Patrocinados

Caótica largada da prova de Goiânia

Começo da corrida é um dos momentos mais tensos no automobilismo

3 minutos, 9 segundos de leitura

29/09/2021

Por: Alan Magalhães

Início acidentado, na Stock Car, deixou 12 carros fora da prova, na etapa realizada no Autódromo Internacional Ayrton Senna. Foto: Victor Eleutério

Dia 13 de junho de 1982 não teve corrida de Stock Car, pois a categoria estava se preparando para disputar duas etapas internacionais, em Portugal. Mas, se vamos falar de Stock Car, por que citar essa data?

O automobilismo é um esporte de risco; porém, seu desenvolvimento resulta em tecnologias que aumentam muito a segurança dos carros que utilizamos em ruas e estradas. Dele vieram os freios a disco, a suspensão ativa, os volantes multifuncionais, o controle de tração, a troca de marcha por meio de borboletas, os mais que atuais sistemas de recuperação de energia e outros, aparentemente prosaicos, como o espelho retrovisor.

Mas, voltando à data, aquele domingo foi marcado por um acidente terrível na largada do Grande Prêmio do Canadá de Fórmula 1, em Montreal. Após a luz verde, sem visibilidade do que acontecia à frente, o italiano Riccardo Paletti acertou a traseira da Ferrari de Didier Pironi, pole position, que ficou parada no grid, causando a morte de Paletti.

Muito se discute sobre qual sistema de largada é o mais seguro: se o estático, que sempre foi utilizado na Fórmula 1, ou em movimento, com os carros alinhados e com certa velocidade, antes da luz verde. A Stock Car utilizou o sistema estático até 2004, quando assistiu a um acidente que, por pouco, também não se transforma em tragédia.

Na largada da nona etapa daquele ano, no circuito de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, o carro de Pedro Gomes também apagou na hora de largar, e foi atingido, na traseira e já a 160 km/h, pelo Astra do paulista Neto De Nigris, que teve vários ferimentos que o remeteram a uma temporada no hospital.

A partir daí, a categoria decidiu adotar a largada em movimento, que se mantém até hoje e é tida como menos perigosa.

Em movimento ou estático?

Algumas das principais categorias de carros de turismo do mundo, como DTM, Super GT e Porsche Cup, largam em movimento. Já o importante BTCC, britânico de turismo, larga estático. Não há consenso. Na etapa de Goiânia da Stock Car Pro Series, realizada nos dias 18 e 19 deste mês, que teve quatro corridas no mesmo final de semana, a largada da primeira delas foi caótica. Nada menos que oito carros foram inutilizados e outros quatro precisaram de reparos para voltar à pista. O gatilho foi o “efeito sanfona”, bem comum em largadas em movimento, devido à diferença de velocidade e aceleração entre os carros.

“Ridículo o jeito que largaram lá na frente, uma sanfona, vai e volta. Tomei cuidado na largada… a causa de tudo é do começo ao meio, pois ficaram fazendo sanfona”, comenta o ex-piloto de Fórmula 1 Ricardo Zonta, um dos que abandonaram a corrida. O regulamento recomenda que, na largada, os pilotos devem manter velocidade constante entre 80 km/h e 100 km/h com o grid em movimento. Zonta estava a 93 km/h e, poucos segundos depois, envolveu-se na batida já a exatos 128,1 km/h, gerando uma força de 5,38 G de desaceleração, segundo os dados registrados em seu Toyota Corolla.

“Apesar dos números impactantes, os carros da Stock Car são muito seguros e bem construídos”, comentou o experiente chefe de equipe Rosinei Campos. O único piloto que demandou cuidados maiores foi o goiano Raphael Teixeira, 34 anos, que estreava na categoria. Com dores na perna, Teixeira foi levado ao centro médico do circuito para seguir, depois, para o Hospital Premium de Goiânia, onde exames constataram não haver fratura.

Apenas Felipe Massa, Guilherme Salas, Guga Lima e Rafael Suzuki conseguiram reparar seus carros e voltar à pista, já que várias equipes trabalharam a noite inteira para recuperar os carros para o dia seguinte.

De 1 a 5, quanto esse artigo foi útil para você?
Quer uma navegação personalizada?
Cadastre-se aqui
0 Comentários

Você precisa estar logado para comentar.
Faça o login