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Meios de transporte

Carros elétricos sem impostos acabariam com a festa da Petrobras

Não devemos questionar o preço da gasolina, mas sim, uma política agressiva para os carros elétricos

2 minutos, 16 segundos de leitura

29/03/2022

Por: Fabrizio Gueratto

Apesar de os carros elétricos já contarem com isenção de IPI, os estados ainda cobram o ICMS e muitos o IPVA. Foto: Getty Images

As ações da Petrobras (PETR4 e PETR3) mais uma vez serão impactadas pela interferência do governo e quem paga a conta é o investidor. O presidente da estatal mais uma vez será trocado em um prazo de pouco menos de um ano. O motivo é sempre o mesmo. Nenhum governo quer ver o preço do combustível nas alturas. Isso é facilmente percebido no bolso da população e impacta diretamente a inflação, sem contar o risco de uma greve dos caminhoneiros.

Muitos questionam o fato do Brasil produzir petróleo suficiente para atender a demanda nacional e, por isso, o preço da gasolina e do óleo diesel deveria ser mais barato. Primeiramente, é preciso entender um pouco do processo de produção. Para o óleo que é retirado do mar virar combustível e outros derivados é preciso refiná-lo. O problema é que este material bruto não serve para as nossas 12 refinarias em operação. É preciso importar um petróleo mais fino de outros países para fazer a mistura, o que é chamado de blend. Por este motivo nós exportamos e importamos barris da commodity.

Somente por este motivo, seria impossível a Petrobras vender combustível mais barato. O preço do petróleo é composto por dois itens: valor do barril no mercado internacional e cotação do dólar, que é a moeda global que pareia todos os produtos negociados internacionalmente. Imagine que a Petrobras importe o barril por US$ 100,00, mas venda para os brasileiros por US$ 70,00. A diferença seria paga pelo governo, ou seja, com o dinheiro da população através dos impostos. Pois é, não existe almoço grátis.

Muito se fala sobre a privatização da Petrobras, mas o fato é que ela não será privatizada neste governo e provavelmente nem nos próximos. O maior golpe contra a Petrobras sem dúvida são os veículos elétricos. Apesar de já contarem com isenção de IPI, os estados ainda cobram o ICMS e muitos o IPVA. Na prática, o valor economizado com IPVA e combustível fóssil, compensaria o elevado custo. Um outro ponto para ser questionado diz respeito as montadoras brasileiras, que não têm pressa em acelerar a eletrificação. A Anfavea precisa ser ouvida nesse ponto. Se eu possuo um veículo elétrico que me faz economizar R$ 10 mil por ano entre IPVA e combustível, por exemplo, isso significa uma economia de R$ 100 mil a cada 10 anos, algo considerável.

Infelizmente é perda de tempo ficarmos surpresos com qualquer governo interferindo na Petrobras. Que presidente gostaria de ver a população revoltada na hora de abastecer o carro ou vendo os preços no supermercado explodirem?

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