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Mobilidade para quê?

Como as enchentes de SP prejudicam a mobilidade?

Aberturas de importantes vias da capital paulista foram realizadas às margens ou por cima de cursos d’água

28/02/2020 - 3 minutos, 36 segundos


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Não é de hoje que as chuvas de verão transformam o cenário paulistano. Em 1892, quando São Paulo tinha apenas 65 mil habitantes e o Viaduto do Chá era recém-inaugurado, Benedito Calixto, um dos maiores artistas brasileiros do século XX, pintou o quadro As enchentes da Várzea do Carmo,  impressionado com as cheias do rio Tamanduateí.

Com o crescimento da região, o fenômeno natural ganhou um impacto ainda maior. Atualmente, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estima que a população da cidade seja de mais de 12 milhões de pessoas vivendo na mesma topografia acidentada, recheada de cursos d’água.

Estação chuvosa

Não é de se assustar, portanto, que a mobilidade urbana entre em colapso todos os verões com as enchentes provocadas pela chuva abundante no período.

A prefeitura afirma que existem 287 rios, riachos e córregos que atravessam o município; uma estimativa do Projeto Rios e Ruas acrescenta que, além desses, há pelo menos, 300 cursos d’água nas imediações. A urbanização — que é crescente — e a pavimentação necessária para aberturas de ruas e avenidas tornam cada vez mais difícil que a água da chuva seja absorvida pelo solo.

O problema se concentra nas regiões mais baixas da cidade, justamente onde ficam os principais corredores de tráfego, construídos às margens ou sobre os cursos d’água.

Como as enchentes de São Paulo prejudicam a mobilidade urbana?
Foto: Shutterstock

A urbanização paulistana se deu nas proximidades de rios, com a construção de importantes avenidas às suas margens, como a Avenida do Estado, na beira do Tamanduateí, e das marginais Tietê e Pinheiros. Em alguns casos, os rios chegaram a ser encobertos para a criação de vias como Nove de Julho, Pacaembu, Bandeirantes, Roberto Marinho e Salim Farah Maluf.

Qual é o resultado disso?

Quando as chuvas de verão atingem São Paulo, a cidade para. E parece que os eventos extremos, em decorrência das mudanças climáticas, continuarão evidenciando o problema estrutural do município nos próximos anos. Em 2020, as precipitações na região bateram recorde, atingindo 200 milímetros em 10 dias. Foi o maior número para fevereiro em 37 anos, segundo dados Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

No pior dia das chuvas, 10 de fevereiro, o Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas da Prefeitura de São Paulo chegou a registrar 159 pontos de alagamento, sendo 101 intransitáveis.

Como as enchentes de São Paulo prejudicam a mobilidade urbana?
Foto: Shutterstock

O rio Pinheiros teve a maior alta dos últimos 15 anos, segundo o Departamento de Águas e Energia Elétrica. A Marginal Pinheiros somou oito pontos de alagamento, praticamente inviabilizando o tráfego pela via. Na Marginal Tietê, a situação foi ainda pior, e o Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas (CGE) registrou 16 locais em que a água impossibilitou a passagem de veículos.

Os dois terminais rodoviários mais movimentados da cidade, Tietê e Barra Funda, foram fechados por problemas com o transbordamento do rio. As linhas Diamante e Esmeralda da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) operaram parcialmente devido ao alagamento dos trilhos. Outras linhas de trem trabalharam em lentidão.

Apenas o sistema de metrô continuou a funcionar normalmente; mas como a maioria das estações é alimentada por linhas de ônibus e trem, o número de passageiros cai bastante durante os períodos de enchente.

Diversos projetos e tentativas de mitigar os efeitos foram em vão. A resposta do poder público mais efetiva frente a essas situações tem sido suspender o rodízio de veículos e recomendar que as pessoas não saiam de casa.

Cidade em caos

Em meio ao recorde de chuva na última segunda-feira (10), a Companhia de Engenharia e Tráfego (CET), que chegou a registrar 84 quilômetros de congestionamento no início da manhã, viu esse número cair pela metade, para 41 km, no fim da tarde, quando recomendou que os moradores não saíssem.

Com a cidade paralisada, empresas e repartições públicas deixaram de funcionar. A Secretaria Estadual de Educação de São Paulo suspendeu as aulas, o Tribunal de Justiça dispensou os funcionários do expediente e a Polícia Federal cancelou o atendimento ao público.

Fonte: Inmet, Prefeitura de São Paulo, IBGE, CGE e Agência Brasil

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