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Mobilidade para quê?

Vias abertas: um bom negócio para as cidades

Menos ruas para carros reduzem a poluição e estimulam a economia

3 minutos, 19 segundos de leitura

27/04/2022

Por: SUMMIT MOBILIDADE

Rua XV em Curitiba, a antiga avenida foi transformada em um longo calçadão para pedestres e comércios. Fonte: Shutterstock/Reprodução

O embate entre motoristas e pedestres nas cidades parece um fato consumado. Qualquer rumor ou planejamento de vias alternativas aos carros é respondida com fúria pelas pessoas que usam veículos individuais como principal meio de transporte. 

O medo de maior congestionamento, falta de vias e aumento do tempo gasto no trânsito parece assombrar os motoristas. Mas será que tornar algumas vias exclusivas para pedestres é tão ruim para o trânsito? Pesquisas e experiências ao redor do mundo mostram que não.

Mais ruas para carros não diminuem o tráfego

Um estudo de pesquisadores da Universidade de Barcelona compilou dados de 545 municípios da Europa por 20 anos, entre 1985 e 2005, mostrando que a construção de mais vias para carros criou mais congestionamento. Ao contrário do esperado, o aumento desproporcional das frotas leva ao aumento de congestionamentos. 

E menos ruas?

Por outro lado, um levantamento realizado pelos pesquisadores Sally Cairns, Stephen Atkins e Phil Goodwin, em 2001, analisou os efeitos da realocação de vias para carros para outras finalidades. 

O estudo, intitulado Disappearing traffic? The story so far, mostrou que as mudanças acarretam uma série de benefícios para a população e para a economia local, e o trânsito não se acumula em vias vizinhas como se poderia pensar.

O estudo analisou mais de 70 casos de realocação de vias em cidades de todo o mundo e alguns dos benefícios encontrados foram:

  • melhora da qualidade do ar;
  • maior investimento nos locais;
  • florescimento do comércio;
  • maiores índices de população se exercitando;
  • maior número de pessoas na rua, o que aumenta a segurança;
  • aumento dos deslocamentos curtos a pé;

A redução de vias focadas nos carros também permite o maior uso de veículos públicos e menos poluentes como trólebus, ônibus, metrôs e trens. Esse fenômeno, que ficou conhecido como ‘traffic evaporation’ (evaporação do trânsito), não acontece por milagre. Motoristas são desencorajados a usar os veículos e buscam alternativas com melhor custo-benefício para o deslocamento. 

Além disso, fenômenos como alteração de horários de tráfego demonstram um maior cuidado em tentar sair em momentos com menor trânsito. Durante a pandemia, também percebeu-se um forte aumento nos aplicativos de carona e de transporte, aumentando o número de pessoas nos veículos.

E o comércio?

Muitos comerciantes têm medo de que a ausência do trânsito de carros nas ruas possa diminuir a quantidade de clientes, mas os estudos também mostram o contrário. Ruas transformadas para a circulação exclusiva de pedestres e ciclistas têm um aumento no faturamento e crescimento do número de empresas.

É o caso da rua Lijnbaan Street, em Roterdã, na Holanda. Com forte investimento público, a rua foi convertida para um centro moderno, com muito comércio, conforto para os pedestres e prosperidade para os comerciantes.

Lijnbaan Street em Roterdã (Holanda). (Fonte: Shutterstock/Reprodução)

Em San Francisco, nos Estados Unidos, um exemplo igualmente bem-sucedido foi a da Market Street. A cidade impediu a circulação de carros em alguns trechos e estuda o alargamento de faixas para pedestres. Outro exemplo nos Estados Unidos é a conversão da Times Square para uma via de pedestres.

No Brasil, há o exemplo da Rua XV (Curitiba), uma das principais avenidas da cidade que foi fechada para os carros nos anos 1970. Sob forte protesto dos comerciantes, o então Prefeito Jaime Lerner fechou a rua por alguns dias com a justificativa de reformas.  

A avenida, porém, nunca mais foi reaberta para os carros, mas a resistência dos comerciantes logo diminuiu. Em pouco tempo, a Rua XV se tornou um dos principais pontos turísticos da cidade e milhares de pedestres transitam por ela diariamente.

Fonte: ArchDaily, Nacto, The City Fix, Ideas, Caos Planejado, Somos Cidade

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