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Anime Dicria, no Instagram, faz curadoria de notícias para a favela

Criada no auge da pandemia pelo carioca Edson Cura no Morro do Fallet, no Rio de Janeiro, a conta tem mais de 26 mil seguidores

2 minutos, 25 segundos de leitura

25/02/2022

Por: Ariel Freitas, Favela em Pauta

Ed Cura, do Anime Dicria. Foto: Hermes de Paula/Divulgação

Edson Cura, de 26 anos, encurta distâncias entre a cultura japonesa, o ritmo inquieto do Rio de Janeiro e a democratização da informação. Morador do Morro do Fallet, no bairro de Santa Teresa, o fotógrafo e designer de web colocou no ar no Instagram em 2021 o Jornal Anime Dicria, que tem mais de 26 mil seguidores e compartilha, diariamente, notícias de interesse comum nas comunidades cariocas, levando em conta questões de saúde, urbanização e políticas públicas.

Edson começou a criar em plataforma digital usando seu “computador ruim” na pandemia de coronavírus, quando não enxergava formas de expressar a angústia. “O Anime Dicria foi uma válvula de escape no auge da pandemia. Não tinha como sair de casa, estava sem grana e então surgiu a ideia e juntei as minhas duas paixões, fotografia e anime, [para] levar notícias junto com essa temática”, comenta.

Regularmente ele percorre o noticiário, seleciona assuntos, edita e publica os posts. É assim que abastece suas redes. Em geral, sobre fotos o designer aplica personagens de animes famosos (como Naruto). Põe texto, indica fonte e faz legendas informativas.

Quando o Jornal Anime Dicria completou seis meses, amigos e seguidores apoiaram a página em um financiamento coletivo para que Edson conseguisse comprar um novo computador. “É todo um nicho favelado que se sente representado com animações no cenário carioca, que é único”, diz Edson. Veja um exemplo de postagem:









Biblioteca de mangás

Em um desdobramento do sucesso do Anime Dicria, Edson vai inaugurar no dia 15 de março no Morro do Fallet uma biblioteca de mangás. A Mangateca. “Minha ideia sempre foi devolver todo o apoio que recebi até aqui. Como todo mundo sabe, os exemplares físicos dos mangás são muito caros e nem todo favelado acessa a internet diariamente. Por isso, surgiu a ideia de criar uma biblioteca só de mangás”, diz o fotógrafo. Por meio de doações, o acervo já tem três mil exemplares de mangás, outras revistas em quadrinhos, livros e publicações infantis.

A Mangateca do Anime Dicria quer oferecer todo o tipo de leitura possível para  crianças, adolescentes e adultos, né? A democratização da leitura passa por todas as fases e ajuda muito no desenvolvimento pessoal e na transformação de quem reside nas comunidades cariocas, pois é uma ponte para novas perspectivas (Edson Cura)

O próximo projeto do Anime Dicria é audiovisual: um jornal em formato de anime. Se ainda faltam recursos, sobram inquietação e criatividade. “Quero fazer um programa todo em animação, com personagens das comunidades cariocas apresentando as notícias e as informações. Se a gente tivesse mais recursos e grana, teríamos vários artistas sendo celebrados como Kanye West [rapper, estilista e produtor renomado] no quesito de criatividade”, finaliza.


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