Mobilidade para quê?

O piloto que deseja mudar o mundo pelo automobilismo

Lucas Di Grassi, da Fórmula E, vê as pistas como laboratório perfeito para testes de novas tecnologias e conceitos para as transformações que nossa sociedade precisa ter

2 minutos, 36 segundos de leitura

28/07/2021

Por: Daniela Saragiotto

Divulgação: Audi Sport

Na visão do piloto Lucas Di Grassi, o automobilismo representa muito mais do que velocidade, competição e entretenimento. “Sempre acreditei que as categorias, especialmente as profissionais, precisam deixar um legado para a sociedade. E que local seria melhor para testes de novas tecnologias, sobretudo com foco na segurança e em inovações com potencial para melhorar a vida das pessoas, do que as pistas?”, questiona Di Grassi, 36 anos, que, atualmente, mora em Mônaco e disputa o Campeonato Mundial de Fórmula E pela equipe Audi Sport ABR Schaeffler.

Para ele, inovação, eletromobilidade, energias limpas e sustentabilidade são temas que estão totalmente interligados. “Temos que promover o desenvolvimento de tecnologias em geral que vão melhorar a mobilidade, que, por sua vez, precisa ser mais segura, democrática e limpa”, diz. O piloto defende o uso de veículos não poluentes nas capitais, algo que poderia evitar em torno de 4 milhões de mortes prematuras, todos os anos, segundo a ONU, uma posição, até certo ponto, polêmica para um piloto.

“Algumas pessoas do meio, de fato, estranham, mas isso acontece com tudo que é revolucionário, e acaba causando relutância. Mas, quando mostramos os benefícios dessa nova visão de mundo – e eles são diversos –, a aceitação vem. E temos que ser realistas: as novas gerações não vão adotar esses conceitos ultrapassados; então, temos que ser agentes da mudança”, afirma.

O piloto foi cocriador da Fórmula E, categoria do automobilismo organizada pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA), em 2014. Ela é única por ter exclusivamente carros elétricos competindo, uma forma de demonstrar a versatilidade dessa fonte energética e popularizar seu uso. Seu nome também está na criação da categoria Extreme E, como piloto e primeiro investidor no projeto.

Com temporada inaugural neste ano, a Extreme E consiste em uma série de corridas off road internacionais, sancionada pela FIA, que usa SUVs elétricos para correr em partes remotas do planeta: as que mais sofrem com o aquecimento global. “Essa é uma forma poderosa de mostrar que o
problema existe e que todos temos nossa responsabilidade em mudar esse cenário”, afirma.

Embaixador da ONU

Paulistano, Lucas Di Grassi começou a competir com kart ainda criança, em 1994, incentivado pelo pai. Em 2016, disputando tanto a Fórmula E como o Campeonato Mundial de Endurance (FIA WEC), foi vice-campeão em ambas, defendendo a Audi como piloto oficial da montadora, o que o tornou conhecido mundialmente. Foi considerado o mais rápido piloto de Endurance e também da Fórmula E, e recebeu o título de melhor do mundo, em 2016.

Em 2017, subiu ao pódio duas vezes, no ePrix de Berlim, na Alemanha. Ele foi um dos primeiros a participar da Fórmula E e primeiro piloto e investidor da Extreme-E, nova categoria do automobilismo apenas com off roads elétricos disputando em regiões que sofrem com o aquecimento global. Di Grassi também é empresário e embaixador da Organização das Nações Unidas (ONU) para o meio ambiente.

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