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‘Temos uma origem, um significado, uma visão de mundo potente’, diz artista

Em suas obras, Larissa Vieira — que assina Mundo Negro —, resgata a história do povo negro

2 minutos, 48 segundos de leitura

17/03/2022

Por: Núbia da Cruz

Uma explosão de cores e figuras geométricas. Três mulheres negras ao centro. A pintura Mulherisma Africana é um dos trabalhos escolhidos pela artista sergipana Larissa Vieira — que assina Mundo Negro — para representar seu trabalho. Foto: divulgação Uma explosão de cores e figuras geométricas. Três mulheres negras ao centro. A pintura Mulherisma Africana é um dos trabalhos escolhidos pela artista sergipana Larissa Vieira — que assina Mundo Negro — para representar seu trabalho. Foto: divulgação

Uma explosão de cores e figuras geométricas. Três mulheres negras ao centro. A pintura Mulherisma Africana é um dos trabalhos escolhidos pela artista sergipana Larissa Vieira — que assina Mundo Negro — para representar seu trabalho.

Larissa Vieira. Ao fundo, mural feito por ela em homenagem ao bloco afro Descidão dos Quilombolas. Foto: divulgação

Negra e nordestina, Larissa tem 28 anos. É graduada em Artes Visuais pela Universidade Federal de Sergipe e cresceu no subúrbio de Aracajú. Filha de pais separados, tem pai e tio artistas na MPB. Mas, ainda que frequentasse espaços culturais, galerias e museus nunca estiveram ao seu alcance.

O despertar de Larissa para as artes visuais se deu nas ruas: “Sempre gostei muito de desenhos de arte urbana, mural, escultura”, conta a artista. Ainda criança, ela começou a criar seu mundo negro, com quadrinhos em que que contava histórias cotidianas, buscando trazer a representatividade que não enxergava em Homem Aranha e Batman, entre outros, que permeavam o imaginário infantil.

Atualmente, sua arte se manifesta em ilustrações, artes gráficas, intervenções urbanas e moda, sempre com a representação de personagens. “O persona é como se fosse um contador, leva alguma história, alguma informação”, diz. “A cultura negra foi mantida pela tradição oral. A história é uma das coisas mais importantes para manter nossa existência”.

Obras de Larissa Vieira, que assina Mundo Negro
Obras de Larissa Vieira, que assina Mundo Negro

Uma explosão de cores e figuras geométricas. Três mulheres negras ao centro. A pintura Mulherisma Africana é um dos trabalhos escolhidos pela artista sergipana Larissa Vieira — que assina Mundo Negro — para representar seu trabalho. Foto: divulgação

Povo negro, mulher negra — Quando perguntada sobre o que quer dizer com sua arte, Larissa diz que é “falar sobre a nossa história, no sentido de buscar uma origem que foi apagada, seja nossa constituição familiar, seja do nosso povo, das nossas referências. Sempre buscar essas histórias”.

A gente veio de um lugar onde existe uma visão de mundo, uma sociedade que tinha razão no sentido de ser, existir e o que foi feito foi um processo de desumanização. Eu tento falar sobre resgate, identidade. É sobre isso que tento falar; a gente tem uma origem, um significado, uma visão de mundo muito potente

Estudiosa das teorias afrocêntricas, Larissa sente falta de referências negras e de origem africana quando se fala em arte  Assim, durante sua formação, buscou eliminar da sua arte essa origem ocidental, através de estudos de formas, o que ela chama de “Busca de África”.

Larissa em sua nova casa, no bairro Suíça. Foto: divulgação
Larissa em sua nova casa, no bairro Suíça. Foto: divulgação

Mulher e negra, Larissa diz que se sente invisível e que é muito difícil acessar espaços de privilégio, como galerias de arte. No entanto, consegue enxergar toda a estrutura de opressão e padrões impostos a mulheres e à população negra. “Quando faço a minha arte estou falando sobre a minha vivência, da minha vivência negra. Preciso compartilhar isso com outras pessoas que estão passando pelo mesmo rolê. Meu trabalho é uma pesquisa que serve para mim, mas também para quem está ao meu lado”, ressalta.

Arista independente — Larissa imprime e vende suas obras. Seu principal canal de divulgação é a rede social. No Instagram, tem mais de 3 mil seguidores. “É bem difícil. Temos um circuito cultural bem fechado. Para quem é pobre e de periferia é mais complicado”, afirma. Nem nos editais ela vê muitas chances, algo que atrela ao racismo estrutural.


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