Na Perifa

Água potável e saneamento básico: direito universal

Higiene e tratamento de esgoto estão diretamente relacionados com prevenções de doenças e diminuição da mortalidade infantil

2 minutos, 12 segundos de leitura

17/09/2021

Por: Ariel Freitas, Favela em Pauta

Só 83,7% das pessoas têm acesso ao direito universal de água potável no Brasil. O desamparo vai na contramão dos objetivos da ONU na Agenda 2030. Foto: EcoPim-Studio/Getty Imagens

O Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) é garantir abastecimento, água potável e saneamento universais. O Brasil está mal: 39 milhões de pessoas não têm acesso a água potável e 99 milhões não têm coleta de esgoto

Toda vez que a comunidade Intersul, em Alvorada, no Rio Grande do Sul, sofre com temporal intenso, vem à tona um dos descasos públicos mais comuns nas periferias brasileiras: a falta de saneamento básico nos territórios. Há 32 anos, a dona de casa Daniele Maciel convive com um “rio de esgoto” que transborda em dias de chuva e invade as residências.

“A gente precisa urgentemente de uma ação da prefeitura. A maioria das famílias tem crianças em casa”, diz Daniele. “A gente paga luz, água e tudo certinho, mas convive com esse rio de esgoto e tudo que entra pela rua de barro. Eles dizem que aqui é tudo asfaltado, mas cadê o asfalto?” – o bairro consta como localidade asfaltada no mapeamento da prefeitura, mas a extensão é de chão batido. Questionado pela reportagem, o município ainda não retornou.

  • 54,1% da população brasileira tem acesso a saneamento básico
  • 49,1% do esgoto gerado é tratado
  • 83,71% da população acessa a rede de água
Fonte: Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS, 2019)

Sem condições

Quatro em cada dez brasileiros não têm acesso à rede de esgoto. Apenas 49% dos detritos gerados no Brasil são tratados e só 83,7% das pessoas têm acesso à água potável. O desamparo vai na contramão dos objetivos da ONU na Agenda 2030.

Para a cientista política Richelle da Silva, a ausência de saneamento nos territórios habitados principalmente pela população negra e pobre está relacionada com o preconceito. “A existência dessa realidade indica que o Estado não reconhece a humanidade dentro das favelas”, afirma. O fato de que a maioria das pessoas serem identificadas como pretas, às margens e sem acesso a políticas públicas de ensino e emprego mantém o desinteresse público, diz Richelle. Ela vive no Vigário Geral, zona norte do Rio de Janeiro, e não tem tratamento de esgoto.

Nas comunidades cariocas, ressalta Richelle, são comuns as denúncias a respeito da qualidade da água e as queixas por falta de abastecimento. É o caso de Viviane Pereira, moradora do bairro Fazendinhas, no Complexo do Alemão. Durante seis meses ela viu escoar das torneiras um líquido turvo e, de vez em quando, escuro como refrigerante de cola. Para ter água para beber e fazer refeições, Viviane filtrava a bebida em panos.

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