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Mobilidade para quê?

Mobilidade exige olhar global e soluções locais

A pandemia da covid-19 contribuiu para abalar ainda mais o conceito de soluções universais de mobilidade

2 minutos, 18 segundos de leitura

03/07/2021

mobilidade urbana e elétrica

Quando olhamos os desafios da mobilidade global, encontramos vários pontos em comum entre os países: adensamento urbano, transporte público sobrecarregado e alta emissão de poluentes, entre vários outros. No Brasil, também constatamos essas adversidades.

No entanto, temos um desafio sobreposto a outro: o de pensar soluções nacionais e locais num País imenso, com 27 unidades federativas e 5.570 municípios tão diversos em suas estruturas socioeconômicas e urbanas.
Quanto mais pessoas migram para as cidades, mais relevantes se tornam as novas soluções para a construção de uma mobilidade mais amigável, conectada e sustentável. No entanto, essas inovações precisam ser ‘customizadas’, considerando-se a realidade de cada município.

Na Nova Agenda Urbana de 2016, adotada na Conferência das Nações Unidas sobre Habitação e Desenvolvimento Urbano Sustentável (Habitat III), no Equador, os países signatários se comprometeram a adotar uma abordagem de cidade inteligente que use ‘oportunidades de digitalização, energia e tecnologias limpas, assim como tecnologias de transporte inovadoras’, para as populações ‘fazerem escolhas mais adequadas ao meio ambiente e impulsionarem o crescimento econômico sustentável’ e, ainda, ‘permitindo que as cidades melhorem sua prestação de serviços’.

Cooperação de agentes públicos e privados

Trata-se de um objetivo que todos queremos alcançar, mas, na lista de pendências da mobilidade brasileira, ainda se encontram necessidades bem básicas, como a de prover transporte escolar a centenas de crianças que percorrem muitos quilômetros, diariamente, para estudar.
A pandemia do novo coronavírus ajudou a abalar ainda mais o conceito de soluções universais de mobilidade. Com as restrições de circulação impostas pelas medidas sanitárias, o uso dos aplicativos de transporte, disseminado globalmente, caiu drasticamente.

O home office, propagado há bastante tempo em diversos países, reduziu o volume de passageiros do transporte público nas grandes cidades brasileiras, desequilibrou as contas dos operadores e manteve ônibus, metrôs e trens cheios nos horários de pico.

Por sua vez, a venda de bicicletas cresceu 50%, em 2020, em comparação com 2019, segundo a Aliança Bike, o que causou desabastecimento no mercado nacional e levou à redução da alíquota de importação do produto neste ano, o que impactou a competitividade dos produtores locais.

Olhar globalmente e pensar localmente requer a criação de oportunidades para discutirmos e avançarmos a mobilidade, no País, por meio de uma atuação intersetorial, com a cooperação entre vários atores públicos e privados, sejam municipais, sejam intermunicipais, sejam interestaduais. Dessa forma, será possível facilitar políticas e programas de desenvolvimento urbano que melhorem os deslocamentos e aprimorem os serviços aos cidadãos.

Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do Estadão

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