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Previsibilidade é essencial para viabilizar produção local de veículos elétricos

Por: . 22/03/2023
Inovação

Previsibilidade é essencial para viabilizar produção local de veículos elétricos

Se o Brasil continuar utilizando e produzindo unicamente veículos a combustão, estará perdendo a oportunidade de se inserir nesse novo mundo da mobilidade elétrica

4 minutos, 8 segundos de leitura

22/03/2023

Avançar no desenvolvimento das tecnologias zero emissão é claramente a alternativa mais rápida e eficiente para neutralizar emissões do setor de transportes. Foto: Getty Images

Os impactos do aquecimento global estão cada vez mais intensos e presentes no cotidiano das populações em todo o planeta. Extremos climáticos são mais frequentes. Segundo especialistas em clima e com reforço das análises realizadas pelo comitê da ONU, a situação se agrava de forma acelerada e, mais do que nunca, é preciso senso de urgência e mobilização de todos os atores institucionais e sociais na tomada de ações efetivas de descarbonização do planeta.

Esse é um processo que gera enormes desafios, mas também muitas oportunidades. No caso da indústria automotiva, já há um consenso de que o caminho é o da convergência global no sentido da eletrificação.

Avançar no desenvolvimento das tecnologias zero emissão é claramente a alternativa mais rápida e eficiente para neutralizar emissões do setor de transporte. Isso está gerando uma das maiores ondas de investimento da história em tecnologias de baterias e veículos elétricos.

Esse movimento traz um universo de oportunidades ao Brasil. Sabemos que temos aqui condições únicas para transformar o País e a região em um importante polo de desenvolvimento e produção de tecnologias e de veículos elétricos. O Brasil e a América do Sul possuem algumas das maiores reservas de minerais que servem de matéria-prima para produção de bateria, um parque industrial preparado, engenharia qualificada e grande mercado consumidor em potencial.

Para realizar esse enorme potencial, é fundamental aquela palavra-chave no mundo dos negócios: previsibilidade. O Brasil precisa de uma política clara de descarbonização que fomente o desenvolvimento de tecnologias e a conversão do parque industrial local para a produção de veículos elétricos (EVs). Hoje, 84% da energia produzida, no Brasil, é limpa, vinda de fontes renováveis. Em cinco anos, este percentual será de 90%. Portanto, é evidente que o País tem vocação para o veículo 100% elétrico, que não emite nenhum gás poluente. Na Europa, Estados Unidos e China, as políticas públicas de estímulo à eletrificação têm alavancado de forma acelerada a adesão aos EVs.

Estímulo à adoção dos veículos elétricos

Existe uma discussão em curso no Brasil sobre os impostos para EVs. Atualmente, há isenção do imposto de importação para ajudar a fomentar a adoção dos EVs, já que eles oferecem muitas vantagens, em relação aos carros a combustão, desde o benefício ambiental, passando pelo impacto nos custos de saúde pública, com a redução dos poluentes, menor custo de operação e manutenção, até a própria experiência em dirigir, já que os esses veículos são mais potentes, mais fortes e mais tecnológicos.

Estabelecer um período adequado de redução dos impostos para os EVs é crucial para incentivar o consumidor a adotar a tecnologia, criando um mercado em escala que justifique, no futuro, a produção local. Pesquisa conduzida recentemente pela GM aponta que 86% dos consumidores têm interesse em adotar o veículo elétrico.

Países que possuem alto Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), como Noruega, Suécia e Holanda, são também os mais preparados para a mobilidade e já vêm, há algum tempo, tomando medidas expressivas para isso. Além do investimento em infraestrutura de recarga pública, há um esforço, por parte dos governos, para incentivar a compra de carros elétricos, como benefícios na hora de registrar o veículo, isenção de impostos e outros tipos de subsídio para a compra. Isso significa que esses mercados, em poucos anos, estarão totalmente focados na produção e compra de veículos elétricos.

Assim, se o Brasil continuar utilizando e produzindo unicamente veículos a combustão, estará perdendo a oportunidade de se inserir nesse novo mundo da mobilidade elétrica. Nossa população estará constrangida a usar uma tecnologia que, dentro de alguns anos, estará obsoleta e excluída do mercado global.

O Brasil é, hoje, um dos principais produtores de automóveis para exportação, dentro da América do Sul. O mais lógico seria atraírmos investimentos para a produção local de carros elétricos para aproveitarmos todo o know-how existente, aqui, e ocupar a capacidade ociosa do nosso moderno parque industrial. Isso vai gerar valor para as indústrias de mineração, energia e para toda a cadeia de fornecedores e distribuição envolvida no processo.

As vantagens aqui são exponenciais e, como evidenciamos, traduzidas em oportunidades para todos, gerando empregos e riqueza. Por tudo isso, a manutenção da alíquota zero para os carros elétricos é crucial. É o ponto de partida para a geração de um novo ciclo virtuoso para o comércio e para a indústria brasileira.

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Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do Estadão

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