Mobilidade para quê?

Injeção de tendências revoluciona a micromobilidade

O valor de mercado potencial para E-scooters é de aproximadamente 500 bilhões de dólares em dez anos

2 minutos, 59 segundos de leitura

20/04/2021

micromobilidade
Micromobilidade tem ganhado robustez junto à população por ser um modal para fugir do trânsito e contribuir para a sustentabilidade do planeta. Foto: Getty Images

Apesar dos desafios de 2020, adquirimos novos olhares para antigos hábitos e oportunidades. Muitas pessoas refletiram sobre deslocamento, principalmente nas grandes cidades. Na micromobilidade, as mudanças foram notáveis: em um ano de prioridade na saúde e nos incentivos para que, se possível fosse o isolamento social, a bike bateu recordes e se mostrou uma grande aliada para evitar aglomerações, além de contribuir com a diminuição de emissão de CO2. Com a chegada da vacina, medidas de precaução seguem necessárias para a saúde e segurança, por isso, se o ano passado foi o início de uma revolução na mobilidade, este será de consolidação e expansão do modal.

A micromobilidade inclui o deslocamento de veículos leves que costumam ser utilizados para viagens de até 10 km de distância, como bicicletas, patins, skates e patinetes. Em 2019, as implantações de milhares de e-scooters em diversas cidades do mundo aqueceram as discussões tanto em âmbito dos poderes públicos – que viram a necessidade de definirem uma legislação que contemplasse o modal – como entre a própria população. Segundo estudo da National Association of City Transportation e da McKinsey de 2020, o valor de mercado potencial para micromobilidade é de aproximadamente 500 bilhões de dólares em dez anos. 

Cases urbanos

No Brasil, quando olhamos para o uso das nossas bicicletas, vemos um retorno positivo, já que cerca de 50% dos usuários do Bike Itaú – sistema de bicicletas compartilhadas – disseram optar pelo modal quando precisaram sair de casa durante a pandemia. O uso da bike como meio de transporte traz diversos benefícios ambientais, sociais e de saúde. Além de contribuir para a economia mundial. Segundo o estudo Global Folding Bikes Industry, o uso da bike movimenta cerca de US$ 185 bilhões para a economia global anualmente

Analisando o mercado e as possibilidades, vemos exemplos concretos em grandes cidades do mundo que nos animam a expandir cada vez mais a operação. O primeiro caso que me vem à mente é Milão, uma cidade que usou a crise gerada pela pandemia para fomentar a micromobilidade. A prefeitura buscou maneiras de manter a cidade aberta para a economia e o investimento em e-scooters e bicicletas foi a solução. Por lá implementou-se um plano chamado Ruas Abertas, com a inclusão de novas ciclovias – de velocidade de 20 e 35 km – com a meta de chegar a 100 km de malha cicloviária até abril deste ano.

Em resposta à necessidade imediata de descongestionar o transporte público para evitar o contágio da Covid-19, a administração distrital de Bogotá redistribuiu o espaço viário para permitir que os cidadãos que desejassem se deslocar de bike o fizessem com segurança. As análises apontam para um potencial ainda maior de crescimento este ano. No Brasil, a micromobilidade também ganha robustez e a atenção da população, que vê nas bicicletas inúmeras oportunidades, como fugir do trânsito e contribuir com a sustentabilidade do planeta, uma vez que os automóveis são responsáveis pela emissão de aproximadamente 73% dos gases poluentes no País.

Todo o aquecimento de 2020 será intensificado neste ano e há fortes promessas estruturais e tecnológicas. Mas é preciso que os fomentos e investimentos corram junto com as iniciativas e projetos, como costumo destacar. Se a tendência de crescimento no uso das bikes se mantiver no patamar que projetamos, podemos esperar uma verdadeira revolução nas cidades nos próximos anos.

Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do Estadão

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