Mobilidade para quê?

Nova tecnologia na Linha 6-Laranja do metrô trará mais segurança e facilitará futuras manutenções

Entre outros benefícios, a nova metodologia BIM na fase de construção dará a possibilidade de ter um “inventário digital” de todos os ativos da linha

3 minutos, 18 segundos de leitura

19/08/2021

Imagem do modelo BIM na Ventilação e Saída de Emergência (VSE) Tietê da Linha 6 - Laranja do metrô de São Paulo

Em outubro de 2020, foram retomadas as obras da construção da Linha 6-Laranja de metrô de São Paulo, que é o maior projeto de infraestrutura público-privado (PPP) em desenvolvimento na América Latina. Com evidentes benefícios para a população, a Linha 6 fará ligação entre as estações São Joaquim e Brasilândia, em um trecho de 15 km com 15 estações distribuídas ao longo da sua extensão ao conectar o centro da capital com o seu extremo noroeste e cruzando diversos bairros onde estão localizadas as principais universidades da cidade.

A obra, que ficou paralisada por vários anos, foi retomada recentemente com melhorias além da utilização de novos e mais eficientes métodos de trabalho que também auxiliam na otimização de processos. Uma destas novidades é a utilização de uma nova metodologia chamada Building Information Modeling (BIM), já usada pela construtura Acciona, responsável pela construção da Linha 6 em São Paulo, em outros projetos de infraestrutura em vários países do mundo, como o bonde de Sydney e a extensão da Linha Vermelha do metrô de Dubai.

Modelo em 3D

A metodologia BIM é baseada em um inovador modelo digital do empreendimento em 3D, elaborado ainda na fase de projeto e desenvolvido ao longo da construção. Por meio desse modelo, é possível fazer a integração de todos os participantes envolvidos durante a construção de uma nova linha de metrô, como projetistas, subcontratados, fabricantes, entre outros. Todos atuando de forma colaborativa na atualização do modelo em tempo real, o que permite o acesso total das informações, que são geradas a qualquer momento e local. 

Ou seja, o modelo BIM possibilita que o projeto seja visualizado e planejado com maior precisão desde a sua pré-construção. E esse melhor entendimento do projeto traz vários benefícios para as empresas que o utiliza. Entre eles, estão a detecção precoce de conflitos, erros e contratempos (internos ou externos) — o que elimina possíveis “perdas de tempo” com refações e ainda minimiza ou elimina possíveis mudanças com alto custo nas etapas de trabalho.

No caso da Linha 6 – Laranja, a implementação desta metodologia ao longo da construção, desde as primeiras fases do projeto, permitirá que os modelos contenham os dados necessários para todas as demais etapas de construção. Alcançando, assim, uma única fonte de dados e informações geométricas que serão atualizadas ao longo de todo o processo.

Segurança para o usuário

Entre outros benefícios, a nova metodologia BIM na fase de construção dará a possibilidade de ter um “inventário digital” de todos os ativos da Linha 6-Laranja de metrô de São Paulo. Assim, quando a obra estiver pronta, caso seja necessário realizar operações de manutenção, por exemplo, estas serão feitas de forma muito mais rápida e eficiente. O que também vai impactar certamente a população, ou seja, o usuário final da linha. Esta construção digital da obra é utilizada, entre outras finalidades, para fins de segurança: tanto durante a construção como no futuro, durante a utilização da linhas pelos usuários.

Com essas informações é possível perceber que o modelo BIM não é apenas um modelo geométrico em 3D. Ele também contém uma grande quantidade de informações que dão suporte em todas as fases do projeto, bem como na melhor tomada de decisão possível. 

Além disso, ele também ajuda a criar um “inventário completo da construção” o que gera um grande banco de informações que constituirá um registro digital de toda a obra, podendo ser usado como modelo para demais obras no futuro.”

*Artigo elaborado em colaboração com as projetistas Alessandra Barbetta e Bruna Vieira

Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do Estadão

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