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Mobilidade para quê?

ID. Buzz desperta a lembrança da velha Kombi

Ao contrário do antigo ícone, modelo chega à Europa com muita tecnologia e motorização elétrica |

4 minutos, 27 segundos de leitura

01/06/2022

Por: Mário Sérgio Venditti

Considerado a Kombi high-tech, o Volkswagen ID. Buzz tem propulsão elétrica de 204 cv de potência e autonomia de 420 quilômetros. Foto: Divulgação Volkswagen

Quem diria que um modelo aposentado porque seu projeto antiquado não permitia a instalação dos obrigatórios freios com ABS iria renascer com uma roupagem totalmente moderna e, ainda por cima, com motorização elétrica? É o que está acontecendo com a Volkswagen Kombi, tirada de linha, no Brasil, em 2013 (veja quadro), e que ressurge, por enquanto, na Europa, rebatizada de ID. Buzz.

A reencarnação da Kombi chega às versões de passeio e de carga e foi desenvolvida na plataforma MEB, destinada a modelos elétricos da montadora. Com a mesma bateria de 77 kWh do utilitário esportivo ID.4, o ID. Buzz entrega o equivalente a 204 cv de potência e tem autonomia de 420 quilômetros. A perua despojada, que virou ícone no mercado brasileiro, ficou no passado. Em vez de caixas e caixas de mercadorias, o ID. Buzz agora esconde a bateria no assoalho, o que reduz o centro de gravidade e dá mais agilidade no trânsito. E pensar que, numa curva mais fechada, a “velha senhora” dava a impressão de que iria capotar…

A bateria de íon de lítio do ID. Buzz pode ser carregada em wallbox ou estações de recarga públicas, usando corrente alternada de 11 kW. Quando reabastecida em uma estação de carregamento rápido (DC), o nível de até 80% da bateria é reposto em apenas 30 minutos.

Além do design futurista, o ID. Buzz ganhou tecnologias de última geração, algo impensado na antecessora. Ele tem, por exemplo, sistemas inteligentes de informação e atualizações de softwares pela nuvem, que fornecerão a base técnica aos ônibus autônomos usados para serviços de mobilidade, a partir de 2025.

O ID. Buzz dispõe, também, de dispositivos de assistência, como o estacionamento automatizado Travel Assist, o Plug & Charge, que habilita o veículo para ser facilmente carregado com até 170 kW, e o software ID. Buzz 3.0. Com ele, a Volkswagen incorporou uma série de novas funções, aprimorando a experiência do usuário e otimizando a capacidade de carregamento. 

Sem previsão no Brasil

id buzz
Na Europa, o ID. Buzz foi lançado nas versões de passeio e de carga. Foto: Divulgação Volkswagen

O ID. Buzz Cargo está sendo lançado, em toda a Europa, com uma bateria de 77 kWh. Ela fornece corrente para um motor elétrico de 150 kW, que aciona o eixo traseiro. A posição da bateria e o sistema de acionamento elétrico leve resultam em uma boa distribuição de peso e um baixo centro de gravidade.

O carregamento bidirecional permite que o ID. Buzz transfira a energia não aproveitada para a rede doméstica do cliente (vehicle to home).

Ao usar a geração mais recente de sistemas de assistência ao motorista, a companhia segue rumo à direção automatizada. A Volkswagen Commercial Vehicles tem planos para o desenvolvimento de serviços de condução autônomos, em parceria com as empresas Argo AI e a Moia, que criou o maior serviço de carona totalmente elétrico da Europa. A partir de 2025, Hamburgo (Alemanha) será a primeira cidade a oferecer carona autônoma usando o ID. Buzz.

Segundo a Volkswagen, o ID. Buzz é um veículo único. As vans de concorrentes, como Mercedes-Benz EQV, Peugeot Traveler e Citroën Spacetourer, não apresentam o design peculiar da sucessora da Kombi. A Volkswagen acrescenta, ainda, que elas não são desenvolvidas como veículos elétricos puros e, portanto, não têm tanto compromisso com a eletromobilidade.

Na Volkswagen brasileira, o ID. Buzz só é tratado internamente como “Kombi elétrica”. Mas não há previsão de lançamento no País, em que o carro, provavelmente, custaria na faixa de R$ 300 mil e despertaria a cobiça de muitos aficionados pela Kombi, que não mediriam esforços para ter um exemplar na garagem.

“Não dá para brecar a modernidade”

kombi azul e branca
Helder Alves guarda três exemplares do histórico utilitário. Foto: Acervo pessoal

A Kombi começou a ser vendida, no País, como modelo nacional, em 1957, e saiu de linha, no fim de 2013, com o respeitável retrospecto de 1,4 milhão de unidades vendidas. O surgimento de uma Kombi high-tech não surpreende os mais puristas. “Não havia como conter a modernidade”, afirma Helder Sobrêda Alves, presidente do Kombi Clube Brasil, entidade que reúne 1.100 entusiastas do modelo.

Dono de três exemplares do histórico utilitário (Kombi Luxo 1972, Kombi Carat 1998 e Kombi 2006), Alves acredita que a proposta do VW ID. Buzz é diferente. “A antiga Kombi era popular, tinha o famoso formato de pão de forma e desenho mais quadrado. Agora, o ID. Buzz é bastante tecnológico, o oposto da simplicidade da Kombi antiga.

Se for vendido no Brasil, seu preço certamente será acessível só aos mais abastados”, acredita.Para ele, a retomada do nome Kombi dependerá da estratégia de marketing da fabricante, e lembra o que aconteceu com outro ícone. “No Brasil, aquele Fusca todo moderno virou New Beetle, no fim dos anos 1990. Depois, voltou a ser Fusca, devido ao apelo mais forte”, diz. Apesar da fidelidade pela “velha senhora”, Alves não esconde um desejo. “Gostaria muito de dirigir o ID. Buzz para poder comparar com a Kombi”, revela.

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