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Embaixadores

Fernando Ângelo

CEO da Sity Inc. e empreendedor com mais de dez anos de experiência nas áreas de logística e tecnologia

Mobilidade para quê?

O paradoxo da mobilidade urbana

Não podemos esquecer que quem está no volante é um ser humano e quem chama o carro por aplicativo, também. Essa relação interpessoal ainda é muito afetada se não houver respeito, cordialidade e segurança

10/11/2020 - 2 minutos, 43 segundos


motorista-da-sity - Paradoxo da Mobilidade

As relações de trabalho da forma como as conhecíamos mudou. Muitas empresas transformaram seus escritórios e aderiram ao trabalho remoto; outras tiveram que fechar suas portas durante esse momento complicado pelo qual ainda estamos passando. Com isso, muitos profissionais qualificados precisaram encontrar uma nova maneira de exercer um trabalho remunerado e, uma das opções durante a pandemia, foi a de se tornar motorista de aplicativos.

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No aplicativo da Sity Inc., por exemplo, hoje, já conta com mais de 50 mil carros espalhados pelo Brasil e cada um deles é conduzido por um motorista que também está à procura de uma boa oportunidade de emprego. 

O crescimento na busca por esse tipo trabalho fez os serviços mais consolidados do mercado perderem qualidade, mostrando que quem optar por esse tipo de atividade acaba tendo mais obrigações que benefícios. Mas o que foi esquecido neste momento de mudança das relações de trabalho é que ele ainda é feito por pessoas. Seres humanos que precisam descansar, serem motivados e que queiram continuar atrás do volante oferecendo um serviço de qualidade em nome de uma determinada empresa. É preciso levar em consideração que um motorista bem remunerado, mais descansado e mais motivado reflete diretamente em quantas corridas ele faz, no atendimento que oferece ao usuário e na escolha que faz ao fim do dia de continuar correndo pela empresa.

Taxas abusivas, falta de respaldo para resolução de problemas e de suporte são pequenas dificuldades que os motoristas encontram em seu dia a dia de trabalho. Situações assim poderiam ser rapidamente resolvidas para que ele pudesse continuar exercendo o trabalho de maneira mais digna. Motorista que paga uma taxa mais baixa para o aplicativo de mobilidade lucra mais e vê a empresa pela qual trabalha como uma aliada, e não como sua inimiga. Bem como benefícios de parcerias e mais suporte para ter a quem recorrer quando há um problema.

Não podemos esquecer que quem está no volante é um ser humano e quem chama o carro por aplicativo, também. Essa relação interpessoal ainda é muito afetada se não houver respeito, cordialidade e segurança. As duas partes envolvidas têm que sentir que vale a pena continuar investindo tempo e dinheiro naquela forma de transporte.

A pandemia pode ter mudado a maneira como nos relacionamos com as pessoas, por enquanto, de forma mais distante, mas ela não vai mudar a necessidade que temos de nos comunicar uns com os outros e nos sentir pertencentes, tanto de um trabalho que nos dignifica quanto de uma comunidade que oferece serviços personalizados e de qualidade.

A mobilidade urbana, seja ela em uma cidade grande, seja no interior, funciona da mesma maneira: é feita por pessoas. Pessoas com sentimentos, necessidades, angústias e felicidades, além de pessoas que precisam se deslocar para chegar ao trabalho, ir ao hospital ou fazer compras no mercado. O transporte particular tem se tornado uma opção cada vez mais popular e segura. Por isso, não podemos esquecer que os carros de aplicativo só existem porque os usuários se movem, e o usuário só se desloca porque os motoristas de aplicativos estão disponíveis para tal.

Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do Estadão

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