Mobilidade para quê?

Para ser efetiva, inclusão deve passar pela mobilidade

“Para se tornar realidade, ela precisa ser um compromisso de toda a sociedade.” Jordana Souza, chief revenue office (CRO) da Voll

3 minutos, 7 segundos de leitura

08/12/2021

Mobilidade inclusiva no Brasil. Foto: Pexels

Diversidade e inclusão são dois conceitos que estão em voga. Nos conselhos diretores das empresas, a chamada C-section pensa em formas de incorporar perfis mais heterogêneos a seus quadros de funcionários. Mas, para que a diversidade e a inclusão sejam uma realidade nos diferentes ambientes, a mobilidade deve ser uma preocupação central.

Já falamos, aqui mesmo nesta coluna, sobre a importância da mobilidade para que as mulheres tenham uma experiência mais positiva circulando pela cidade, sem medo de serem abordadas de forma inapropriada ou sofrerem alguma violência de gênero. Mas o assunto está longe de se esgotar por aí.

Diferentes perfis encontram dificuldades variadas em mobilidade, o que lhes impede de ter liberdade para uma vida plena. O Guia da Comunidade 99 revelou que, aproximadamente, 25% das pessoas negras já evitaram pegar o transporte público por medo de racismo. Mas a realidade nos carros por aplicativo não é muito mais animadora. São comuns, nas redes sociais, os desabafos de pessoas negras que não conseguem pegar um carro, porque os motoristas, com medo de um possível assalto, cancelam a viagem quando veem a foto da pessoa ou o próprio passageiro aguardando.

Isso, para não falarmos nas pessoas com deficiência (PCDs), o caso mais discutido quando o assunto é acessibilidade. Mesmo assim, grande parte das cidades brasileiras ainda não conseguiu encontrar soluções satisfatórias para garantir que esses passageiros exerçam sua liberdade de ir e vir com independência. 

45 milhões de PCDs

Em cidades como Madri, na Espanha, chama a atenção a quantidade de pessoas – muitas delas, idosos – que se desloca autonomamente em cadeiras de rodas elétricas ou manuais. Outros tantos percorrem as ruas com o auxílio de bengala e até de andador.

São cenas que não vemos tão comumente no Brasil, e isso não se deve ao fato de termos menos pessoas com mobilidade reduzida no País. Ao contrário, de acordo com o Censo, o Brasil tem, aproximadamente, 45 milhões de PCDs, e cerca de 7% da população possui alguma dificuldade motora. Em contrapartida, quase 90% dos municípios não têm toda a sua frota urbana adaptada para esse tipo de passageiros, um dado do Perfil dos Municípios Brasileiros.

Para contribuir com a mudança dessa situação, a Voll assumiu um compromisso de melhorar a mobilidade para um maior número de pessoas e de grupos. Assim, fizemos parceria com a Acessível Táxi, empresa de táxis adaptados para PCDs que opera, em todo o Brasil, por meio de outras empresas parceiras. Além disso, estamos desenvolvendo a versão do nosso app para pessoas com deficiência visual.

Ainda estamos longe de alcançar o que acreditamos ser ideal para garantir que pessoas com deficiência possam ter uma vida independente e com liberdade nos deslocamentos. Mas, um passo depois do outro e com o auxílio do nosso Comitê de Diversidade, estamos nos movimentando para isso.

Até agora, o que tem acontecido é que pessoas de grupos minoritários vêm se adaptando para viver em um mundo que não é adequado a elas. No que diz respeito à mobilidade, isso significa que determinados espaços e ambientes são uma realidade à qual certos grupos não têm acesso.

Mas, se queremos realmente nos beneficiar da pluralidade de visões, do talento e da capacidade trazidos por essas pessoas, precisamos fazer com que elas sejam e se sintam bem-vindas em todos os espaços. Para se tornar realidade, a inclusão não pode ser uma preocupação somente de quem tem necessidades especiais; precisa ser um compromisso de toda sociedade.”

Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do Estadão

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