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Embaixadores

Tomás Martins

CEO e cofundador da Tembici, empresa que opera bikes compartilhadas nas principais capitais do Brasil, além de Santiago, no Chile e em Buenos Aires, na Argentina.

Mobilidade para quê?

Ensinamentos de 2020 e novas perspectivas na mobilidade urbana para o futuro

Só na Europa, mais de 2 mil novos quilômetros de ciclovias foram anunciados desde a crise do novo coronavírus.

05/01/2021 - 3 minutos, 5 segundos


Foto: Getty Images

O ano de 2020 foi, certamente, um dos mais desafiadores. Mas, também, tornou-se um período em que todos tiveram que se reinventar e aprender a lidar com situações inéditas. Por isso, acredito que temos uma revolução por vir, que, certamente, acelerará ainda mais a mudança nos hábitos de mobilidade, abrindo diversas novas oportunidades. Com relação às questões ambientais e o quanto as cidades se tornaram mais sustentáveis com a redução de carros nas ruas, nesse contexto, órgãos de saúde do mundo todo promoveram a bicicleta como principal meio de transporte para mitigar os efeitos físicos e psicológicos do distanciamento social. 

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Os congestionamentos causados por carros foram reduzidos em 45% somente em São Paulo, no início da quarentena. Diversas cidades do mundo perceberam que, por meio da bike, poderia acontecer uma mudança de hábito fundamental para a redução da emissão de 1 bilhão de toneladas de CO2, número obtido ainda nos primeiros quatro meses de pandemia. 

Do lado das empresas, não foi diferente. Esse é um assunto cada vez mais relevante, que passa a fazer parte do core business das organizações e começa a pautar, inclusive, decisões estratégicas. Um estudo recente da consultoria Ernst & Young mostra que, para 96% dos respondentes, com perfil de investidores, os dados do Environmental, Social and Corporate Governance (ou governança Ambiental, Social e Corporativa) que focam nas melhores práticas ambientais, sociais e de governança) desempenham um papel cada vez mais importante no processo de tomada de decisão e estão diretamente associados a negócios promissores. 

Em artigos anteriores, inclusive, publiquei diversos cases de ações recorrentes em todo o mundo em prol de cidades mais inteligentes, sempre com o objetivo de impactar e gerar reflexões e mudanças de comportamento pelo exemplo. Acredito muito na importância do trabalho de formiguinha e na transformação que começa a partir de uma só pessoa. 

Ao longo do ano, testemunhamos parcerias estratégicas entre empresas, lançamentos de produtos e inovações tecnológicas na indústria de mobilidade ativa. Exemplos disso foram as novas bikes elétricas no mundo, inclusive o nosso lançamento, que é o maior da América Latina, no formato de compartilhamento e estações fixas.


Mais de mil km de ciclovias na Europa

Só na Europa, mais de 2 mil novos quilômetros de ciclovias foram anunciados desde a crise do novo coronavírus e, destes, mais de mil quilômetros já estão finalizados. Na América Latina, o caso mais emblemático é da Prefeitura de Bogotá, que anunciou um plano de aumentar em 220 quilômetros os já existentes 550 quilômetros de ciclovias na cidade nos próximos quatro anos.

Para os próximos anos, é preciso mantermos essas pautas – tão necessárias e urgentes – aquecidas e continuarmos colocando em prática tudo o que estamos aprendendo nesse período. Falando da Tembici e do nosso papel na transformação das cidades, com o aporte que recebemos em junho, continuaremos os investimentos em melhorias dos sistemas, tecnologia, implementação de bikes elétricas, além do plano de expansão. Também iremos prospectar cada vez mais parceiros que queiram se juntar a nós no fomento de cidades melhores para todos por meio do uso da bike. 

É uma tendência mundial: a micromobilidade permite economia de tempo e dinheiro e contribui para a sustentabilidade do planeta. Este ano foi desafiador e repleto de aprendizados, e podemos encará-los como um reaquecimento do potencial que temos para, juntos, construirmos um planeta bem melhor para se locomover e viver.” 

Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do Estadão

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