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Embaixadores

Ricardo Leite

Ricardo Leite é diretor da BlaBlaCar no Brasil.

Meios de transporte

A carona compartilhada como protagonista das viagens no pós-pandemia

Se considerarmos os cuidados básicos, como uso de máscara e álcool gel, e a limitação no número de pessoas no veículo, o automóvel é uma maneira sanitariamente segura de viajar

01/09/2020 - 2 minutos, 53 segundos


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O setor de transportes foi um dos mais atingidos pela crise da covid-19. Desde o fim de março, quando a ficha caiu no Brasil e a quarentena começou a ser implementada, a demanda (e a oferta) por viagens domésticas de ônibus e avião caiu em, pelo menos, 80%. A procura por voos internacionais, diante do fechamento de fronteiras, evaporou.

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Para piorar, um levantamento da Confederação Nacional do Transporte (CNT) indica que 65% das empresas do segmento tiveram queda de faturamento em maio, em relação a abril, e 61% em junho, em relação a maio, indicando uma intensificação da crise.

Na BlaBlaCar, aplicativo líder global e nacional em caronas intermunicipais, com mais de 7 milhões de usuários no Brasil, não foi muito diferente, com diminuição de cerca de 50% na oferta de caronas

A queda menor que a do mercado é explicada por dois fatores principais. Primeiro: os condutores oferecem caronas nas viagens que fariam de qualquer maneira, com ou sem passageiros, com o objetivo de dividir custos. Como muitos continuam tendo que viajar, é natural que a carona seja mais resiliente.

Segundo: a plataforma vinha em expansão, dobrando em relação a 2019 até fevereiro. É como uma bola de neve descendo a montanha: aplicar energia no sentido contrário pode até diminuir sua velocidade, mas é muito difícil pará-la.

Tão importante quanto analisar o atual impacto da crise é inferir sobre sua influência futura. Nas viagens intermunicipais – assim como, por exemplo, as bicicletas no meio urbano –, a carona poderá se tornar uma das protagonistas do pós-pandemia.

Maneira segura de viajar

Diante do receio de contaminação no transporte público, os modos individuais de mobilidade serão favorecidos. Uma pesquisa da consultoria Ipsos na China mostrou que 66% dos entrevistados consideram comprar um carro nos próximos seis meses – versus 34% antes da pandemia. Destes, 77% alegam o temor de contaminação no transporte público como motivo.

Mas, se há uma preocupação sanitária, os condutores oferecerão caronas? Primeiramente, se considerarmos os cuidados básicos como uso de máscaras e álcool gel e limitação no número de pessoas no veículo, o automóvel é uma maneira sanitariamente segura de viajar.

Adicionalmente, vivemos também uma grave recessão, o que cria ainda mais incentivos para compartilhar os custos, ainda tão altos, de uma viagem de carro.

De fato, apenas 14% dos condutores mais ativos da BlaBlaCar dizem que, certamente, oferecerão menos caronas após a pandemia, e quase 150 mil pessoas se cadastram na plataforma por mês, mesmo no auge da crise.

O argumento econômico também se aplica aos passageiros, que irão procurar formas mais econômicas de deslocamento – caso da carona.

As caronas vão crescer mais rápido?

Seria leviano afirmar que tenho absoluta certeza, mas estou confiante de que as caronas crescerão em importância na matriz de transportes do Brasil, principalmente devido à economia proporcionada e às camadas de confiança e organização criadas pelos aplicativos, aproximando-as dos modais convencionais como ônibus e avião.

Independentemente disso, a carona é uma forma eficaz de mitigar o efeito negativo do crescimento de modos individuais de transporte, majoritariamente, dependentes de combustíveis fósseis, como o automóvel.

Dadas as metas de redução na emissão de gases causadores do efeito estufa, não seria responsável deixar vazios assentos do carro. Mas esse é assunto para um próximo artigo.

Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do Estadão

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