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Vendas de SUVs e picapes vão continuar crescendo

Levantamento da Jato Dynamics constatou que, por causa da crise de abastecimento provocada pela falta de componentes e de problemas relacionados à logística, os automóveis tiveram aumento de 65% durante a pandemia

4 minutos, 22 segundos de leitura

08/05/2022

Por: Hairton Ponciano Voz

Apesar da queda do volume de vendas de carros, a lucratividade das montadoras deverá subir, porque as fabricantes irão investir mais nos SUVs, modelos de maior valor agregado. Foto: Getty Images

Para o analista de mercado José Augusto Amorim, da consultoria britânica GlobalData, o mercado brasileiro ainda vai piorar antes de melhorar. As paralisações nas linhas de produção ainda devem persistir ao longo do ano, por causa de falta de componentes. De acordo com suas projeções, cerca de 20 mil veículos devem deixar de ser montados este mês. A reação deverá ser vista apenas no segundo semestre, a depender de variáveis como eleição, inflação e taxa de juros, que afeta o financiamento.

A falta de carros complica um cenário que não tem sido muito promissor no primeiro quadrimestre do ano. Durante a apresentação do painel “Quando acabará a crise no setor automotivo?”, Amorim disse que, de janeiro a abril, 65 mil automóveis deixaram de ser feitos, por escassez de peças.

Como resultado das interrupções na produção de diversas fábricas, o analista estima que o volume de vendas de 2022 deverá ser ligeiramente abaixo do obtido em 2021. Segundo ele, o ano deve fechar mais uma vez abaixo de 2 milhões de unidades, entre carros de passeio e comerciais leves. Ele estima uma média de 1,95 milhão de veículos.

Além da falta de componentes, que ainda afeta a produção, a piora da economia tende a impedir aumento das vendas. A elevação da Selic reflete diretamente nos juros cobrados no financiamento. “Tem banco cobrando mais de 40% de juros anuais”, diz. Segundo Amorim, o mercado deve atingir a marca de 4 milhões de unidades apenas no começo da próxima década.

O analista de mercado acredita que as montadoras deverão privilegiar os modelos mais caros, para um público que foi menos afetado pela pandemia e que não é tão dependente de financiamento.

Maioria de SUVs

Apesar da queda do volume de vendas, Amorim acredita que a lucratividade das montadoras deverá subir, porque as fabricantes irão investir mais nos SUVs, modelos de maior valor agregado. Ou seja, as fabricantes venderão menos, porém a preços superiores. SUVs e picapes são dois segmentos menos sujeitos às crises, e os dois tipos de carroceria responsáveis pela elevação do “tíquete” médio dos automóveis.

Como comparação, ele cita que o Chevrolet Tracker custa a partir de R$ 115 mil, enquanto o hatch Onix (que utiliza a mesma plataforma) tem preço inicial de R$ 74 mil. A diferença de R$ 41 mil representa 55%.

Citando levantamento da consultoria Jato Dynamics, Amorim informou que o valor médio dos automóveis subiu de R$ 87 mil em 2019 (antes da pandemia) para R$ 144 mil este ano, aumento de 65% em pouco mais de dois anos.

De acordo com ele, no primeiro trimestre, enquanto o mercado geral caiu 25%, no segmento de SUVs a queda foi de apenas 4%. Da mesma forma, as picapes continuam com mercado importante, e já representam 17% das vendas. Uma das razões para o bom desempenho é que, mesmo durante a pandemia, as áreas rurais permaneceram em atividade, permitindo que a venda de picapes médias não fosse tão abalada. Como resultado, o preço médio de venda subiu. Além disso, o mercado registrou também boas vendas nos segmentos intermediário (com a Fiat Toro) e compacto (Fiat Strada).

Pelas projeções de Amorim, os SUVs deverão superar a barreira de 1 milhão de unidades vendidas em 2024, o que fará com que o segmento represente a maior parte do mercado. “Em dez anos, eles deverão vender cerca de 1,7 milhão de unidades”, estima.

Eletrificados

As vendas de elétricos e híbridos deverão crescer de forma lenta no Brasil, de acordo com as projeções do analista da GlobalData. A razão é o preço, ainda muito elevado. Atualmente, o elétrico mais acessível do País, o Renault Kwid E-Tech, custa R$ 144 mil, ou mais que o dobro em relação à versão com motor a combustão do mesmo modelo (que parte de R$ 60 mil).

Até mesmo os híbridos ainda são pouco acessíveis, o que impede maior volume. Amorim chama atenção para o fato de que a diferença de preços entre um Corolla híbrido e uma versão de motorização convencional do sedã está na casa dos R$ 30 mil.

Ele estima que em 2028 isso começará a mudar, graças à produção local de um modelo elétrico a ser feito em parceria entre a Honda e a Chevrolet. Mesmo assim, de acordo com Amorim, em 2034 o mercado nacional deverá ter vendas de 170 mil unidades, “o que é pouco comparado a um volume total estimado de mais de R$ 3 milhões de unidades (na época)“, compara. Até lá, ele vê boas perspectivas para os híbridos “leves”, com sistema elétrico de 48 Volts, por ser uma tecnologia mais acessível.

Avanço constante
17% É a participação de vendas das picapes no Brasil. De acordo com os dados da GlobalData, no primeiro trimestre, enquanto os emplacamentos totais do mercado caíram 25%, no segmento de SUVs a retração foi de 4%. Pelas projeções da consultoria, em 2024 as vendas de SUVs devem superar a barreira de 1 milhão de unidades

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