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Na Perifa

Em livro, publicitário escreve sobre as vivências de um jovem gay na periferia

EPublicação independente, a obra de Guilherme Moraes fala dos desafios de sexualidade e classe social

2 minutos, 52 segundos de leitura

04/05/2022

Por: Núbia da Cruz

Davi, personagem principal do romance gay 'Armário Vazio Não Para em Pé', é alter ego do autor. Foto: divulgação

Em quantos armários estão presos homens gays e periféricos? Como eles fazem para sair? Essa jornada é o que Guilherme Moraes, de 31 anos, conta no livro Armário Vazio Não Para em Pé. Publicação independente, o romance chega ao mercado em 4 de junho, em lançamento na Livraria Patuscada a partir das 17h. A loja fica em São Paulo.

Armário Vazio Não Para em Pé (331 págs.) pode ser comprado no formato físico e digital. Saiba mais no Clube de Autores

À procura de um romance gay para ler em um período de férias, Guilherme conta que achou a oferta escassa e por isso resolveu contar uma história marcada pela realidade brasileira. Em sua avaliação, os romances disponíveis na literatura estrangeira vendida no Brasil ficam limitados ao ambiente dos países de origem. “São vivências diferentes, contextos diferentes, uma realidade tão distante da nossa que fica difícil se enxergar naquilo”, explica.

O protagonista de Armário Vazio é Davi, um adolescente morador da periferia que, no começo dos anos 2000, começa a entender sua sexualidade. O livro acompanha a trajetória desde a fase escolar até a juventude. Muitas das passagens são inspiradas pela experiência do próprio Guilherme, que tem uma história parecida com a de seu personagem. Nascido na Vila dos Remédios, um bairro da periferia de Osasco (SP), o autor tem em Davi seu alter ego.

O publicitário Guilherme Moraes, autor de ‘Armário Vazio Não Para em Pé’. Foto: divulgação

O armário da sexualidade — “Quando a gente pensa em sexualidade, a gente liga a um armário”, diz Guilherme. “Mas, quando olhamos no zoom que a história traz, é o viés de entrar em um ambiente diferente sendo uma pessoa que é da periferia, que é [esse ambiente] um armário; igual entrar numa faculdade de elite com bolsa de estudo, outro armário.”

A falta de referências e de informação e a violência verbal são pedras no caminho do personagem Davi que, nascido e criado na periferia, se descobre gay. “A única referência de homem gay que tive perto de mim era o super estereótipo, o cabeleireiro do bairro, o Val, que sofria muito preconceito”, conta o autor. No livro, a violência verbal aparece podando o adolescente através dos comandos orais dos homens héteros ao seu redor, como “Tá rebolando demais”, “Engrossa essa voz” e “Arruma essa postura”.

O armário da classe social — Calouro na universidade privada, onde ingressou pelo Programa Universidade Para Todos (Prouni), Davi também enfrenta o armário da classe social quando se vê diante de pessoas com vivências muito diferentes da sua.

Uma passagem do livro trata do preconceito dos estudantes com alunos bolsistas. “Isso fez com que ele quisesse esconder, mas trouxe um gás para querer ser melhor que todo mundo que estava ali e conseguir galgar novos espaços”, diz Guilherme.

O armário da empregabilidade — Na busca pelo primeiro emprego, Davi enfrenta todos os armários, como o de ser morador de periferia , ser gay e o de ser um homem gordo. Quando se vê em um lugar de rico, sendo pobre, Davi começa a ter consciência de classe e dos privilégios sociais. Pela experiência, ele conclui: a meritocracia é uma falácia.


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