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Bike & Park

Saiba o que fazer para deixar sua bike em ordem

Manutenção preventiva é fundamental para garantir segurança do proprietário e dos demais ciclistas, que pedalam a trabalho, como meio de transporte ou de lazer

7 minutos, 50 segundos de leitura

13/04/2021

Por: Daniela Saragiotto

prevenção bikes
Cuidados simples podem fazer com que o equipamento dure por mais tempo. Foto: Getty Images

Ao produzir em torno de 4 milhões de bicicletas por ano, o Brasil vem registrando aumento no número de bikes nas vias públicas de forma mais acentuada desde o início da pandemia, em março de 2020. Hoje, estima-se que circulam pelas ruas, rodovias e avenidas do País cerca de 33,2 milhões de bikes, o que é equivalente a 16 bicicletas para cada 100 habitantes, de acordo com a Pesquisa de Orçamento Familiar, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). Os usos são variados: ferramenta de trabalho no caso dos cicloentregadores, meio de transporte, prática de atividade física ou mesmo para lazer. Em comum entre todos eles, há um aspecto fundamental que poucas pessoas prestam atenção: a importância da manutenção.

Medidas simples, como lavar o equipamento constantemente e lubrificar sua corrente, por exemplo, podem fazer com que sua bike dure por muito mais tempo, e o proprietário não tenha que gastar com a troca de sistemas inteiros. E, ainda mais importante, garantem a segurança de quem pretende continuar pedalando por aí por muito tempo. Da mesma forma, prestar atenção a ruídos anormais também ajuda na identificação de peças com desgaste. Para ajudar a fazer uma inspeção geral, evitando problemas no futuro, conversamos com Bruno Uehara, 33 anos, mecânico profissional com oficina no bairro de Pinheiros, Zona Oeste de São Paulo, e ciclista.
Argentino radicado no Brasil, Uehara é arquiteto, designer e ilustrador e, desde 2014, também mecânico de bikes. Estudou com renomados profissionais estrangeiros – como Koichi Yamaguchi, um dos mais conhecidos construtores de quadros do setor – e formou-se mecânico profissional na Park Tool, uma escola especializada. Em 2019, lançou o e-book Anatomia da Bicicleta, publicação que teve distribuição gratuita e fez sucesso entre ciclistas.A manutenção preventiva ainda não é um hábito para a maioria das pessoas que pedalam, infelizmente. Ela evita problemas sérios, além de sair bem mais barato aos usuários, explica. 

Bruno Uehara: “As pessoas têm o hábito de levar a bike para revisão apenas quando alguma peça quebra. O que poderia ser resolvido, antes, com um ajuste acaba virando um prejuízo grande”. Foto: Renan Bossi

5 passos simples para cuidar bem da sua bike

Dados de uma pesquisa da Aliança Bike comprovam o fato de que a manutenção preventiva ainda não é muito comum entre quem curte pedalar: os serviços mecânicos respondem por apenas 10% do faturamento dos estabelecimentos especializados no Brasil. Confira, a seguir, mais dicas do mecânico Bruno Uehara para cuidar bem da sua bike.

1 – Lave, sempre! 

Elas também precisam de banho, de preferência depois de cada uso. “Principalmente após passar por locais com muita poeira ou pegar chuva, pois a água carrega terra e areia, entre outros, e os detritos se acumulam nos sistemas”, diz Uehara. Toda essa sujeira se mistura à graxa da correntem, formando uma pasta abrasiva, como se fosse um esfoliante, que prejudica também coroas e pinhões, comprometendo as sapatas dos freios. “Para resolver, o ideal é lavar todo o sistema com um produto desengraxante e, quando a bike estiver limpa, aplicar um lubrificante na corrente”, explica.
Ele diz que dá para fazer esse processo até dentro de um apartamento. Para isso, é preciso apoiar a bike em uma parede, em cima de uma lona grande, e passar um pano com desengraxante. Levante as rodas traseiras e gire para trás o pedal e repita invertendo o movimento, aplicando o produto. No final, quando a bicicleta estiver limpa, passe um lubrificante na corrente. “A graxa da corrente nunca pode estar preta. Se estiver, é porque está muito suja e precisa ser lavada urgentemente”, ensina.

2 – Observe os freios

Se, ao apertar o manete do freio, ele estiver baixo ou quase encostar no guidão, algo está errado: o cabo pode ficar desregulado ou com as sapatas e pastilhas gastas. E o mesmo “sintoma” também ocorre nos freios hidráulicos, cada vez mais comuns, e precisam de ferramentas específicas para o conserto.
Também indica que o freio está com problema se ele estiver fazendo um ruído anormal, de metal arranhando. “Qualquer coisa fora do normal nos freios significa que ele precisa ser verificado rapidamente, por questão de segurança. E o barulho ‘metálico’ ocorre quando as pastilhas estão gastas e encostam uma na outra, espremendo a mola que existe entre elas”, comenta Uehara. Caso tenha dúvida, o melhor é procurar ajuda especializada.

3 – Cheque os pneus

Da mesma forma que acontece com os carros, os pneus de bikes trazem inscrições que indicam, de maneira geral, seu modelo, aro, além de possuir um marcador de desgaste, que varia de acordo com o modelo. “Às vezes, as pessoas nem notam que o pneu está murcho, mas andar dessa forma aumenta a possibilidade de furos, porque a superfície em contato com o solo é maior. E, também, pode danificar a câmera de ar ao bater em saliências do asfalto”, diz. Para checar a calibragem, suba na bike e aperte o pneu, que deve estar firme. Já para ver o desgaste, é preciso encontrar o marcador.
“Também é importante observar se a borracha ainda está em boas condições, pois, com o tempo, ela pode ressecar. Na dúvida, leve a uma revisão ou pergunte a um vendedor em uma loja especializada, que está mais acostumado”, afirma o especialista. E, por fim, é importante conferir se os pinos dos pneus estão fechando corretamente, pois são eles que garantem que o ar não irá escapar.

4 – Invista em manutenção preventiva

De acordo com o mecânico, não é possível estabelecer uma periodicidade para todas as bikes irem à revisão, por causa da frequência e intensidade de uso, que variam muito de acordo com cada usuário. “Mas dá para dizer que quem trabalha com o equipamento diariamente tem que fazer uma revisão geral no máximo a cada dois meses”, diz.
Além de dar segurança, o hábito previne problemas futuros. “Por exemplo, se a corrente está gasta e o ciclista rodar com ela mesmo assim, pode ser obrigado a trocar, além dessa peça, também as coroas e os pinhões, que também serão afetados. Às vezes, o conserto sai mais caro que o valor da própria bicicleta”, completa.

5 – Procure formas alternativas de manutenção

Pode pesar no bolso fazer revisões periódicas constantes, principalmente para quem as bikes são instrumento de trabalho, com uso muito frequente. Nesse caso, alivia muito seguir todas as recomendações anteriores, principalmente a lavagem do equipamento. “Também existe a opção de ir a oficinas comunitárias, como a do projeto Oficina Mão na Roda, no Centro Cultural São Paulo, que tem voluntários que consertam as bicicletas. Além dessa, algumas ciclovias contam com o SOS Bike (leia abaixo), um serviço que atende ciclistas gratuitamente e faz pequenos reparos.

SOS Bike faz socorro gratuito em SP e no RJ

Desde o início de 2020, quem pedala nas ciclovias de São Paulo e, mais recentemente, na orla das praias do Rio de Janeiro, conta com um serviço de reparo mecânico gratuito para bicicletas. Trata-se do SOS Bike, iniciativa da Seguros Sura com o Clube Santuu, que pode ser acionado sete dias por semana, nos horários de maior movimento nas ciclovias do eixo Parque Villa Lobos-Parque do Povo-Parque do Ibirapuera, com extensão para o trecho das avenidas Berrini e Hélio Pelegrino, em São Paulo. No Rio de Janeiro, ele funciona nas orlas do Leblon e de Copacabana e na vizinha Niterói.

Dos atendimentos, 60% são de reparo em bikes de entregadores. Foto: Divulgação SOS Bike

Desde o início da operação, foram 11 mil ciclistas atendidos em São Paulo, sendo que os reparos mais comuns são regulagem de freio e de câmbio (45% dos atendimentos), seguido de ajustes de selim, guidão e pedivela (30%), calibragem de pneus ou conserto de câmeras (20%) e a lubrificação de correntes (5%).
“O SOS Bike nasceu da ideia de incentivar a manutenção preventiva. Antes, trabalhávamos com bicicletários em condomínios e constatamos que as pessoas não têm esse hábito”, diz Rodrigo Del Claro, CEO da Suntuu. Segundo ele, a gratuidade vai continuar por tempo indeterminado. “O SOS Bike também é um serviço essencial aos novos usuários de bikes que temem ficar à mercê de panes mecânicas.” Ao mesmo tempo, ajuda ciclistas entregadores em sua rotina de trabalho. “Atualmente, 60% do público é formado por jovens que trabalham para aplicativos de delivery”, explica.
Para usar o SOS Bike, basta preencher um cadastro na página do Clube Santuu e solicitar, direto no navegador, os reparos. O socorro também pode ser pedido diretamente ao mecânico ou à mecânica, que ficam circulando pelas ciclovias e parques durante os horários de maior movimento.

Destaques numéricos

• 8.936 estabelecimentos no País fazem comércio varejista de bikes

• Desse total, os serviços mecânicos representam apenas 10% do faturamento médio. Outros itens dessa composição são venda de acessórios (20%), de bikes inteiras (50%) e de componentes (20%)

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