Mobilidade para quê?

“Anjos da guarda” eletrônicos ajudam cada vez mais os motoristas

Com objetivo de tornar o trânsito mais seguro, tecnologia vai ampliando suas possibilidades

4 minutos, 6 segundos de leitura

15/09/2021

Por: Hairton Ponciano Voz

Imagem da lateral do carro aparece no painel quando a seta do Hyundai Creta é acionada para qualquer lado, ajudando a eliminar o “ponto cego”. Foto: Divulgação Hyundai

Honda Sensing, Hyundai SmartSense, Toyota Safety Sense… Mais do que a semelhança nos nomes, os sistemas de auxílio ao motorista são parecidos, também, na forma como ajudam o condutor a dirigir com mais segurança. Pesquisas apontam que a maior causa de acidentes está relacionada a falhas humanas. Por isso, as montadoras vêm investindo em segurança ativa. Ou seja, em tecnologias que evitem acidentes.

Esses anjos da guarda eletrônicos não estão acessíveis a todos os automóveis, mas já não são exclusividade dos importados mais caros. Um exemplo recente é o novo Hyundai Creta, que estreia o pacote SmartSense.

Entre as novidades do SUV compacto produzido em Piracicaba (SP) está o auxiliar que informa se há algum carro, moto ou bicicleta oculto pelo “ponto cego” do veículo. As colunas laterais da carroceria podem atrapalhar a visualização de algo que esteja muito perto do carro, o que eleva o risco de acidentes em caso de mudança de faixa ou de conversão em uma transversal. No Creta, quando o motorista aciona a seta para um dos lados, a imagem daquela área é projetada no quadro de instrumentos. Não substitui os retrovisores, mas funciona como um auxílio complementar.

Na versão mais cara do SUV, o SmartSense inclui também o “kit” básico de ajuda, composto por controle de cruzeiro adaptativo (acompanha o ritmo do veículo da frente), frenagem automática (para veículos, pedestres, bicicletas e motos) e permanência em faixa. Esses sistemas contam com informações coletadas por uma câmera (no alto do para-brisa) e um radar (na grade frontal).

Além de evitar que o carro invada a faixa se o pisca não estiver acionado, sistemas mais desenvolvidos também procuram manter o veículo no centro da faixa. Ou seja: atuam antes de o carro invadir a faixa. No Hyundai, na ausência de pintura no chão, o modelo baseia-se no veículo da frente.

Afora isso, o SUV ativa os freios se detectar que o motorista pretende fazer uma conversão à esquerda (por meio do acionamento de pisca) enquanto um veículo se aproxima em sentido contrário. O pacote SmartSense traz ainda assistente de farol alto e detector de fadiga. O primeiro baixa o facho se detectar veículo na frente; o segundo sugere parada para um café se perceber reações lentas do motorista.

Monitoramento do condutor

O Volkswagen Taos tem frenagem automática para pedestres, mas
não oferece sistema de permanência em faixa de rodagem

Alguns detectores de fadiga são meros temporizadores, programados para sugerir paradas em períodos determinados, mas há dispositivos que realmente procuram detectar cansaço. No caso do Jeep Compass, o sistema coleta dados durante o início da condução, para estabelecer um comportamento que possa ser considerado padrão. Após 15 minutos, ele inicia uma comparação com os dados registrados. Caso constate desvio anormal, o sistema emite aviso visual e sonoro por um minuto ou até que o motorista pressione o botão “OK” no volante. O dispositivo funciona entre 60 km/h e 160 km/h.

Na categoria de SUVs médios, esses dispositivos equipam as versões mais caras de Jeep Compass, Volkswagen Taos e Toyota Corolla Cross. O Taos, porém, não dispõe de auxílio de permanência em faixa. Mas, como boa parte dos modelos da marca, traz sistema de frenagem automática pós-colisão. Ele trava as rodas depois do primeiro impacto para tentar evitar colisões subsequentes, que poderiam ocorrer com o veículo desgovernado, elevando a gravidade da ocorrência.

Ajuda não substitui o motorista

No Corolla Cross, o Toyota Safety Sense cumpre todas as funções básicas de auxílio, caso de controle de velocidade adaptativo, manutenção em faixa com correção de volante, auxiliar de farol alto e frenagem automática. Porém, como as concorrentes, a empresa adverte que a tecnologia ajuda, mas não substitui o motorista.

A montadora alerta para o fato de que o funcionamento dos sistemas pode ser afetado por “fatores externos”. Chuva, fumaça e neblina, por exemplo, podem interferir na leitura da câmera, da mesma forma como atrapalham a visão do motorista. Por essa razão, mesmo veículos mais caros (e que, ao menos teoricamente, têm maior capacidade de processamento dessas informações) lembram a todo instante que o motorista não está dispensado de suas funções. No novo Honda Accord, por exemplo, que traz o pacote Honda Sensing, um sinal no painel alerta o motorista sobre segurar o volante com as duas mãos se detectar que elas não estão onde deveriam estar. Pela lei, o motorista continua sendo o responsável pela condução do veículo e deve manter as mãos no volante.

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