Voltar
Inovação

Infraestrutura para carros elétricos e híbridos cresce no País

Instalação de eletropostos nas cidades e nas estradas tem como objetivo aumentar a confiança de quem pretende comprar um veículo elétrico

Daniela Saragiotto

19/01/2021 - 7 minutos, 39 segundos


carro elétrico no Brasil
Posto de recarga que pertence ao Corredor Elétrico que liga as cidades do Rio de Janeiro e São Paulo. Foto: Rafael Gagliano | Divulgação EDP

Alguns dos questionamentos comuns de quem pretende comprar um carros elétricos ou híbrido dizem respeito à disponibilidade de pontos de recarga nas ruas e rodovias. Dá para viajar dentro do Brasil contando com eletropostos públicos? Existe o risco de ficar no meio do caminho? E, em um dia de trajetos longos dentro da cidade, é preciso voltar para casa para recarregar? Mesmo que algumas dessas dúvidas sejam motivadas pelo desconhecimento das pessoas sobre esses veículos, que possuem uma lógica diferente de uso, que, de maneira geral, já saem de casa “abastecidos”, é fato que a expansão da infraestrutura para estimular esse mercado precisa acontecer.

Leia mais:
GM revela “Factory Zero”, fábrica de Detroit que só produzirá elétricos
Carros elétricos: novidades para carregar e locar
Aplicativo localiza postos de recarga para elétricos

Mesmo ainda com pouca representatividade no total da frota brasileira, as vendas de veículos elétricos e híbridos têm crescido e batido recordes a cada ano. No fechamento de 2020, foram 19.745 unidades de carros elétricos e híbridos vendidas, o que representou aumento de 66,5% nos emplacamentos em relação a 2019, quando foram 11.858 unidades comercializadas. O segmento – que totaliza 42.269 unidades considerando elétricos e híbridos – acaba de alcançar a marca de 1% da nossa frota. “Mais uma vez, os eletrificados mostraram seu potencial, em nítido contraste com a evolução de todo o mercado”, disse Adalberto Maluf, presidente da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE).

Primeiros movimentos

Ao contrário de outros países, que estão mais avançados em infraestrutura para atender ao aumento da participação desses veículos em suas frotas, no Brasil, esse mercado ainda está se organizando. E essa é uma preocupação global: estimativas da Agência Internacional de Energia (IEA), que orienta políticas energéticas para seus 29 países membros, projetam que, se os carros elétricos atingirem uma fatia de 30% do mercado em 2030, serão necessários entre 14 milhões e 30 milhões de pontos de recarga no mundo para atender os consumidores. De acordo com a BNEF, considerada o braço de pesquisa em energia da Bloomberg, em 2018 o mundo contava com 600 mil pontos de recarga. 

Atualmente, o Brasil possui em torno de 500 pontos para carregamento em rodovias e locais públicos, como shoppings e postos de combustível, segundo o aplicativo da Tupinambá Energia, startup focada em infraestrutura para eletrificados. Assim como esse app, outros como o PlugShare ajudam os condutores mostrando a localização dos eletropontos. De acordo com Eduardo José de Sousa, diretor de infraestrutura da ABVE e CEO da Electric Mobility Brasil, muitos dos equipamentos disponíveis atualmente nas cidades e rodovias contaram com investimentos de montadoras. “Elas tiveram e ainda têm papel fundamental no nascimento desse mercado, investindo em carregadores para que tivessem argumento de vendas para os interessados nos veículos”, diz Sousa. 

Principais investimentos são provenientes do setor privado

Os últimos três anos foram importantes para a infraestrutura de mobilidade elétrica no Brasil, com o aumento no número de eletropostos públicos, instalados principalmente em rodovias. “A discussão que tínhamos até pouco tempo atrás era o que deveria vir primeiro: as vendas desses veículos ou a estrutura para recarga. Hoje, vemos que essas duas áreas terão que crescer em paralelo”, diz Eduardo José de Sousa, diretor de infraestrutura da ABVE e CEO da Electric Mobility Brasil. 

Ao analisarmos sob a perspectiva de uma linha do tempo, os investimentos se intensificaram a partir de 2018, começando pela inauguração, no mês de julho, do chamado Corredor da Via Dutra, com estações de recarga entre as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro. Implementado pela EDP, empresa que atua em todos os segmentos do setor elétrico, em parceria com a BMW Group Brasil, o trecho interligando as duas principais capitais brasileiras conta com seis estações de recarga ao longo dos 430 quilômetros de rodovia. O corredor recebeu investimentos de cerca de R$ 1 milhão para a instalação dos equipamentos de carregamento rápido, que estão localizados nos postos de combustível da rede Ipiranga. Apenas como parâmetro, de acordo com a EDP, o tempo estimado para o abastecimento nos eletropostos de um veículo com bateria de 22 kWh é de 25 minutos para 80% da carga, podendo ser feito simultaneamente por dois carros. Logo depois, a empresa também lançou o projeto Plug&Go, contemplando oito eletropostos no Estado de São Paulo, todos localizados nos postos da Rede Graal, e concluído em parceria com as fabricantes Audi, Porsche e Volkswagen. 

carros elétricos
Foto: Daumer de Giuli | Divulgação EDP

Investimentos no Paraná e Espírito Santo

Outra iniciativa relevante aconteceu em dezembro de 2018, com a abertura, pela Companhia Paranaense de Energia (Copel), da eletrovia no Estado que liga o Porto de Paranaguá até as Cataratas do Iguaçu, em Foz do Iguaçu, considerada a mais longa do País, com 730 quilômetros de extensão. A eletrovia conta com 11 eletropostos em toda a BR-277, localizados nas cidades de Paranaguá, Curitiba, Palmeira, Fernandes Pinheiro, Prudentópolis, Candói, Laranjeiras do Sul, Ibema, Cascavel, Matelândia e Foz do Iguaçu. Cada um dos equipamentos tem 50 kVA de potência, e três tipos de conector, próprios para atender aos modelos de carros elétricos ou híbridos disponíveis no País. As estações são todas de carga rápida e gratuita e o tempo estimado para carregamento de 80% da bateria varia entre 30 minutos e 1 hora, a depender do modelo do veículo. 

Em dezembro de 2019, foi a vez do Estado do Espírito Santo receber investimentos em eletromobilidade, feitos pela EDP, em parceria com a Federação das Indústrias do Estado do Espírito Santo (Findes). São sete pontos para recarga para carros elétricos, localizados nas cidades de São Mateus, Nova Venécia, Guarapari, Vitória, Venda Nova do Imigrante e Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Estado, e em Linhares, no Norte. A EDP afirma que o projeto recebeu investimentos de cerca de R$ 350 mil. Diferentemente dos pontos que interligam o Corredor da Via Dutra, que são de carregamento rápido, os do Espírito Santo operam no sistema de recarga semirrápida, o que, e de acordo com a empresa, leva-se 1h30 para carregar 100% da bateria.

Expansão

A EDP possui, hoje, 50 pontos de carregamento ativos no País e trabalha com a meta de triplicar essa quantidade até 2022. Em 2019, a empresa apresentou, em Chamada Pública da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), projetos em mobilidade elétrica, que representam, no total, investimentos de cerca de R$ 50 milhões, via Fundo de Pesquisa e Desenvolvimento, da Aneel, recursos próprios e de parceiros. O mais ambicioso projeto da empresa prevê a instalação de 30 pontos de carregamento ultrarrápido, que irão cobrir todo o Estado de São Paulo e conectar, futuramente, os principais corredores elétricos do País, interligando a capital paulista às cidades do Rio de Janeiro (RJ), Vitória (ES), Curitiba (PR) e Florianópolis (SC), formando um corredor com mais de 2.500 quilômetros de extensão. 

As empresas ABB, Electric Mobility Brasil e Siemens são as fornecedoras das soluções de carregamento e, de acordo com a EDP, trata-se do maior projeto da América do Sul de instalação de carregadores ultrarrápidos (150 kW e 350 kW), contando com investimento de R$ 32,9 milhões. O primeiro ponto começou a funcionar em outubro do ano passado e fica na cidade de Caraguatatuba, Litoral Norte do Estado de São Paulo, e outros dez estão previstos. Como são carregadores ultrarrápidos, o tempo médio de recarga é de aproximadamente 15 minutos para 100 quilômetros de autonomia.

Regulação e cobrança

A Resolução 819/2018, da Aneel, que regulamenta a recarga de carros elétricos por interessados na prestação desse serviço (como distribuidoras, postos de combustíveis, shopping centers, empreendedores, entre outros), permite a cobrança do serviço. Ela incentiva o desenvolvimento da infraestrutura à medida que reduz as incertezas para quem tem interesse em investir nesse setor. De acordo com a resolução, o valor cobrado pelas recargas deve ser definido pelas próprias empresas. “Essa questão demanda a criação de um modelo do ponto de vista fiscal e tributário. Por ora, o carregamento dos veículos em nossos eletropostos é totalmente gratuito. Queremos dar segurança para quem já possui um veículo elétrico, possibilitando uma rede cada vez mais ampla e confiável para recarga”, diz Nuno Pinto, head de mobilidade elétrica e negócios B2C da EDP no Brasil. 

• 19.745 unidades de elétricos e híbridos vendidos em 2020, aumento de 66,5% em relação a 2019

• 42.269 unidades de automóveis elétricos e híbridos fazem parte da frota brasileira, representando 1% do seu total

• 500 pontos de recarga em rodovias e locais públicos (estimativa)

Fontes: ABVE e Tupinambá Energia

Confira os tipos de recarga* e suas características

150 kW: de 10 a 15 minutos de carregamento 

50 kW: de 20 a 30 minutos de carregamento

22 kW: de 40 a 50 minutos de carregamento

7,4 kW: de 110 a 130 minutos de carregamento

* Para 100 quilômetros de autonomia

De 1 a 5, quanto esse artigo foi útil para você?
Quer uma navegação personalizada?
Cadastre-se aqui
0 Comentários

Você precisa estar logado para comentar.
Faça o login