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Luciana Nicola

Superintendente de relações institucionais, sustentabilidade e empreendedorismo do Itaú Unibanco.

Mobilidade para quê?

Micromobilidade e intermodalidade: impactos e avanços no deslocamento nas grandes cidades

A maior importância da bike como modal de transporte, integrado e ligado a outros meios, levou empresas a expandirem seus serviços para atender melhor às novas necessidades

30/10/2020 - 2 minutos, 46 segundos


micromobilidade
Foto: Getty Images

Quando o assunto é mobilidade urbana, é muito comum esbarrarmos em conceitos e palavras-chave que, em sua definição, permanecem muitas vezes desconhecidos pela maioria das pessoas, sem relação com a ideia de ‘ir e vir’, sobretudo nas grandes cidades. Em meio à pandemia, com as medidas de distanciamento social e, depois, a flexibilização dessas medidas, dois desses conceitos ganharam força e importância: micromobilidade e intermodalidade.

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Micromobilidade é o uso, cada vez maior, de meios de transporte leves e individuais, como bikes e patinetes para trajetos curtos e habituais. Em países como a Índia, com uma das maiores populações do mundo, esses veículos são maioria, e apenas 10% das viagens são feitas de automóvel, por exemplo. Já a intermodalidade é o uso de diferentes tipos de meio para cobrir distâncias maiores, sem saturar vias e tráfego já tão estrangulados.

Nas cidades brasileiras, com o período atribulado que atravessamos em 2020, em meio a tantas restrições e adaptações necessárias, vimos iniciativas de inovação relacionadas a esses dois conceitos. O Rio de Janeiro conta, desde setembro, com bikes elétricas compartilhadas, o que possibilita usar o veículo para trajetos mais longos que as bicicletas comuns. Já a chegada de serviço de recarga do Bilhete Único a São Paulo por meio de apps bancários também facilita, e muito, a troca de modal para quem precisa cruzar grandes distâncias na região metropolitana.

Essa maior importância da bike como modal de transporte, integrado e ligado a outros meios, levou empresas a expandirem seus serviços para atender melhor às novas necessidades. O Google Maps, por exemplo, passou a incluir o status de estações de bikes compartilhadas e sugestão de rotas no aplicativo. O recurso foi disponibilizado globalmente no início de julho, em cidades como Chicago, Nova York, Montreal, Londres, Taipei e, no Brasil, São Paulo e Rio de Janeiro, com o Bike Itaú.

A integração com sistemas de bikes compartilhadas teve início antes da pandemia, ainda em 2019, mas, a partir da recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) para o uso da bike como meio de transporte individual e que auxilia no distanciamento social, ganhou ainda mais relevância. Não à toa, o Relatório Global sobre Transporte Público 2019, realizado pelo aplicativo Moovit no Brasil, apontou que 73% dos deslocamentos, em Salvador, envolvem duas ou mais baldeações, enquanto, em Fortaleza, Curitiba, Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília, mais de 60% das pessoas precisam trocar de veículo durante uma viagem. Olhando no detalhe, a cidade de São Paulo tem 80% de sua malha viária dedicada a automóveis.

Como apontado no início do ano, as medidas de isolamento e distanciamento social muitas vezes precisam ser adotadas no âmbito familiar, e isso se reflete na relação da população com a mobilidade urbana. Ainda assim – ou até por causa disso –, as administrações das cidades e iniciativas privadas precisam olhar para o quadro geral, aprimorando a infraestrutura nas periferias e renovando as condições de circulação nos seus centros. Um belo desafio para os novos prefeitos e vereadores e empresas e organizações atuantes nos municípios a partir de 2021 – o futuro está sendo escrito no agora.

Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do Estadão

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