Mobilidade para quê?

O impacto das emissões de CO2 para a sociedade brasileira

Estudo demonstra as consequências negativas da poluição por automóvel de passeio, no Brasil, em um ano, e quantas árvores seriam necessárias para a neutralização

1 minuto, 57 segundos de leitura

15/09/2021

Por: Daniela Saragiotto

Segundo dados do IQAir, empresa suíça especializada em monitoramento da qualidade do ar, a poluição atmosférica foi responsável por 15 mil mortes em São Paulo em 2020. Foto: Getty Images

Se a poluição que cada automóvel de passeio emite pudesse ser demonstrada visualmente, cada carro da nossa frota teria enchido 150 mil balões de festa de dióxido de carbono (CO2) ao final de um ano. O número faz parte das conclusões do estudo O Impacto das Emissões de CO2 no Trânsito Brasileiro, feito por Jefferson Soares Ferreira, fundador da GOOH, plataforma digital de mídia para carros (Out of Home), com sede em Belo Horizonte (MG) e atuação em mais seis capitais brasileiras, incluindo São Paulo.

Realizada em junho deste ano, a pesquisa considerou as bases do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) de 2020, apenas de automóveis de passeio, em todo o território brasileiro, fazendo comparações com outros dados, como o custo do crédito de carbono no mercado europeu (Carbon Emissions Futures – CFI2Z1), entre outros.

De acordo com Ferreira, o Acordo de Paris, firmado em 2015, na Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP), estabelece que as nações desenvolvidas priorizem a compra de créditos de carbono dos países em desenvolvimento. “Se o Brasil precisasse comprar créditos somente para equalizar nossas emissões no trânsito, o custo seria de aproximadamente R$ 49,8 bilhões. Por outro lado, é um valor que deixamos de ganhar dos países que precisam adquirir esses créditos”, afirma.

Soluções integradas

O estudo sugere que o plantio de árvores seria uma das medidas para compensar as emissões de CO2 dos automóveis – seriam necessárias 18,6 bilhões de mudas da Mata Atlântica para a neutralização –, mas, de forma isolada, isso seria insuficiente. “Algumas cidades, como Brasília, possuem espaços que comportam o conceito de floresta urbana; já outras megametrópoles, como São Paulo, estão comprometidas com altas taxas de ocupação do solo”, diz.

A solução, de acordo com ele, seria investir em diversas frentes, como biocombustíveis, diversificação do modal de transporte, dando preferência aos não poluentes como a bicicleta e priorizar os veículos elétricos, incluindo o transporte coletivo. “O Poder Público também precisa pressionar, como tem acontecido na Europa, restringindo as emissões, além de tornar o automóvel elétrico mais acessível para massificar seu uso”, finaliza.

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