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Devastação ambiental: desmatamento cresce em todos os biomas

Em três anos, o Brasil perdeu uma área verde próxima à do Estado do Rio de Janeiro. Na Amazônia, a estimativa é de que sejam derrubadas 18 árvores por segundo

2 minutos, 32 segundos de leitura

20/07/2022

Por: Estadão Conteúdo

Vista aérea de região devastada na Amazônia. As taxas de desmatamento na floresta têm apresentado alta e o País patina no cumprimento das metas assumidas na conferência climática, a COP-26. Foto: Getty Images

Relatório divulgado na segunda-feira, 18 de julho, aponta que o desmatamento no Brasil cresceu 20,1% em 2021, atingindo 16,5 mil km² em todos os biomas. Em três anos, o Brasil perdeu uma área verde próxima à do Estado do Rio de Janeiro. Na Amazônia, a estimativa é de que sejam derrubadas 18 árvores por segundo. E apenas 27% das áreas desmatadas são alvo de alguma fiscalização.

Os dados são do Relatório Anual de Desmatamento no Brasil, do MapBiomas, iniciativa do Observatório do Clima realizada por uma rede de universidades, ONGs e empresas de tecnologia. “Indicam que há um problema crônico e se agravando em todas as regiões do Brasil”, diz Tasso Azevedo, coordenador do MapBiomas.

Segundo o estudo, 77% da área total desmatada ficava em um imóvel registrado no Sistema Nacional de Cadastro Ambiental Rural. “Em ao menos três quartos dos desmatamentos, é possível encontrar um dono ou responsável”, diz. Para ele, é preciso fortalecer ações, como embargar terras com desmate ilegal (o que dificulta o acesso a financiamento), impedir regularização fundiária em áreas com desmate irregular e banir produtos de origem irregular do mercado.

SEM PUNIÇÃO

O estudo diz ainda que a maioria dos casos não tem fiscalização e punição: embargos e autuações federais só em 10,5% da área desmatada, entre 2019 e 2021. A gestão Jair Bolsonaro é alvo de críticas no Brasil e no exterior por enfraquecer órgãos de fiscalização ambiental. Procurado ontem, o Ministério do Meio Ambiente não comentou até 19h30.

Os números são mais positivos se somados ao crescimento de ações em parte dos Estados e Ministérios Públicos, chegando a 27,1% da área desmatada. “Se tem algo de positivo em relatório tão dramático é que ampliaram as ações em Estados, seja porque foram mais transparentes, com mais informações disponíveis, seja por efetivamente começarem a aplicar mais em ações de fiscalização”, destaca Azevedo.


DESTAQUES DO RELATÓRIO

Dados brutos de desmatamento em cada bioma

  • Amazônia: 59%
  • Cerrado: 30%
  • Caatinga: 7%
  • Mata Atlântica: 1,8%
  • Pantanal: 1,7%
  • Pampa: 0 1%

Tiveram maior alta em um ano

  • Caatinga: 89% ↑
  • Pampa: 92% ↑

Do total desmatado…

…5,3% estavam em áreas protegidas
…3,6% em unidades de conservação
…1,7% em terras indígenas

A Área de Proteção Ambiental do Triunfo do Xingu e a Floresta Nacional do Jamanxim são as mais atingidas. Ambas no Pará

40,5% das terras indígenas tiveram ao menos um registro de desmate

A agropecuária é o principal vetor de pressão (96,6%) para o desmate. Também há perdas ligadas a garimpo, mineração, expansão urbana e usinas de energias solar e eólica.

Eventos de maior porte, em mais de 100 hectares (um km²), cresceram 37,8% em um ano. A fins de comparação, o Parque do Ibirapuera tem 1,6 km².

Houve desmate irregular em 2,1% das propriedades rurais do Brasil (134.318 mil). “Os outros 98% não desmatam irregularmente, mas sofrem consequências do mercado, chuva, aumento de preços da energia (causados pelo dano ambiental)”, aponta Tasso Azevedo, coordenador do MapBiomas

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