Na Perifa

Colecionador mantém museu de brinquedos na periferia de Belém

Clima nostálgico e objetos antigos atraem adultos e crianças

2 minutos, 50 segundos de leitura

08/10/2021

Por: Wellington Frazão, Periferia em Foco

Tony Cruz, 43 anos, transformou as brincadeiras de infância em um museu de brinquedos antigos na periferia de Belém. Foto: divulgação/Barbara Kelly

Foi a partir de um sonho que Tony Cruz, de 43 anos, transformou as brincadeiras de infância
em um museu de brinquedos antigos na periferia de Belém do Pará. O espaço existe há 12 anos
e as peças mais antigas são da década de 1940. Parte do acervo circula em exposições e palestras.

Ao todo são 3 mil brinquedos guardados na casa da mãe de Tony, que é um colecionador e vai compondo a coleção com itens doados ou comprados por ele, sem financiamento externo ou apoio cultural seja na composição do acervo, seja na manutenção do espaço, orçada em R$ 1.300 por mês.

Tony lembra que no início amigos e vizinhos achavam a ideia do museu “maluca”, mas ele foi em frente. Fez um estudo cultural, social e histórico para saber se já existia algo parecido no Brasil e percebeu que não havia nada nesse sentido na região norte do país.

Na época, Tony pensava em comprar uma casa e acabou revertendo o dinheiro para a compra dos brinquedos e investimentos no projeto. “Fiquei com medo, gastei a grana, não comprei minha casa, começaram as críticas, mas ao mesmo tempo surgiram os elogios”, lembra.

Agora, o fato de o museu servir de referência na região norte é motivo de orgulho. Tony conta que pessoas de outros estados, como São Paulo e Rio de Janeiro, o procuram para saber mais sobre o espaço. Em 2014, chegou a receber um certificado de uma fábrica de brinquedos por sua importância no setor.

Mundo das palavras — A inspiração para criação do museu surgiu de outra paixão do colecionador: a
escrita. Tony também é poeta e já tem oito livros publicados, entre contos, alguns pensamentos e
crônicas. Ele diz que, se não tivesse tido a literatura, não teria a ideia do museu. “Literatura
leva aos brinquedos e os brinquedos levam à literatura, é uma troca de informação”, afirma. No livro mais recente, Tony escreveu sobre a criação do museu.

A importância do brincar e do lúdico — Tony foi uma criança que brincou muito, e criou um amigo imaginário. “Seu João, ele esteve comigo nas horas difíceis e nas horas de alegria”, lembra. Esse parceiro de
brincadeiras aparecia antes de o então menino adormecer, levando orientação e inspiração para novas brincadeiras. “Foi meu segundo pai, teve uma participação muito grande”, diz. Hoje o “amigo imaginário” tem 60 anos, é barrigudo e ex-jogador de futebol. “Foi a imaginação que me trouxe, eu tentei ser jogador e não deu certo”, conta Tony.

A importância do brincar e o poder da imaginação estimulam Tony a trazer as crianças para um universo lúdico fora da tela do computador. “Antigamente, a gente brincava com o brinquedo; hoje o brinquedo brinca contigo”, afirma, em relação à disputa da atenção das crianças em um mundo cada vez mais tecnológico. Ele comenta que, para ele, o museu é como um remédio. “Quando estou triste, eu venho e converso com os brinquedos, só de olhar o sorriso volta.”


Museu de Brinquedos Antigos
Conjunto Satélite, WE 5, casa 334, Belém (PA)
As visitas ao local ocorrem por agendamento prévio: (91) 98329-8263


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