CO2 se todos os trajetos feitos de carro e com potencial ciclável fossem realizados de bicicleta. 

Do lado da Tembici, somos muito otimistas com esse novo produto – lançamos, recentemente, no Rio de Janeiro, o maior projeto de bicicletas elétricas compartilhadas em sistema de estações fixas da América Latina. Outros projetos de compartilhamento de e-bikes apresentaram resultados impressionantes. Segundo as empresas operadoras locais, a média de uso de cada bicicleta elétrica compartilhada é de 15 vezes ao dia, além de percorrer distâncias 30% mais longas que as bikes convencionais.

Menos impostos

Eu diria que uma das mais importantes medidas para potencializar a adoção de bikes está relacionada a impostos. A indústria do automóvel recebe, há mais de 60 anos, subsídios de diversas formas, seja na infraestrutura como na construção de vias e pontes dedicadas ao modal. É difícil acreditar, mas, no Brasil, pagamos, percentualmente, muito mais imposto para comprar uma bike  do que um carro. A inserção das bicicletas nas ruas é um trabalho de longo prazo e não faltam dados e informações para fomentar a mudança de hábito das pessoas e termos cidades melhores. A bicicleta elétrica será uma grande aliada nessa conquista de espaço, ela é o modal de futuro. Já conquistamos muito até aqui e estamos ansiosos para um novo capítulo da mobilidade ativa, que já está acontecendo.

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