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34% das mortes no trânsito de Campinas ocorreram por excesso de velocidade

Por: Fellipe Gualberto, especial para o Mobilidade . Há 14 dias
Mobilidade para quê?

34% das mortes no trânsito de Campinas ocorreram por excesso de velocidade

Maior parte dos óbitos foi de motoristas do sexo masculino; saiba mais

4 minutos, 43 segundos de leitura

05/06/2024

Por: Fellipe Gualberto, especial para o Mobilidade

Campinas tem um plano para cortar pela metade o número de mortes em 10 anos. Foto: Divulgação/Adobe Stock

Na última terça (4 de junho) a prefeitura de Campinas lançou uma campanha de mídia de massa focada no risco do excesso de velocidade, o objetivo era conscientizar motoristas sobre o tema. Ao todo, os condutores estavam acima do limite de velocidade em 34% das mortes no trânsito que ocorrem na cidade no ano passado.

Diogo Lemos, coordenador executivo da Iniciativa Bloomberg para Segurança Viária Global, que atua em São Paulo e Campinas, enfatiza que “a campanha é focada nos motociclistas, que são as principais vítimas no trânsito da cidade”. Ao todo, 52 acidentes com vítimas fatais ocorreram por excesso de velocidade em Campinas em 2023. Destes, 34 vítimas eram motociclistas ou estavam na garupa.

“As pessoas precisam ser informadas sobre a gravidade desse comportamento de risco. Quais são as consequências para vítimas ou quais são as punições, caso ocorra algum sinistro grave”, enfatiza o especialista sobre o intuito da campanha.

Leia também: Novo Infosiga: sistema do Detran-SP amplia dados sobre segurança viária

Plano de Segurança Viária para Campinas

A Iniciativa Bloomberg firmou uma parceria com a prefeitura de Campinas em abril de 2022. Em fevereiro deste ano, a iniciativa apoiou o Plano de Segurança Viária para a cidade, que define a meta de cortar pela metade o número de mortes no trânsito em um prazo de 10 anos.

Diogo Lemos, detalha que o Plano de Segurança Viária prevê seis frentes de atuação. Essas são: Atendimento às Vítimas, Gestão e Coordenação, Mobilidade e Vias Seguras, Fiscalização, Dados e Evidências e Comunicação e Educação.

De acordo com Lemos, “a prefeitura de Campinas, nos últimos dois anos e meio, tem trabalhado na Avenida John Boyd Dunlop, a mais perigosa da cidade. Além disso, tem feito campanhas de massa em parceria com a Bloomberg, para divulgar mensagens baseadas em evidência e com foco em públicos alvos específicos e realizar várias ações de engenharia e sinalização”.

Na Avenida John Boyd Dunlop, foram feitas mudanças nas entradas de veículos nos pontos que mais ocorriam acidentes, a fiscalização aumentou e houve campanhas de comunicação, informando os motoristas que aquela área tem frequentes ultrapassagens do limite de velocidade.

Mortes em vias urbanas e mortes em rodovias

Vias urbanas e rodovias em Campinas receberam diferentes ações para evitar mortes. Foto: Divulgação/Adobe Stock

Das 159 pessoas que perderam a vida em acidentes em Campinas no ano passado, 79 morreram em vias urbanas e 80 em rodovias. Os números podem ser similares, mas as soluções para evitar sinistros em cada uma dessas áreas são distintas.

Em vias urbanas, Lemos relata transformações de engenharia que ocorreram na área central da cidade. “Eu cito como exemplo os entornos da praça Delfino Cintra, que receberam uma série de avanços de calçada mudanças no raio de curvatura e aumento do número de travessias de pedestre adequando as linhas de desejo, ou seja, por onde os pedestres mais passam”, resume.

Por outro lado, nas estradas as medidas devem ser “de fiscalização e comunicação, mas feitas em outras escalas, já que lidamos principalmente com passantes. As pessoas que estão passando nessas rodovias precisam ser informadas ao longo de toda a estrada”, defende Lemos.

Por fim, o especialista também cita a fiscalização por velocidade média como uma solução para diminuir as mortes em rodovias. “É muito facilmente implantada em estradas e hoje não é nem regulamentada no Brasil, mas é uma medida das mais efetivas que existem no planeta”.

Nesse modelo a fiscalização ocorre em um trecho, medindo a velocidade do veículo ao entrar e sair do espaço. “Você cria um sistema isolado que permite calcular se a pessoa passou da velocidade máxima. Então a gente consegue coibir os comportamentos de muitas aceleradas e frenagens, que acabam colocando dinâmicas perigosa”, finaliza Lemos.

Como combater as mortes causadas por excesso de velocidade?

Lemos cita que, além de diminuir o limite de velocidade nas vias, a prefeitura de Campinas tomou outras iniciativas para diminuir as mortes por esse fator de risco. As chamadas ações de gestão de velocidade incluem, por exemplo, induções físicas que obrigam os motorista a trafegarem mais devagar.

Com infraestrutura e engenharia podemos fazer o uso de travessias elevadas, de mudança no raio de curvatura das esquinas, de mais travessias de pedestres, mais semáforos e mini rotatórias. São várias medidas moderadoras de tráfego que Campinas vem fazendo, além alterar o limite.

Diogo Lemos

Todas essas ações devem ocorrer junto à fiscalização. “Não adianta ter os limites impostos e as pessoas acharem que não precisam cumpri-los”, defende Lemos.

De acordo com o especialista, a fiscalização é uma das medidas mais efetivas para garantir segurança no trânsito. Isso ocorre devido ao efeito de dissuasão, aquele que faz com que “as pessoas terem a sensação de que se elas descumprirem as regras elas não vão sair impunes”.

Lemos ainda informa que em 2022 a Iniciativa Bloomberg trabalhou com a prefeitura para coibir a ideia de indústria da multa.

“É algo que faz parte da opinião pública e que é uma grande falácia, 84% da frota total da cidade de Campinas não recebeu nenhuma atuação de trânsito no ano anterior. Em 2022, só 10% dos veículos tinham tido alguma atuação”. Por fim, ele ressalta que apenas 6% dos motoristas são reincidentes.


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