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Pedro Somma

CEO da Quicko, startup de mobilidade urbana

Mobilidade para quê?

Mobilidade como um serviço: as pessoas no centro

Essa nova mobilidade, centrada na experiência das pessoas, é o passo inicial para uma transformação ainda maior

06/10/2020 - 3 minutos, 4 segundos


mobilidade como um serviço
Foto: Getty Images

“Fazer uma reflexão sobre como nos deslocamos diariamente pelas cidades é sempre um exercício interessante. A tecnologia, por exemplo, trouxe novos serviços e modais. Se você olhar no seu celular agora, vai encontrar vários aplicativos para ir de um lugar a outro ou até mais de um aplicativo para o mesmo tipo de serviço. Nesse contexto, o próximo grande desafio é ajudar as pessoas a aproveitarem as novas opções de forma integrada, fácil e conveniente. 

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Integrar meios de transporte é muito comum. Você faz isso várias vezes: caminha até algum ponto (os pés também são um modal), toma um ônibus até uma estação de metrô e, por fim, usa uma bicicleta até o seu destino. Caso chova, pode fazer alguma etapa do seu deslocamento de táxi. No entanto, quando combinamos diversos modais, temos pouca visibilidade de todas as opções ou mesmo segurança sobre a qualidade da nossa decisão.

Na prática, isso significa olhar a mobilidade do ponto de vista de quem precisa tomar decisões para se deslocar. Parece óbvio e natural, mas não é, já que muitas das discussões sobre mobilidade se concentram em um ou outro modal específico, como se nota nas polêmicas envolvendo serviços como motoristas por aplicativo ou patinetes e bicicletas espalhados pela cidade. 

A boa notícia é que a tecnologia também pode ajudar nesse desafio. Na Quicko, por exemplo, a usamos junto com a inteligência de dados para criar um sistema de roteirização que considera informações de diversos modais e sugere rotas mais eficientes. Na maioria das vezes, a integração de vários tipos de transporte oferece novas rotas às pessoas, que têm mais opções para decidir. Com isso, a melhor forma dela se deslocar é como ela quiser.

Mobilidade como um serviço

Essa nova mobilidade, centrada na experiência das pessoas, é o passo inicial para uma transformação ainda maior: a mobilidade como um serviço (tradução de mobility as a service, em inglês). Relativamente novo no Brasil, esse conceito, a Maas, já existe em diversas cidades pelo mundo, como Londres, Helsinque e Berlim.

Além disso, a Maas também agrega outros elementos, como o uso de grandes quantidades de dados em tempo real (big data), integração do pagamento e modernização da infraestrutura das cidades. Sobre o primeiro ponto, é fundamental que plataformas consigam os dados, em especial do transporte público, para gerar informações relevantes aos usuários. Em São Paulo, por exemplo, a política de dados abertos da prefeitura permite mostrar às pessoas onde estão os ônibus em tempo real e o horário de chegada a cada ponto. 

Já o segundo ponto conecta diversos modais com mais conveniência, com as pessoas usando apenas uma forma de pagamento para a jornada inteira. Além disso, com tarifas integradas, também podemos oferecer incentivos em situações específicas. Por fim, a própria infraestrutura urbana precisará ser transformada: mais bicicletas demandam mais ciclovias; mais gente andando e usando transporte coletivo exige calçadas mais amplas e pontos mais confortáveis. Ou seja, tornaremos as cidades melhores para quem nela habita. 

Como chegamos lá?

O caminho para chegarmos a esse lugar é longo, mas o primeiro passo é muito simples e já está sendo dado: é preciso que coloquemos as pessoas no centro da mobilidade. A partir de uma visão focada em melhorar seus deslocamentos no dia a dia, ideias e oportunidades surgirão para desenvolvermos soluções transformadoras para todos e para as cidades. Parece um ótimo plano, não é mesmo?”

Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do Estadão

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