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Na Perifa

Analista internacional fala da importância de ‘resgatar a democracia brasileira’

Mudar o rosto da política é um dos primeiros passos para uma sociedade mais justa’, escreve Emerson Caetano

2 minutos, 54 segundos de leitura

12/05/2022

Por: Emerson Caetano, PerifaConnection

Primeiro turno das eleições 2022 acontecerá no dia 2 de outubro. Foto: Felipe Araújo/Estadão

Neste ano teremos eleições decisivas para os rumos do Brasil. A periferia é o lugar em que a participação eleitoral pode transformar toda a estrutura política atual. No dia 2 de Outubro, a população vai eleger presidente da República, governador, senador, deputado federal e deputado estadual ou distrital.

O voto é obrigatório para quem tem entre 18 e 70 anos de idade. Aos 16 e 17, votar é opcional — e uma oportunidade importante para exercer seus primeiros compromissos com o País

A importância do voto de quem mora na periferia — Nas margens do Brasil, vivem os trabalhadores e as trabalhadoras que fazem a manutenção e o funcionamento das cidades, empresas, e organizações. Quando a periferia escolhe discutir a política, entende que é preciso eleger candidatos que se importam com a qualidade de vida de quem está na base da pirâmide social brasileira. A informação e a consciência política são ferramentas importantes para romper desigualdades.

A barreira social que impede a prosperidade e o sucesso das pessoas que vivem em comunidades periféricas — para haver riqueza, é preciso haver desigualdade — encontra sustentação na atuação de políticos que não sabem o que é passar fome ou ter o dinheiro limitado às contas do mês. Por isso é preciso buscar um candidato que tenha experiências parecidas com as nossas, e que entenda a realidade de viver na periferia.

O sistema político brasileiro precisa de pessoas que se pareçam com o povo; precisa de mais mulheres,  LGBTs, transexuais, indígenas e afro-descendentes, porque o que a TV Câmara e a TV Senado mostram é que temos um corpo político dominado por homens brancos de classe alta. Se a democracia fosse nossa, teríamos mais representatividade de corpos e pautas nos processos de tomada de decisão pública.

Sobre esses assuntos, ouvi alguns moradores de favelas cariocas. Carlos Eduardo Gonçalves, de 16 anos, me disse que nesta eleição é importante “mudar o presidente para diminuir o preço da gasolina e dos alimentos, que aumentaram muito nos últimos anos”. Ainda não sabe em quem vai votar, mas espera que os eleitos tragam melhorias para as periferias.

Corrupção — Quando o assunto é honestidade, há um grande desconforto e uma enorme descrença entre as pessoas ao meu redor. Elas considerarem a maioria dos políticos desonestos.

Para Daniel França, de 20 anos, o desafio é encontrar alguém que não seja incompetente. Ele me disse que “a corrupção é inevitável e não existe ninguém bonzinho; quero votar em quem faça as coisas acontecerem”.

Diversidade — Se apenas um grupo homogêneo decide por toda a sociedade, não é possível vencer a injustiça social. É por isso que fazem falta na política pessoas que não foram criadas em famílias tradicionais e ricas e ex-estudantes de escolas da rede pública beneficiados por programas de assistência e inclusão. Públicos como esses conhecem a realidade e têm muito a contribuir.

Janaína Tavares, idealizadora do Sarau V, em Nova Iguaçu, acredita que “é preciso investir na educação política dos jovens periféricos, melhorar escolas e furar bolhas de conhecimento, porque uma periferia crítica pode mudar o Brasil. As fake news, a evasão escolar, a falta de debate público, podem ser fatais para a nossa democracia, por isso precisamos votar em quem tem compromisso com a gente.”


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